Puno – Visitando as ilhas peruanas do Titicaca

Faz uns dias postamos como foi nosso passeio pela Ilha do Sol, no Titicaca boliviano. Agora compartilhamos com vocês como é navegar pelo lado peruano!

Referência (maio/2016)
1 real = 0,88 soles

Povoadas por indígenas que mantêm uma cultura marcante e milenar, as ilhas do Titicaca reservam para você uma experiência única. Seja por ser uma oportunidade de passar um dia com este povo, seja para ver as ruínas antigas ou simplesmente para estudar um pouco da engenharia por trás das ilhas flutuantes, aqueles que fizerem este passeio voltarão muito mais ricos do que quando saíram.

Barco de totora, para navegar pelas ilhas de Uros
Barco de totora, para navegar pelas ilhas de Uros

Nós visitamos as ilhas flutuantes de Uros e as ilhas Amantani e Taquile, em um tour de 2 dias.

Custos

Há diversas agências em Puno que vendem este passeio, que pode ser a apenas uma das ilhas ou às 3, em um tour de 2 dias (dormindo em Amantani). Se tiver tempo, recomendamos visitar as 3.

Nós fizemos o passeio com a Lago Tours, pois foi a agência mais barata que encontramos, e o serviço foi muito bom.

Vamos aos números:

100 soles pelo passeio, incluindo um guia (ingês/espanhol), o translado, a hospedagem e as entradas nas ilhas. As refeições (almoço/janta no primeiro dia e café-da-manhã/almoço no segundo dia) também estavam incluídas.

Alguns gastos adicionais que são opcionais:

10 soles para cruzar de uma ilha flutuante a outra em um barco feito de totora (junco). Se não quiser pagar, vai cruzar com o barco normal. É opcional, mas você vai ser meio que pressionado a fazê-lo.

1 sol se quiser carimbar o passaporte com o carimbo do Titicaca.

Mucuvinha com o carimbo do lago Titicaca no passaporte
Mucuvinha com o carimbo do lago Titicaca no passaporte

10 soles por uma cerveja de 600ml, se quiser beber na festa de Amantani.

1 sol de gorjeta para cada músico que aparecer. Na nossa viagem, apareceram 4 músicos tocando em troca de gorjeta.

Crianças cantando para nós, esperando ganhar uma pequena gorjeta.
Crianças cantando para nós, esperando ganhar uma pequena gorjeta.

1 sol para usar qualquer banheiro público.

20 a 25 soles do almoço do segundo dia, caso seu tour não inclua. Confira na agência se não podem incluí-lo por um preço mais bacana. No nosso caso, por exemplo, o tour custava 85 soles, mas nos incluíram o almoço por 15 soles adicionais.

Nas ilhas também vendem artesanatos (alguns bem baratos). Pode levar uma graninha extra para o caso de sentir vontade de comprá-los.

Artesanatos vendidos na ilha de Taquile
Artesanatos vendidos na ilha de Taquile

No passeio você vai encontrar com muitas crianças pobres. Se quiser, leve um presentinho pra elas.

Também é possível fazer o tour de forma independente, comprando as passagens de barco direto no cais. Acaba não sendo muito vantajoso, mas, como os barcos são dos próprios habitantes das ilhas, é possível chorar um desconto.

Se quiser ir de forma independente, os gastos são:

30 soles pela passagem de barco pelas 3 ilhas.

25 soles de entrada nas ilhas (5 na Uros e 10 nas outras).

30 soles de hospedagem em Amantani.

Além dos gastos opcionais citados anteriormente.

Se for desta forma, tente negociar para que consiga incluir na passagem as entradas nas ilhas, por exemplo.

Turistas aprendendo sobre o funcionamento das ilhas flutuantes de Uros, no Titicaca
Turistas aprendendo sobre o funcionamento das ilhas flutuantes

O que levar

Água – são vendidas nas ilhas, mas a preços exorbitantes

Lanterna – ajuda bastante. É possível se virar sem, mas vai ter que tomar cuidado em dobro quando estiver caminhando de noite.

Baterias carregadas – há eletricidade na ilha, mas não encontramos uma só tomada em nossa hospedagem. Aparentemente o fornecimento é por energia solar, e a economia é fundamental.

Roupas de frio – a temperatura cai absurdamente na ilha pela noite. As casas fornecem cobertores, mas você vai precisar de um bom casaco para caminhar por lá depois do por-do-sol.

Papel higiênico – não há nos banheiros das casas.

Comida – o almoço e o jantar são incluídos, mas não são fartos. Talvez bata uma fome, e uma bolachinha pode ajudar.

Protetor solar – o sol é cruel nesta região.

Bonito por-do-sol na ilha de Amantani, Titicaca
Bonito por-do-sol na ilha de Amantani

O tour

Independente se for de forma independente ou com agência, o itinerário vai ser muito parecido. Vamos contar resumidamente como é o translado, e mais abaixo descrevemos como é cada uma das ilhas.

1° dia

A van veio nos buscar no hotel pouco antes das 8h para nos levar ao cais. De lá, partimos até uma das ilhas flutuantes de Uros, em um trajeto que durou cerca de 1h.

Em Uros, conhecemos um pouco sobre as famílias que viviam lá e aprendemos como a ilha era construída. De lá, cruzamos nos barcos de Totora (15 minutos) até uma outra ilha flutuante, onde havia um restaurante e era possível carimbar o passaporte.

A partir daí, seguimos no barco motorizado até a ilha de Amantani (quase 3h), onde ficamos hospedados na casa de uma família local. Aqui, almoçamos, jantamos e participamos de uma festa com músicas típicas.

Porquinho da ilha de Amantani, Titicaca
Porquinho da ilha de Amantani

2° dia

Acordamos por volta das 6h40min, tomamos café e seguimos por um translado de 1h até Taquile, onde conheceríamos um pouco da ilha e aproveitaríamos para almoçar.

Saímos de Taquile pouco depois de meio-dia, e chegamos a Puno pouco depois das 15h, onde a van nos esperava para levarmos de volta ao hotel.

Portal da ilha de Taquile, no Titicaca
Portal da ilha de Taquile

Conhecendo cada ilha

Agora vamos explicar como foi nossa experiência em cada uma das ilhas. Caso não tenha tempo para fazer o tour de 2 dias, pode escolher a ilha que mais te agrade.

É possível visitar 1 ou 2 ilhas em um tour de 1 dia, e o preço sai bem mais econômico.

Ilhas Flutuantes de Uros

Se tivéssemos que escolher somente uma das ilhas para visitar, visitaríamos esta. Apesar de ser um passeio bem curto (cada ilha é minúscula, e vivem nelas somente de 4 a 8 famílias), este é, provavelmente, o mais diferente de tudo o que você já viu.

Estas ilhas são artificiais, feitas basicamente com totora, uma planta abundante no Titicaca. Pelo que entendemos da descrição, “totora” seria o nosso “junco”.

As ilhas flutuantes de Uros, lado peruano do Titicaca
As ilhas flutuantes de Uros, lado peruano do Titicaca

Nas ilhas, o chefe da comunidade nos ensina como a ilha é feita: blocos de raízes de totora são cortados e amarrados uns aos outros, formando a base. Depois, esta base é coberta por folhas secas de totora, formando o piso. No total, a ilha tem de profundidade cerca de 3 metros de base, e 1 metro de piso.

Funcionamento das ilhas de Uros no Titicaca peruano
O chefe da comunidade dando uma aula de como a ilha é feita

As casas são minúsculas, contendo apenas uma cama, e todas são feitas também de totora. Um fato interessante é que, a cada mês, é preciso trocar o piso por folhas novas, pois elas vão apodrecendo e rachando com o tempo. Para trocar o piso debaixo das casas, estas são levantadas por 6 homens.

Entre as casas é colocada uma grande pedra, sobre a qual é instalado um fogão comunitário de barro. E assim vivem estas pessoas.

Pequenas casas das ilhas de Uros. No canto, o pequeno fogão comunitário.
Pequenas casas das ilhas de Uros. No canto, o pequeno fogão comunitário.

Outro fato interessante (e triste) é que estas ilhas simplesmente flutuavam por todo o lago, e iam para onde o vento as levasse. Hoje, porém, todas precisam ser fixadas com âncoras. A explicação é que, como o lago é dividido entre os dois países (Peru e Bolívia), seus moradores não podem simplesmente cruzar de um lado a outro sem fazer imigração.

Mas esta não foi a única crueldade que o progresso e o capitalismo impuseram sobre esta cultura. Estas pessoas viviam basicamente da pesca e da caça de aves. Como não é possível plantar nada nestas ilhas, elas completavam sua alimentação trocando suas caças por vegetais com os povos vizinhos. Porém, a pesca comercial e as mudanças no clima reduziram a quantidade destes animais na região, e hoje as famílias dependem muito do dinheiro do turismo para continuar vivendo desta forma.

Depois da aula sobre a ilha, fomos “convidados” a fazer o passeio nos barcos de totora (10 soles). Não fazíamos questão de fazer, mas como insistiram que aquela verba seria usada em benefício dos moradores, acabamos aceitando.

Barcos de totora no lago Titicaca
Barcos de totora no lago Titicaca

O translado era feito a remo até uma ilha vizinha, igualmente simples, mas que contava com um bar e um restaurante. Ali, quem quisesse podia carimbar seu passaporte com o selo do Titicaca por 1 sol.

Mucuvinha em frente ao letreiro de Uros, no Titicaca
Mucuvinha em frente ao letreiro de Uros

Daí, seguimos até a ilha de Amantani.

Ilha de Amantani

Esta é uma ilha relativamente grande, habitada por cerca de 4 mil pessoas. Os únicos meios de transporte existentes aqui são 2 cavalos, utilizados principalmente por turistas que ficam com preguiça de caminhar.

Esta ilha já possui escolas, luz elétrica e até uma prefeitura. Seus habitantes já não vivem apenas da pesca e do turismo, mas também da colheita e do pastoreio.

Casas dispostas na ilha de Amantani
Casas dispostas na ilha de Amantani

Aqui, fomos apresentados a nossas “mães”, as mulheres que nos receberiam em suas casas. Nós ficamos junto com um casal de israelitas (cada um em um quarto privado) na casa de Roberta, uma índia casada que tinha 3 filhos pequenos. Sua casa era pequena, feita de barro, e bem aconchegante. Tivemos sorte, pois outras famílias já tinham casas bem mais modernas, feitas de tijolos e cimentos.

Nosso quarto era simples, mas bem aconchegante em Amantani, Titicaca
Nosso quarto era simples, mas bem aconchegante.

Roberta e seu marido eram habitantes da ilha desde que nasceram, e tinham muita curiosidade em saber como era a vida em nosso país.

Eles conversavam em quechua e espanhol. Seus filhos, porém, aprendiam unicamente espanhol na escola, e a menina mais nova tinha dificuldade para entender o idioma pré-colombiano. Nos perguntamos por quantas gerações aquela língua antiga iria sobreviver.

Eles cozinharam para nós um almoço simples mas muito gostoso, com uma sopa de entrada e vegetais com queijo de prato principal.

Nosso almoço. Simples, mas delicioso em Amantani
Nosso almoço. Simples, mas delicioso.

Depois do almoço, subimos caminhando com nosso guia por um trajeto de 1h, morro acima, até chegar a umas ruínas de um templo antigo. A ilha tinha dois cerros principais, e sobre cada um deles foi construído um templo: um à Pachamama (mãe terra) e outro ao Pachatata (pai terra). O da mãe era redondo, e o do pai era quadrado.

Subimos ao templo da Pachamama. Lá, fizemos um ritual: deveríamos pegar 3 pedras no chão e dar 3 voltas ao redor do templo. A cada volta, deveríamos pensar em um pedido e prender uma das pedras nos vãos das paredes do templo. Não sabemos se este era um ritual inca ou algo criado para entreter os turistas, mas não custa nada entrar na brincadeira.

Turistas dando voltas ao redor do templo da Pachamama.
Turistas dando voltas ao redor do templo da Pachamama.

Vimos o belíssimo por-do-sol lá de cima, e em questão de minutos a temperatura baixou bruscamente. Não importa que faça calor lá embaixo: leve casaco quando subir!

Descemos a montanha, jantamos (sopa de entrada, arroz com legumes de prato principal) e nos vestimos com roupas típicas para uma festa com o pessoal de lá. A entrada e o empréstimo das roupas era gratuito; você só precisaria de dinheiro se quisesse comprar cerveja ou dar uma gorjeta aos músicos.

Vestidos com roupas típicas para a festa no Titicaca
Vestidos com roupas típicas para a festa.

A festa começou às 20h e foi até às 22h. Apesar de mais da metade dos participantes serem gringos, o evento foi bem divertido, e conseguiu resgatar um pouco da cultura dali. Os moradores da região eram bastante animados, e conseguiram colocar todos os estrangeiros para dançar.

Mesmo cheia de gringos, a festa em Amantani seguia bem animada
Mesmo cheia de gringos, a festa em Amantani seguia bem animada

Terminada a festa, voltamos para casa e dormimos.

Fomos acordados pouco antes das 7h, e nosso café-da-manhã (panquecas) já estava pronto. Comemos, nos despedimos de nossos anfitriões e seguimos para a terceira ilha.

Taquile

Vista da ilha de Taquile, no Titicaca
Vista da ilha de Taquile

O deslocamento até Taquile durou cerca de 1h. Aqui, seguimos por um caminho de cerca de 40 minutos de subida leve, até chegar à praça central da cidade. Esta, localizada em uma parte alta, oferecia belas vistas ao lago, e era rodeada por bonitas casas antigas. Havia uma pequena igreja (fechada) e uma feira de artesanatos caríssima.

Mucuvinha na praça central da ilha de Taquile
Mucuvinha na praça central da ilha de Taquile

Passamos um tempo ali, e depois nos reunimos com nosso guia para almoçar. No restaurante, o guia nos apresentou as roupas do pessoal que vivia ali, e como deveriam ser usadas.

Os homens usavam um gorro colorido desde pequenos. Enquanto crianças, deveriam usá-lo dobrado para trás. Quando adolescentes, usariam dobrado para o lado: solteiros para a direita e comprometidos para a esquerda. Quando casassem, deveriam substituí-lo por um de cores diferentes.

Gorros da ilha de Taquile
O gorro da esquerda é para casados, e o da direita para solteiros.

As ex-autoridades deveriam usar um gorro bem colorido. As autoridades em exercício deveriam usar este gorro coberto por um chapéu.

Gorro e chapéu usado pelas autoridades de Taquile
Gorro e chapéu usado pelas autoridades de Taquile

As mulheres usavam um tipo de véu/capa com um pompom na ponta. As solteiras eram diferenciadas das casadas por usarem um pompom maior e mais colorido.

Outra parte da vestimenta era o cinturão, que servia, entre outras coisas, como um item de proteção aos homens. Os cinturões possuíam, em seu interior, fios de cabelos das mulheres para serem mais resistentes. Estes cabelos não eram cortados, mas sim o resultado de um acúmulo nos pentes por anos e anos.

Dada a aula, almoçamos truta frita com arroz e salada e descemos novamente para o cais. Nosso deslocamento de volta a Puno durou 3 horas.

Nosso almoço na ilha de Taquile
Nosso almoço na ilha de Taquile

Considerações sobre o passeio

A opinião das pessoas sobre este tour são diversas. Enquanto alguns adoram, outros metem o pau, dizendo que tudo não passa de um grande teatro, e que você não vê de verdade como vivem estas pessoas.

Nós fazemos parte do grupo dos que adoraram. Talvez tudo seja um grande teatro, mas o espetáculo é lindo, e você vai assisti-lo da primeira fila. Sobre o argumento de que você não vê como estas pessoas vivem, temos que discordar. Você vê, sim, como elas vivem. Todos os dias elas acordam, vestem-se com suas roupas típicas e vão receber os turistas no porto. Em uma ou outra hora livre, dedicam-se a suas plantações, a cuidar de seus animais e a educar seus filhos. Este é o dia a dia delas: elas vivem dentro deste grande teatro.

Ovelhas em Taquile
Ovelhas em Taquile

Como já comentamos, o planeta não é mais o mesmo. Estamos destruindo este frágil ecossistema para termos nossos ipods e nossos carros confortáveis, e o lado mais fraco acaba sofrendo as piores consequências. Esta cultura ainda segue em frente graças ao dinheiro recebido pelo turismo, mas é claro que não está mais intacta. O mundo foi se alterando, e até eles precisaram se adaptar.

Tudo é um teatro? Pode ser. Então corra para assistir esta peça, antes que saia de cartaz.

Gostaram das dicas pessoal? 🙂
Para mais dicas de viagens e acompanhar nossa viagem de volta ao mundo, curtam nossa página no face!
http://www.facebook.com/mundosemfimoficial

6 comentários sobre “Puno – Visitando as ilhas peruanas do Titicaca

  1. Adoooorei o relato! Eu pesquisei muito sobre o passeio de 2 dias mas não encontrava muitas informações! Agora tenho certeza que participarem dessa experiência.
    Muito obrigada 😀

    1. Olá Paula!! Ficamos felizes que tenha curtido nosso relato!
      Pode ir sem medo, que com certeza vai ser uma experiência maravilhosa. E, no que tiver dúvidas, só perguntar! 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *