Ruínas de Caral – conheça a civilização mais antiga da América

Situada a cerca de 4h ao norte de Lima estão as ruínas da civilização mais antiga das Américas e segunda mais antiga do mundo. Declarada como Patrimônio da UNESCO e ainda pouco conhecida pelos turistas, este lugar merece a sua visita!

Referência (junho/2016)
1 real = 0,85 soles
1 dólar = 3,30 soles

Michele caminhando pelas Ruínas de Caral
Michele caminhando pelas Ruínas de Caral

Ao conhecer a história de Caral, ficamos impressionados com o fato de este lugar ser tão pouco conhecido e visitado por turistas, dada a sua importância tremenda.

Tendo surgido em aproximadamente 3 mil anos a.C e durado cerca de 1200 anos, a civilização de Caral é a mais antiga das Américas, e a segunda mais antiga do mundo, tendo sido precedida somente pela mesopotâmica. Pouco se sabe sobre esta sociedade, pois os corpos de seus habitantes nunca foram encontrados (e os fósseis trazem muitas informações úteis, como a forma que eram enterrados e qual era a expectativa de vida da população) e poucos registros artísticos ou utensílios resistiram ao tempo, já que esta sociedade ainda desconhecia o processo de fabricação da cerâmica.

Ruína de Caral restaurada
Ruína de Caral restaurada

Estima-se que a cidade de Caral chegou a abrigar até 3 mil pessoas, e que a expectativa de vida nesta época era de pouco menos de 30 anos. Não se sabe ao certo por quê esta sociedade desapareceu, mas a teoria mais provável é que a população tenha aos poucos migrado para outras regiões com melhores condições.

Caral está localizada a cerca de 20km do litoral peruano, em uma zona desértica no meio de um vale. Há um rio próximo à cidade, porém eles ainda não tinham conhecimentos de saneamento suficientes, e toda a água consumida na cidade era transportada em bolsas feitas de raízes e folhas.

Ruínas de Caral
Ruínas de Caral

Este lugar foi descoberto há relativamente pouco tempo, em 1994, e não se deu muita importância no início. Em 2009 o lugar ganhou o título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, e a partir daí os esforços para mantê-lo e restaurá-lo ganharam mais ânimo. Hoje ainda grande parte das ruínas estão soterradas, e o processo de restauração segue diariamente. Não sabemos quanto tempo vai demorar para que todo o lugar seja descoberto e restaurado, mas seguramente voltaremos daqui a algumas décadas para conferir!

Templo religioso em Caral
Templo religioso em Caral

Como chegar

Caral está a cerca de 4h de ônibus ao norte de Lima, próximo à cidade de Supe.

Para chegar até lá, pode-se ir em excursão ou simplesmente pegar uma van de Supe até o povoado de Caral (40 minutos). Avise o motorista que você vai às ruínas; ele te deixará em uma bifurcação, de onde deverá caminhar cerca de 20 minutos até as ruínas.

Hospedagem

Apesar de haver uma pequena cidade lá perto (também chamada Caral), é melhor se hospedar na costa. Supe e Barrancas podem ser boas opções, porém temos uma dica bem legal: se estiver viajando no verão, pode se hospedar na bonita praia de Caleta Vidal (15 minutos ao sul de Supe, um táxi custa 2 soles) e aproveitar para relaxar e comer um bom peixe pescado na hora.

Nós ficamos por lá, no hotel Villa Caral (http://peruvillacaral.com/), e recomendamos sem medo. Apesar de estarmos no inverno, o dono fez questão de nos receber, a ainda nos esperou com um delicioso almoço de boas-vindas. Pena que fazia frio, pois a praia é muito bonita e tem um pôr-do-sol encantador.

Hotel Villa Caral
Hotel Villa Caral

Preço

A van de Supe a Caral custa 4 soles por pessoa.

A entrada em Caral custa 11 soles.

Também é obrigatório fazer o passeio com guia. O valor do guia é 20 soles, independente de quantas pessoas vão. Se estiver viajando sozinho, basta esperar alguns minutos até que se forme um pequeno grupo, para poder dividir este gasto com outras pessoas.

No nosso caso, tivemos sorte de ir no grupo de um limenho que viajava sozinho, e nos ofereceu carona de volta.

Pirâmides de Caral
Pirâmides em processo de restauração

O passeio

Reserve pelo menos 2 horas para percorrer Caral (além do tempo que se gasta para chegar lá). O passeio guiado dura cerca de 1 hora, mas você pode caminhar pelos arredores até alguns mirantes onde se pode ir sem guia.

Apesar da grande importância histórica, este lugar ainda é pouco conhecido, e recebe poucas visitas por dia. Diferente da caótica Machu Picchu, aqui você poderá tirar fotos tranquilamente, sem ter que esperar na fila ou dividir seu espaço com outra centena de turistas.

Percorrendo as Ruínas de Caral
Percorrendo as Ruínas de Caral

Caral está em constante trabalho de restauração, e pelo caminho você verá várias pessoas trabalhando. Ainda não se pode entrar nas edificações, mas as vistas externas já valem a visita.

Pelo recorrido, passamos por 6 pirâmides e 2 templos. Uma coisa interessante que aprendemos aqui é que, abaixo de cada pirâmide, poderiam haver até duas mais. A explicação era que, quando um governante morria, sua casa era enterrada, e se construía outra por cima. Desta forma, ao longo das gerações, as construções iam ficando cada vez mais altas e tomando a forma piramidal.

Pirâmide de Caral
Pirâmide que mostra outra pirâmide em seu interior. Note que, na parte superior, continuaram escavando e encontraram outra escadaria escondida

Outra coisa bem interessante era o sistema de distribuição do fogo: apesar de não terem uma forma de encanamento de água, o vento era distribuído dentro das casas por tubulações específicas, servindo assim para alimentar o fogo dos fogões internos. Acredita-se que, em um lugar da cidade, havia uma chama sempre acesa, mantida por um responsável designado pela comunidade. Quem quisesse levar um pouco deste fogo deveria trazer uma oferenda a este guardião da chama.

Mucuvinha em frente a uma das pirâmides de Caral
Mucuvinha em frente a uma das pirâmides de Caral
Relógio solar em Caral
Uma espécie de relógio solar, que poderia servir tanto como relógio quanto como calendário
Ruínas de Caral em restauração
ruínas em restauração

É isso pessoal! Gostaram de conhecer este lugar?
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10 comentários sobre “Ruínas de Caral – conheça a civilização mais antiga da América

  1. Olá de novo!

    Gente, para mim foi muito mais fácil dizer como eu cheguei em Caleta Vidal, pelo post de vocês. Mas aí surgiu a dúvida de como chegaram lá, porque é um lugar que foge um pouco da rota turística.

    Bem, queria dizer que o Daniel mandou um grande abraço e que tenta acompanhar o blog, mas que não entende nada de português…que figura!!!

    1. Olá Naiana! Que legal! 🙂
      Já visitaram Caral ou ainda não?
      Nós chegamos a Caleta um pouco na sorte. Uma das referências que usamos para procurar lugares é a lista de patrimônios da UNESCO, e assim chegamos a Caral. Enquanto buscávamos hospedagem, achamos esse hotel que também se chamava Caral, e aí acabamos conhecendo Caleta Vidal!
      Manda um abraço pro Daniel também! Com o tempo ele vai aprendendo o nosso idioma! 😀

      1. Foi massa mesmo porque fui de paraquedas, na rabeta de vocês e ele realmente uma pessoa muito prestativa. Tem 2 semanas que passei por lá e adorei as praias e é claro Caral!!! Impressionante.

  2. Lamento muito ter dado de cara com sua página tão tarde, com tudo já planejado, hotéis, passagens de ônibus e avião comprados! Seus relatos e dicas são preciosos! O que me alivia é que depois de ter desistido de CARAL por conta do preço nas agências online, descobri tua página e agora CARAL está de volta ao roteiro! Acredito pelo relato de vocês que conseguiremos ir e voltar para Lima em um dia. Obrigado de coração! Abraços aos dois.

    1. Olá Erik! Muito obrigado, nos alegra bastante que tenha gostado das nossas dicas!
      Que bom que colocaram Caral de volta, é um dos lugares mais interessantes do Peru!
      Saindo cedo dá pra fazer um bate-volta de um dia sim, conhecemos outras pessoas lá que fizeram!
      Abraços e boa viagem!!

  3. Caral é espetacular, tive o prazer de conhecer em dezembro de 2014, e por incrível que pareça eu era o único visitante e tive um guia particular.
    Para chegar fui até o terminal plaza norte de Lima e peguei um ônibus para Barrancas e pedi para descer em Supe e em Supe um Taxi compartilhado até Caral.

    1. Que legal! Quando fomos havia bem pouca gente também. Só não fomos com um guia particular porque esperamos um senhor lá pra dividir conosco o preço.
      É uma pena que um lugar tão espetacular seja tão pouco visitado!

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