Potosí – conhecendo a antiga cidade mais rica do mundo

Com uma história impressionante, Potosí, esta cidade declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, é visita obrigatória para quem quer conhecer a Bolívia. Aqui contamos um pouco do que fazer por lá!

Câmbio oficial (fevereiro/2017)
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1 dólar = 6,9 bolivianos

Mucuvinha no centro de Potosí
Mucuvinha no centro de Potosí

O trânsito caótico, as cholas com suas roupas típicas, as grandes feiras de rua e a arquitetura colonial misturada com prédios modernos fazem de Potosí uma cidade boliviana em seu estado mais puro.

Ainda que muitos viajantes possam se decepcionar à primeira vista, basta conhecer sua história e visitar seus museus para ver que a visita valeu a pena.

História

Não tem como não se impressionar ao ouvir a história de Potosí – esta cidade humilde já foi a mais rica do mundo e a segunda maior metrópole (ficando atrás apenas de Paris). É um pouco difícil separar o que é verdade e o que é lenda aqui, mas vamos tentar contar todas as versões.

A riqueza de Potosí começou logo com sua fundação, em 1546, graças à exploração da prata no vizinho Cerro Rico. Em 1611, Potosí já era a maior exportadora de prata do mundo e sua população chegava aos 150 mil habitantes.

Durante o século XVII atingiu seu apogeu, mas em 1825 quase toda a prata já havia se esgotado, reduzindo sua população a pouco mais de 8 mil habitantes.

Nas ruas de Potosí. Ao fundo, o Cerro Rico
Nas ruas de Potosí. Ao fundo, o Cerro Rico

O trabalho nas minas, como já é de se esperar, era feito por indígenas escravizados pelos espanhóis, nas condições mais sub-humanas possíveis. Dizem que muitos passavam meses lá dentro sem ver a luz do dia, e morriam em poucos anos, vítimas de desnutrição, acidentes ou doenças pulmonares.

O Frei Domingo de Santo Tomas, que viveu nesta época, teria dito: “Não é prata o que se envia à Espanha, é o suor e sangue dos índios”.

No começo do século XX, a demanda mundial de estanho fez com que as atividades nas minas voltassem a ser interessantes, e a cidade voltou a crescer. Hoje, Potosí vive basicamente da exploração do que sobrou no Cerro Rico e do turismo. A tecnologia nas minas não melhorou muito desde a época colonial, e muitos mineiros ainda trabalham em condições muito precárias.

A lenda da exploração

Diz a lenda – que, por sinal, é muito conveniente aos espanhóis para justificar sua barbárie – que os Incas já conheciam a existência da prata no Cerro Rico há muito tempo, mas que quando seu imperador tentou iniciar sua exploração, uma grande explosão (que emitiu um som parecido com “putusiii”) expulsou os incas dali. Supostamente, isso teria sido encarado como um sinal sagrado de que a prata estava reservada “aos que vem depois”.

Conveniente, não?

Malandragem espanhola – como os indígenas consideravam o Cerro Rico sagrado, os espanhóis começaram a representar a Virgem Maria no mesmo formato do cerro.

Potosí e o símbolo do dólar

Não encontramos nenhuma fonte oficial confirmando esta teoria, mas a história que nos contam durante o recorrido pela Casa de la Moneda é, no mínimo, interessante.

A prata de Potosí era considerada a de melhor qualidade do mundo, e as moedas que vinham com o símbolo de Potosí as mais valorizadas.

O símbolo da cidade era composto pela sobreposição das letras P, T e S, formando um símbolo muito parecido com o $. Isso teria, supostamente, dado origem ao cifrão, usado atualmente para representação monetária.

Símbolo de Potosí nas moedas, representado pela sobreposição das letras P, T e S.
Símbolo de Potosí nas moedas, representado pela sobreposição das letras P, T e S.

Chegando e saindo

Potosí é uma cidade importante e possui conexão de ônibus com as principais cidades da Bolívia. Também é ponto de passagem para quem quer explorar o Salar do Uyuni.

A cidade possui dois terminais de ônibus, e ambos estão razoavelmente longe do centro. O novo possui saídas para longas distâncias, e o antigo possui saídas para Uyuni e outras cidades próximas.

A viagem para Uyuni dura cerca de 6 horas e custa 30 bolivianos, embora chorando conseguimos por 20.

De Uyuni para Sucre leva em torno de 8 a 10 horas e custa na faixa de 50 bolivianos.

ônibus em Potosí, Bolívia
Ônibus chegando a Potosí – transportam até ovelhas!

Altitude

Potosí está a quase 4 mil metros de altitude sobre o nível do mar, e é uma das cidades mais altas do mundo. Mesmo que já esteja acostumado com a altitude, é possível que sinta cansaço ou dores de cabeça por aqui. Procure caminhar sempre devagar, tomar muita água e chá de coca.

Hospedagem

Hospedagens em Potosí são caras, pelo menos para os padrões bolivianos. No centro, os hostels costumam cobrar entre 40 e 80 bolivianos por um quarto compartilhado.

O hotel mais barato que conseguimos por lá foi um chamado Vermont, que ficava na esquina da rua La Paz com a Periodista. Um quarto privado para um casal custava 60 bolivianos. Estava a uns 15 minutos de caminhada do centro.

Comida

Comer em Potosí é barato – a partir de 10 bolivianos já é possível um almoço simples completo, com suco, entrada e prato principal. Comidas em restaurantes mais chiques saem a partir de 30 bolivianos.

Almoço simples em Potosí
Almoço simples em Potosí por 10 bolivianos

O que fazer em Potosí?

Além de percorrer as belas ruas coloniais, com casarões que mostram seu passado próspero mesclados com a cultura andina, Potosí tem dois passeios imperdíveis:

Casa de la Moneda

Este belo museu é onde funcionava a antiga casa da moeda de Potosí, e guarda todo o maquinário usado para cunhar a prata, além de muitas relíquias da cidade.

O passeio guiado é essencial para conhecer toda a história de Potosí e um pouco da história da Bolívia.

O passeio guiado custa 40 bolívares por pessoa. Se quiser tirar fotos, é cobrado mais 20 bolívares por câmera.

Minas de Potosí

Se quiser conhecer melhor sobre a vida dos mineradores, poderá fazer um tour guiado pelas minas do Cerro Rico. Apesar de às vezes parecer constrangedor (você está lá fotografando enquanto o pessoal se mata de trabalhar), parte do dinheiro do tour é destinado às suas famílias, o que torna o turismo bom para os mineradores.

Estes tours custam a partir de 70 bolivianos. Embora não seja obrigatório, é de praxe comprar presentes (como refrigerante, folhas de coca e aguardente) para os mineradores que encontrar. Invista uns 20 bolivianos nisso (provavelmente não vai te fazer falta, mas para eles é uma grande ajuda).

Este tour não é recomendado para pessoas que sofrem de claustrofobia ou que tem medo do escuro.

Leia tudo sobre o nosso passeio pelas minas de Potosí aqui.

Minas de Potosí
Minas de Potosí

Tinku

Se estiver em Potosí no começo do mês de maio, não perca a festa do Tinku, que acontece nas cidades vizinhas.

Ainda bem pouco conhecido, o Tinku é um festival com raízes pré-coloniais e diferente de tudo o que você já viu. Durante o evento, várias lutas acontecem entre seus participantes, às vezes com pedras e chicotes. Mortes não são raras.

Ainda que pareça brutal, a essência do Tinku não é a violência, mas a prosperidade. Acredita-se que o sangue derramado durante o festival é uma oferenda para a Pachamama, que trará boa colheita no ano. Os poucos turistas que se aventuram por lá estarão seguros.

Quer saber mais? Confira aqui como foi nossa passagem por lá!

É isso pessoal! Espero que tenham gostado de conhecer esta cidade.

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2 comentários sobre “Potosí – conhecendo a antiga cidade mais rica do mundo

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