12 lugares turísticos que enganam você

Sabe aquele lugar maravilhoso que viralizou na Internet? Talvez não passe de uma enganação. Confira a lista de 12 destinos turísticos que não são realmente como dizem!

Antes de mais nada, quero deixar aqui uma nota em defesa a alguns destes lugares. Quase todos eles são muito bonitos e têm uma história bem interessante. O problema é que, às vezes por conta de uma propaganda apelativa do governo, às vezes por causa de “influenciadores digitais” que criam postagens sensacionalistas para ganhar likes, muita gente os visita com uma ideia errada e acaba se decepcionando.

O objetivo deste artigo não é inferiorizar estes destinos, mas sim contar a verdadeira história por trás deles.

1. Biblioteca de Tianjin (China)

Há tempos atrás viralizou na Internet as fotos de uma suporta livraria futurística da China que guardava mais de 1 milhão de livros. Este lugar, conhecido como “Tianjin Binhai Library”, realmente existe, mas não se trata de uma biblioteca de verdade, e sim de um chamariz para turistas. A grande maioria de suas prateleiras não possuem livros de verdade, apenas adesivos com imagens de livros famosos. E o ambiente, repleto de gente tirando fotos, não é nem de longe ideal para a leitura.

Enfim, o lugar existe e é muito bonito, mas não é uma livraria de verdade.

Biblioteca futurística da China. Repare como os livros não são de verdade. Créditos: Trey Ratcliff – Portfolio – – 1 (1)” by Trey Ratcliff is licensed under CC BY-NC-SA 2.0

2. Praça da cerveja grátis (Eslovênia)

Uma notícia que circulou na Internet fez muita gente querer visitar a Eslovênia: tratava-se de uma suposta praça onde havia fontes com cerveja grátis. Parece bom demais para ser verdade? Realmente é.

A praça existe, e fica na cidade de Zalec. As fontes de cerveja também existem, mas beber aqui não é grátis. Muito pelo contrário: é bem caro, inclusive. Você precisa comprar uma caneca por 8 euros para beber, e esta caneca te dá direito a abastecer seis vezes nas fontes da praça. Cada abastecida é de apenas 100 ml. Ou seja, você paga 8 euros por 600ml de cerveja “grátis”.

A brincadeira é interessante e dizem que a cerveja é excelente, mas aqueles que esperavam se embebedar sem gastar nenhum centavo vão ficar bastante decepcionados.

Fonte de cerveja em uma praça da Eslovênia

3. Caixões de Sagada (Filipinas)

Ao norte da capital, Manila, está um dos destinos turísticos mais curiosos e sombrios das Filipinas: a cidade de Sagada, onde os mortos não são enterrados, mas sim pendurados em caixões ao longo das montanhas que cercam a cidade.

Este ritual realmente existiu, e há caixões nas montanhas, mas estas são inacessíveis. Se você tiver um par de binóculos potentes, talvez consiga ver alguns bem de longe.

Porém, há alguns caixões “fake” depositados em uma montanha de fácil acesso. O pior é que, para ver esses caixões de mentira, você precisa pagar uma entrada e contratar um guia (nós fomos sem guia, mas isso é outra história).

De certa forma, em respeito aos mortos, achamos legal a ideia de que a visita seja limitada a uma réplica dos caixões, e não aos originais. Mas é sacanagem esconderem isso dos turistas.

Caixões de Sagada
Caixões falsos de Sagada

4. Ônibus elevado (China)

Este foi outro vídeo que viralizou na internet:

Trata-se do transporte público do futuro: um ônibus capaz de andar sobre o trânsito.

O ônibus chegou a ser construído, mas não passou de uma fraude – e das grandes. O projeto todo era uma mentira, e nada do que foi construído era funcional. O pior é que o governo chinês acreditou na ideia e investiu uma boa grana nisso. No final das contas, 32 pessoas acabaram presas.

5. Melhor restaurante de Londres no TripAdvisor

Este é um caso bastante interessante para mostrar como não se pode confiar cegamente nas recomendações de sites como o TripAdvisor. Em 2017, o crítico gastronômico Oobah Butler quis provar isso de uma maneira bastante peculiar: cadastrou um restaurante que nem existia e fez o possível para que ele chegasse ao primeiro lugar. Com a ajuda de vários amigos e algumas fotos falsas de comida, ele conseguiu. Em poucos meses, começou a receber centenas de ligações de clientes querendo reservar uma mesa. Ele sempre respondia que a fila de espera era de vários meses.

O restaurante, chamado Shed at Dulwich, permaneceu no topo da lista por um bom tempo, até que o TripAdvisor descobriu e o removeu.

6. Horóscopo Maia (México)

Se você já visitou os sítios arqueológicos do Império Maia no México, provavelmente foi cercado por diversos vendedores tentando te vender um colar com o seu signo maia. Eles perguntam o dia do seu aniversário e te entregam a pedra de seu suposto signo.

A verdade é que o calendário maia era completamente diferente do nosso, e é impossível saber seu signo simplesmente perguntando o dia do seu aniversário. Para tal, é preciso saber também o ano em que você nasceu e fazer uma série de cálculos complexos.

Se você quiser saber qual é o seu signo maia, escrevemos aqui um post bastante completo sobre o assunto. Assim, caso vá ao México, já saberá qual signo escolher.

7. Inle Lake (Mianmar)

É estranho colocar um dos nossos destinos favoritos nesta lista. Mas o fato é que, apesar da beleza cultural deste lago, muitos turistas saem de lá desapontados.

O grande problema está nos pescadores. Há muito tempo atrás, eles pescavam usando uma técnica bastante pitoresca: remavam com os pés e apanhavam os peixes usando um equipamento na forma de cone e uma lança. Mas, com o passar dos anos, eles passaram a utilizar ferramentas mais eficientes, como redes e varas de pescar. Hoje em dia, alguns pescadores posam para as fotos dos turistas usando as ferramentas antigas em troca de alguns trocados, porém é tudo encenação. Mas não encare isso como uma fraude, e sim como um belo teatro a céu aberto, onde você pode conhecer como era a vida deste povo no passado.

Inle Lake
Pescador do Inle Lake

8. Utila – a ilha do Robinson Crusoé (Honduras)

Eu não diria que este local é realmente uma enganação, mas é preciso entender melhor a história por trás deste clássico da literatura para que você não saia de lá com uma ideia equivocada.

Robinson Crusoé é um personagem fictício do famoso romance do escritor Daniel Defoe que naufraga em uma ilha deserta do Caribe. Mas nem Crusoé nem a ilha existiram de verdade. E Defoe não se inspirou em nenhum lugar específico, pois nunca chegou a visitar o Caribe. Segundo a latitude e longitude sugeridas no romance, a ilha deveria estar próxima à Venezuela, e não em Honduras.

Mas há um bom motivo para que Utila reivindique o título de “Ilha de Robinson Crusoé”: muitas das descrições da ilha fictícia batem precisamente com a geografia de Utila. O motivo disso é que Defoe se baseou no depoimento de piratas para criar seu romance, e Utila era um porto bastante frequentado por piratas.

Mas, independente de Crusoé, Utila é um dos destinos mais bonitos do mundo para se fazer mergulho, e sem dúvidas merece a visita.

Bando Beach, Utila
Praia em Utila

9. Ilhas flutuantes do Titicaca (Peru)

Outro destino encantador, mas que merece uma explicação para que você não saia de lá com o sentimento de que foi enganado.

Há tempos atrás, as pessoas viviam no lago Titicaca em ilhas flutuantes, feitas de totora (uma espécie de junco que nasce no lago). Estas pessoas viviam basicamente da pesca, e as ilhas iam para onde o vento as levasse. Mas os tempos mudaram, pessoas poderosas traçaram uma linha imaginária no meio do Titicaca e disseram que de um lado era Peru e do outro era Bolívia. Se alguém quisesse cruzar esta linha, precisava fazer imigração.

O povo destas ilhas nunca entendeu exatamente o que aconteceu, só ficou sabendo que não podiam mais vagar livremente pelo lago. Portanto, acabaram tendo que fixar suas ilhas no lado peruano. Como isso não é bom para a pesca, muitos tiveram que se mudar para a cidade, e mantém suas ilhas apenas para mostrá-las aos turistas. Afinal, o turismo, hoje, tornou-se o ganha pão dessas famílias.

Muita gente que visita acaba decepcionada quando descobre que muitas daquelas ilhas não são habitadas por ninguém. Mas não se sinta enganado: os tempos mudaram, e considere um privilégio poder ver um museu tão belo como estes a céu aberto.

Ilhas flutuantes do Titicaca, no Peru

10. Varanda da Julieta – Verona (Itália)

Um destino turístico bastante popular em Verona é a varanda onde supostamente Julieta recitava seus poemas. Segundo os guias locais, era ali a casa onde a amada de Romeu vivia.

A história não faz o menor sentido. Romeu e Julieta são personagens fictícios de uma peça de Shakespeare, e o autor não se inspirou em nenhuma pessoa real para escrevê-la. Há algumas tentativas de justificar a ligação, dizendo que Shakespeare se inspirou em um conto italiano, e que este conto italiano era baseado na família que vivia naquela casa. Mas nada disso é verdade: a varanda só foi construída no século XX, muito depois da morte de Shakespeare.

Suposta varanda da Julieta, em Verona. Atribuição: “Verona20080402_0368” by sugarbear96 is licensed under CC BY-NC 2.0

11. Cidade mística de Shangri-La (China)

Em 1933, o escritor inglês James Hilton lançou o romance Lost Horizon (Horizonte Perdido), que seria um de seus maiores sucessos. Neste romance, Hilton descreve a cidade fictícia de Shangri-La, uma cidade tibetana tão bela que seria como uma versão do paraíso na Terra.

A China, buscando uma carona no sucesso do livro, renomeou a cidade de Zhongdian para Shangri-La, e isso fez com que muitas pessoas acreditassem que esta foi a cidade que inspirou o escritor. Mas a verdade é que Hilton não se inspirou em cidade nenhuma especificamente, mas sim nos relatos de dois padres que viajaram pela China e Tibete nos anos de 1844 a 1846.

Em todo o caso, Shangri-La foi uma das cidades mais bonitas que já vimos, e sem dúvidas merece a sua visita.

Stupa em Shangri-la, China
Bela cidade de Shangri-La, China

12. Santuários de Elefantes

Estes lugares não merecem nenhuma nota em defesa.

O sudeste asiático, principalmente a Tailândia, está repleto de centros onde os elefantes são torturados para agradar turistas. Estes centros geralmente vêm com nomes bonitos, como “santuários” ou “centros de resgate”. Tudo mentira: o que eles fazem é tirar os elefantes das selvas e submetê-los a um treinamento doloroso para que “aceitem” a turistada que quer aquele selfie perfeito com este animal.

Há exceções, claro. Alguns poucos centros realmente buscam resgatar animais que estavam em um estado lastimável e usam o dinheiro dos turistas para tratá-los. Mas, mesmo que a intenção seja boa, estes também devem ser evitados. Imagine o seguinte cenário: um treinador pega um elefante selvagem, usa-o inescrupulosamente para o turismo durante anos, até que o animal finalmente fica à beira da morte. O centro de resgate compra este elefante e o trata. Este treinador pegará o dinheiro, caçará um novo elefante e o submeterá ao mesmo tratamento de antes. Quando este novo elefante estiver velho, outro centro de resgate o comprará, e assim sucessivamente. Para ter uma ideia da gravidade do problema, a Tailândia quase não tem mais elefantes selvagens, e muitos deles agora são trazidos do Mianmar.

Qual a forma de acabar com este ciclo? Evitando este tipo de turismo. Acabado o turismo, acabou-se a exploração animal.

Elefantes em Ayutthaya
Elefante sendo explorado pelo turismo na Tailândia

É isso, pessoal! Conhecem mais destinos que deveriam estar na lista? Comentem aí!

Para mais dicas bacanas, não deixem de nos acompanhar em nossas redes sociais:

Dicas para a sua viagem:
  • Não perca tempo! Garanta a reserva do seu hotel pelos melhores preços no Booking.com
  • Prefere alugar uma casa? Então pegue aqui seu desconto de R$130 para a primeira hospedagem no AirBnb
  • Quer ganhar um extra com suas fotos de viagem? Aprenda a vendê-las por aqui.
  • Viaje sem sair de casa com os nossos livros!

4 comentários sobre “12 lugares turísticos que enganam você

  1. Adorei o post! Ha alguns anos visitei o Castelo de Bran (O castelo do Conde Drácula) na Romenia.

    Apesar de ter ficado famoso como a residência do Drácula, não existe nenhuma evidência de que Bram Stoker, autor do livro Conde Dracula, soubesse nada sobre este castelo.

    A descrição de Stoker do castelo do Drácula também não tem nenhuma semelhança com o castelo de Bran.

    Enfim, a historia eh uma fraude, mas o castelo eh bem legal e merece a visita de quem estiver na Romenia. Escrevi sobre ele aqui: http://sabaticandoemdublin.com/visitando-os-castelos-da-romenia/

  2. Na Bolívia tem um parque que possui evidências de dinossauros que habitam a região há milhões de anos. Mas você só consegue ver com um binóculo beeeeeeeeem de longe.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *