Oventic – visitando um território autônomo zapatista no México

Nas montanhas do estado de Chiapas está o coração do movimento rebelde zapatista. Lá, eles são autônomos e vivem suas próprias leis e têm seu próprio sistema político. E, apesar de ser uma região bem fechada, turistas são bem-vindos. Aqui contamos como foi nossa visita por lá!

Câmbio oficial (setembro/2017)
1 real = 5,70 pesos mexicanos
1 dólar = 17,90 pesos mexicanos

Conhecendo o EZLN

Antes de falar sobre Oventic, é importante conhecer um pouco sobre o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). Este grupo é uma organização política mexicana, que atualmente domina alguns povoados da região de Chiapas. No passado, foi um grupo militar e guerrilheiro, mas atualmente eles só querem a paz. São fortemente inspirados em Emiliano Zapata, herói nacional e defensor dos indígenas.

Seus objetivos, segundo as palavras do sub-comandante Marcos (um dos líderes do movimento):

“Tomar o poder? Não, apenas algo mais difícil: um mundo novo”.

Sub-comandante Marcos

Pouco se sabe sobre os detalhes desta organização e da quantidade de membros. O que se sabe é que ela veio a público no começo de 1994, quando grupos de indígenas armados tomaram, ao mesmo tempo, sete municípios do estado de Chiapas (entre eles, San Cristóbal de las Casas), justo no dia em que estava sendo negociado o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA). O governo respondeu com fogo pesado, obrigando os rebeldes a se retirarem para as montanhas da região. Mas eles não se renderam, e começaram a utilizar meios de comunicação para ganhar apoio popular, tanto dentro quanto fora do México. Isso dificultou a vida do governo, que teve que diminuir a violência e partir para o diálogo.

Atualmente o EZLN já largou as armas, e seu método de governo, baseado no socialismo autônomo, marxismo e zapatismo, é aplicado a algumas cidades autônomas indígenas. Oventic é o coração destas cidades, e foi um grande privilégio poder visitá-la!

Oventic, território zapatista
Território Zapatista. “Aqui manda o povo e o governo obedece”.

Como chegar?

Oventic está a cerca de 60 quilômetros de San Cristóbal de las Casas. Há coletivos para lá, mas saem só quando enchem (e demoram muito para encher). Uma opção mais fácil é pegar um táxi coletivo – 48 pesos por pessoa (algo como 9 reais). Enchem quase instantaneamente. A viagem dura pouco mais de 1 hora.

Para voltar é um pouco mais complicado, já que Oventic está no meio da estrada. É preciso esperar que passe um táxi com vagas, ou tentar uma carona. Nós esperamos quase 1 hora até que passasse um táxi com dois lugares disponíveis.

Tanto as vans quanto os táxis saem de perto do Mercado José Castillo Tielemans (San Cristóbal), na rua Gral. Utrilla com a Gral. Berriozabal.

Escola autônoma de Oventic
Escola autônoma de Oventic

Visitando Oventic

Oventic não é, de fato, um destino turístico, mas visitantes interessados em conhecer sua história são bem-vindos, independente da nacionalidade.

À beira da estrada há algumas lojas que vendem artesanatos e comida, todos abertos para os turistas. Na entrada principal da cidade, porém, há um portão fechado, e um rapaz encapuçado cuidando da vigilância. Você deve se aproximar dele e pedir autorização para conhecer o lugar. Feito isso, espere. Logo vai aparecer alguém com uma planilha para pedir seu nome, profissão, objetivo da visita e seu passaporte (não pediram os nossos, mas pediram de outros visitantes).

Portão na entrada de Oventic
Portão na entrada de Oventic

Depois de responder as questões, espere mais um pouco enquanto ele pede autorização aos responsáveis (que, pelo que entendemos, são 9 pessoas; todas as 9 precisam concordar com a sua visita).

Autorização recebida, um rapaz com um pano cobrindo o rosto veio nos receber para ser nosso guia. Ele não é um guia turístico, mas alguém responsável para cuidar que você não faça nada errado lá dentro. Não adianta ficar fazendo perguntas a ele, pois as respostas vão ser todas curtas e vagas. Sabe aquele papo:

“Tem horas?”

“Tenho”

“Pode me falar?”

“Posso”.

É mais ou menos por aí.

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Isso não quer dizer que eles sejam antipáticos ou coisa do tipo. Muito pelo contrário: todos nos recebiam com sorriso no rosto (mesmo com as máscaras, era possível ver que estavam sorrindo). Não sabemos se a falta de diálogo era pelo excesso de simplicidade daquelas pessoas ou por medo de passar informações confidenciais. Provavelmente, um pouco dos dois.

O passeio é rápido: apenas descemos a rua principal e passamos na frente das escolas, da quadra de esportes, de algumas casas e de seu hospital (que possui, inclusive, uma ambulância). Todos estes prédios são cobertos por grafites e frases que remetem à revolução e ao socialismo.

Lá dentro, pelo pouco que entendemos, tudo é gratuito. E também não existe lucro para ninguém – tudo é dividido igualmente entre toda a população indígena.

Terminado o passeio, voltamos para a estrada. Não cobram nada, nem fazem menção de querer gorjeta (não sei nem se seria bem recebida, caso fosse oferecida).

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Fotos

É permitido tirar fotos com qualquer tipo de câmera, desde que você não fotografe ninguém que não esteja encapuçado ou mascarado. Como a maioria das pessoas estava com o rosto descoberto, não conseguimos tirar uma foto panorâmica da cidade.

Segurança

Confesso que estávamos um pouco apreensivos antes de ir: visitar uma região autônoma, com suas próprias leis, onde as pessoas andam com a cabeça coberta, é algo que pode parecer um tanto perigoso.

Chegando lá, porém, nos sentimos completamente seguros. Percebemos que, apesar de todo o rigor da entrada, éramos muito bem-vindos. Dentro do território zapatista não existe roubo, não existe crime, não existe drogas nem nada do tipo. Sem dúvidas, temos muito o que aprender com eles.

Foi uma pena não conseguirmos interagir muito com essas pessoas, mas sem dúvidas a experiência valeu muito!

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É isso aí, pessoal! Curtiram a dica?

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