Conheça Kuelap – a Machu Picchu do norte do Peru

Quando nos disseram que havia ruínas de uma outra cidade pré-colombiana que era tão – ou até mais – bonita que Machu Picchu, não acreditamos, e tivemos que ir até lá conferir. Não é que os boatos eram verdadeiros?

Referência (julho/2016)
1 real = 1 sol
1 dólar = 3,30 soles

Ruínas de Kuélap
Ruínas de Kuelap

História

Com pouco mais de 60 mil m² e 400 edificações, Kuelap foi uma importante cidade de pedra, totalmente murada, construída pelos Chachapoyas, uma cultura que existiu entre 500 d.C e 1470 d.C, na região da selva amazônica peruana.

Não se conhece muito sobre os Chachapoyas, mas sabe-se que foram derrotados pelos Incas pouco antes da chegada dos espanhóis. A conquista de Kuelap não foi fácil, dada a difícil localização (no topo de uma grande montanha, a 3 mil metros de altitude) e à grande proteção da cidade (Kuelap é totalmente murada, com apenas três acessos, onde é possível passar apenas uma pessoa por vez).

Grandes muralhas de Kuelap, no norte do Peru
Grandes muralhas de Kuelap

O exército Inca, de fato, não conseguiu invadir a cidade, mas a manteve sitiada por um longo tempo. Trancados dentro da fortaleza, os Chachapoyas foram ficando sem recursos, e acabaram se rendendo. A partir de então, a cidade passou a ser ocupada pelos Incas, o que se percebe em algumas edificações que fogem ao padrão original.

Com o fim do Império Inca, a cidade de Kuelap ficou abandonada, e só veio a ser redescoberta em 1843, o que explica seu excelente estado de conservação.

Representação de como teria sido a cidade de Kuelap em funcionamento
Representação de como teria sido a cidade de Kuelap em funcionamento

Conhecendo Kuelap

Kuelap está situada no topo de uma montanha, em uma região de muita neblina, razão pela qual os Chachapoyas também eram chamados de “guerreiros das núvens”.

Apesar de parecer uma grande fortaleza, estudos indicam que a cidade não foi construída com este fim; os grandes paredões que a cercam são apenas consequência de uma obra para nivelar o lugar.

Assim como Machu Picchu, as casas aqui também são todas em pedra (embora não apresentem o encaixe e a perfeição dos cortes típicos dos engenheiros Incas) e construídas em forma circular. Várias delas apresentam desenhos ou formas de arte típicas da cultura Chachapoya.

Uma das três entradas para Kuelap
Uma das três entradas para Kuelap
Formas de losango, típico da arte dos Chachapoyas
Formas de losango, típico da arte dos Chachapoyas
Edificações redondas em Kuelap
Edificações redondas em Kuelap

Como chegar a Kuelap

Para chegar até Kuelap, o ideal é partir da bonita cidade de Chachapoyas. Desde aí, se você não tiver um veículo particular, há algumas opções:

  1. Contratar um tour para Kuelap. Todas as agências em Chachapoyas vendem este tour e, quando pesquisamos, todas vendiam ao mesmo preço: 50 soles, incluindo um guia. Se quisesse incluir almoço e as entradas, o valor subia para 80 soles por pessoa. Estes tours saem todos os dias às 8h30min, e voltam lá pelas 18h.
  2. Seguir de transporte público. Os transportes para Kuelap partem do terminal de Chachapoyas e custam 15 soles o trecho. O grande problema desta opção é que as vans para lá saem às 14h30min, e chegam em Kuelap somente às 17h. Se optar por este meio, vai ter que passar uma noite lá (há algumas opções de hospedagens simples a preços econômicos) e visitar as ruínas no dia seguinte.
  3. Fechar uma van. Foi a opção que escolhemos. As empresas que levam a Kuelap não tem problemas em sair no horário que você quiser, desde que tenha um grupo de pelo menos 4 pessoas. O valor por pessoa, neste caso, sai 30 soles (ida e volta). Se quiser ir desta forma, tente conversar no seu hostel com outros turistas e ver se consegue formar um grupo, ou simplesmente espere no terminal até que apareçam outras pessoas interessadas em ir para lá (foi assim que conhecemos dois chilenos que toparam fechar a van com a gente).
    A vantagem de ir assim, além da economia, é que você escolhe a hora que quer ir e voltar. No nosso caso, decidimos sair de Chachapoya às 6h30min, e chegamos em Kuelap 8h30min, quando ainda estava vazia.
  4. Esta opção é a mais econômica, mas precisa caminhar bastante. A toda hora estão saindo vans do terminal para Tingo. Pegue uma dessas e peça para descer no caminho para Kuelap (10 soles). A partir daí, é preciso caminhar umas 4 horas morro acima.
    Para voltar, é possível descer tudo novamente e pegar a mesma van de volta, ou tentar negociar com o motorista de alguma excursão para te levar de volta. Eles não devem cobrar mais que 15 soles.

Há um teleférico sendo construído para subir desde Tingo até a bilheteria de Kuelap. A data estimada da entrega era julho/2016, mas quando passamos por ali as obras não pareciam estar perto do fim.

Ruínas de Kuelap
Ruínas de Kuelap

Preço

Além do valor gasto para chegar até lá, a entrada para Kuelap custa 20 soles (estudantes pagam 10). Opcionalmente, se estiver indo por conta própria, é possível contratar um guia por 30 soles (independente do tamanho do grupo).

Conhecendo Kuelap

Ao lado da bilheteria há um pequeno museu, que traz algumas informações bem interessantes do lugar. Não deixe de visitá-lo, ainda mais se estiver sem guia.

A partir daí, é preciso caminhar 2,5km (não esqueça de comprar o ingresso antes, senão vai ter que voltar) por um caminho de subida leve até as ruínas. Quando chegar às muralhas, pergunte para o pessoal de lá como fazer para entrar (há um atalho desviando do caminho).

Depois de entrar em Kuelap, o circuito é bem fácil e bem explicado.

3 horas devem ser mais que suficientes para percorrer todo o local tranquilamente.

Com uma lhama em Kuelap
Com uma lhama em Kuelap
Ao fundo o "Templo Mayor" de Kuelap
Ao fundo o “Templo Mayor” de Kuelap

Curiosidades

  • Conta a lenda que as mulheres Chachapoyas tinham pele branca, e eram consideradas umas das mais lindas da América pré-colonial.
  • No começo do filme Indiana Jones e os caçadores da arca perdida, Indiana busca por um ídolo de ouro nas ruínas de um templo chachapoya.

Dicas

  • O clima lá em cima é bem doido – se tiver capa de chuva, leve.
  • Em Kuelap geralmente faz um pouco de frio. Leve um casaco, mesmo que esteja um calor infernal em Chachapoyas.

É isso pessoal! Gostaram de Kuelap?

Para mais dicas de lugares bacanas e acompanhar nossa viagem de volta ao mundo, curtam nossa página no face:
www.facebook.com/mundosemfimoficial

 

4 comentários sobre “Conheça Kuelap – a Machu Picchu do norte do Peru

  1. Olá!!!

    Eu de novo por aqui. Já fui abduzida pelo Perú, estou entrando no 4o mês nesse país lindo por conta de uma proposta de trabalho que rolou no meio do caminho. Como os planos podem mudam, não!!!

    Então em alguns dias eu vou para Chachapoyas e queria ver com vocês uma referencia de lugar econômico para ficar, porque eu não encontrei aqui no blog. Vocês chegaram a ir para Gopta também? AH, e alguma referencia para Tarapoto?

    Boa andança pela Costa Rica!!!

    1. Olá Naiana!
      O Peru realmente é um país difícil de sair! Tanto lugar bonito pra descobrir!!
      Não lembro onde nos hospedamos em Chachapoyas, pois descemos do ônibus e seguimos a indicação de um senhor que estava oferecendo ali. Mas ficava a umas 3 quadras da praça principal, pela rua que passa na frente da igreja, seguindo para a direita. Se não me engano pagamos 30 soles em um quarto para casal.
      Pra Gocta não fomos, mas é fácil chegar lá por conta própria! Infelizmente 1 dia antes de chegarmos lá, um gringo foi fazer um selfie, caiu e morreu, aí fecharam o acesso por uns dias. Mas na praça de Chachapoyas tem uma oficina de turismo, e eles ensinam tudo lá 🙂
      Em Tarapoto ficamos em um hotel no centro, do lado da onde a van nos deixou (é difícil explicar porque cada empresa tem seu terminal, mas era de onde chegavam e saíam as vans para Yurimáguas). Custou acho que 35 soles, quarto privado para casal e muito bom. Mas nós não fizemos nada lá (tem alguns tours, mas depois de Iquitos eles perdem um pouco a graça!).
      Aproveite bem a selva peruana, é muito legal! 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *