Quais os preparativos para uma viagem à China?

Vai tirar umas férias na China? Aqui falamos sobre os vistos, aplicações que você deve instalar, VPNs, etc.

Todas as dicas aqui apresentadas são para o que se chama de “Mainland China”, que seria a maior parte do território chinês. Territórios como Macau e Hong Kong não exigem visto e nem possuem bloqueio de Internet. Taiwan exige visto e o procedimento é diferente. A região autônoma do Tibete exige, além dos procedimentos descritos aqui, uma autorização especial para visitar.

Em outro post falaremos sobre estes casos específicos. Agora, vamos aos preparativos para a “Mainland China”:

Visto

Brasileiros que pretendem viajar pela China a turismo precisam tirar um visto com antecedência. O procedimento é rápido e pode ser feito em qualquer consulado chinês, tanto no Brasil quanto no exterior.

Caso você pretenda conhecer apenas Pequim, poderá permanecer na cidade por até 144 horas sem visto, desde que chegue e saia por avião. Há alguns outros aeroportos e portos no país que também permitem esta entrada sem visto (o ideal é conferir com algum consulado chinês para não ter problemas, já que esta regra é nova).

Agora, se quiser viajar por outras regiões da China ou ficar mais tempo, o visto de turista é exigido para brasileiros. Ele custa 460 reais (ou 140 dólares, caso tire no exterior), tem validade de 5 anos e é de múltiplas entradas (cidadãos de outros países estão sujeitos a outras regras e valores). Este post conta mais detalhes sobre como foi para tirarmos o nosso visto e quais os documentos que nos foram exigidos:

VPN

Alguns sites são bloqueados na China, e infelizmente são os sites que mais usamos. Nada de Facebook, Google (e isso inclui Google Translate, Google Maps, GMail, YouTube e a fins), Instagram ou Whatsapp. Ferramentas da Apple não sofrem este bloqueio.

Para burlar este bloqueio, existem as VPNs. É importante que você instale e teste antes de chegar na China, pois lá não conseguirá instalar nada (já que os sites dessas VPNs e a Google Store também são bloqueados).

Há várias VPNs no mercado; algumas são gratuitas e outras não. Aqui listamos algumas:

  • Express VPN: é de longe a mais recomendada, mas é paga. Se você tiver disposto a gastar uma graninha para ter a internet funcionando, dizem que vale a pena. Nós não chegamos a testar. O preço das assinaturas gira na faixa dos 15 dólares mensais (dependendo do plano que escolher).

  • Master VPN: gratuita e funcionou razoavelmente bem enquanto viajamos pela China. O lado ruim é que só funciona em celular.

  • TurboVPN: outra gratuita que funcionou enquanto estávamos na China. Também só funciona para celular ou tablet.

  • Windscribe: gratuita (limitada a 10 GB por mês) e funciona também em computadores. Mas sofremos com ela na China, pois só funcionava por alguns segundos e caía.

O ideal é instalar várias delas para ter uma garantia. Quando uma cai, você usa a outra.

Há muitas outras VPNs no mercado. Só recomendamos dar uma lida nos comentários, pois algumas roubam dados do usuário ou instalam vírus no aparelho.

Não se preocupe que ninguém é preso ou deportado por usar VPN, mas é bom ter um plano B caso o governo bloqueie também as VPNs. Por isso, preste atenção em outros aplicativos que podem te salvar:

Mapas

Ter aplicativos de mapas na China é fundamental para não se perder. Aqui estão algumas ferramentas que usamos:

  • Google Maps: O Google Maps é bloqueado e infelizmente não permite baixar mapas para usar offline na China, mas com a VPN funciona muito bem. É capaz inclusive de traçar rotas de transporte público dentro das cidades com boa precisão (até nas cidades pequenas). Enquanto você tiver internet e VPN funcionando, esta é a melhor opção. Só não confie nas imagens de satélite do Google Maps na China, pois estão bem erradas.

  • Maps.Me: A grande vantagem do Maps.Me é que não é bloqueado e permite baixar os mapas para usar offline. Ou seja, se você não é daqueles que fica com a internet ligada 24h por dia, o Maps.Me será de grande ajuda. Lembre-se de baixar o mapa da China antes de chegar ao país.
    A desvantagem do Maps.Me é que não traça rotas de transporte público com muita eficiência, e alguns endereços estão com a localização incorreta.

  • Baidu Maps: Esta é a alternativa usada pelos chineses e a que de longe funciona melhor no país. Mostra os lugares com precisão, é capaz de traçar rotas de transporte público em qualquer cidade e dá até para chamar um táxi. A desvantagem é que está completamente em chinês. Nem mesmo os menus ou o nome das principais cidades está escrito com as nossas letras. Também não encontrei uma forma de baixar os mapas para usar offline.

Dizem que o aplicativo de mapa da Apple também funciona muito bem (não chegamos a testar pois não temos iPhone). O mapa do Bing e o OpenStreetMap também são boas opções que não sofrem bloqueio.

Tradutores

Ter um tradutor de chinês para português (ou inglês) é fundamental para viajar pela China, pois a maioria dos chineses não fala outro idioma. Infelizmente não encontramos nenhum que funcionasse 100% offline.

Aqui estão os que usamos (todas gratuitas):

  • Google Translate: recomendo baixar o pacote para uso offline, assim poderá usá-lo para traduzir textos escritos no celular sem precisar de internet. Se quiser traduzir imagens ou voz, terá que ligar a internet (e o VPN).

  • Baidu Translate: Ferramenta bastante usada pelos chineses. Não requer VPN (mas precisa de internet) e foi a que melhor funcionou para traduzir imagens. Sempre usávamos ela para traduzir os menus dos restaurantes. Os menus estão todos em chinês, mas é fácil de usar;

  • Dear Translate: Outra ferramenta bastante usada pelos chineses, foi a que melhor funcionou para nós para tradução de voz. A ferramenta é em inglês e permite baixar o pacote de idioma para traduzir textos offline.

Passagens de trem

O aplicativo China Trains é ótimo para pesquisar as passagens de trem. É possível comprá-las pelo aplicativo também, embora cobrem uma taxa de 5 dólares por compra.

O que fazíamos era pesquisar as passagens pelo aplicativo, anotar a data, o número do trem e o preço em um papel e ir comprá-la na estação. O atendente geralmente não falava inglês, mas com este papel ele conseguia entender qual passagem queríamos. Se for possível, peça para alguém escrever o nome do destino em chinês (embora normalmente o atendente entenda o destino escrito em caracteres ocidentais).

WeChat

O WeChat é o equivalente ao Whatsapp da China. Você não conseguirá usá-lo para se comunicar com seus amigos no Brasil (a menos que eles também instalem o WeChat), mas poderá trocar mensagens com os chineses. É bom para se comunicar com os hotéis, com as casas do AirBnb ou com os amigos que você fizer pelo caminho. A ferramenta já vem com um tradutor embutido.

Hospedagens

Booking.com, Agoda e Hoteis.com funcionam bem na China (tanto pelo aplicativo quanto pelo site). Só fique atento na descrição do hotel, pois alguns não têm autorização para aceitar estrangeiros. No Booking, por exemplo, esta informação já vem bem clara na página de busca mesmo, embaixo do preço do hotel: “Apenas cidadãos chineses”.

Na China você também pode usar o AirBnb sem problemas. Além de este tipo de hospedagem ser permitida para estrangeiros, é muito mais econômica que hotéis (pelo menos nas cidades grandes). Se você ainda não é usuário do AirBnb, aqui está um link para receber um desconto de 130 reais na primeira hospedagem:

Outros sites

Caso fique sem VPN, aqui estão outras ferramentas que podem te ajudar:

  • Bingo buscador Bing é liberado. Pode ser uma alternativa para o Google.

  • E-Mail – se você usa o Gmail, vale a pena fazer um e-mail no Outlook.com (ou algum outro site liberado na China) e passá-lo aos seus amigos, assim como ao seu banco ou aos colegas de trabalho. Só por via das dúvidas.

  • Wikipediaa Wikipedia é liberada na China. Se você é daqueles que gosta de ler sobre a história dos lugares por onde viaja, procure buscá-los diretamente neste site.

  • Sites de viagem – você pode sempre contar com sites como o Mochileiros.com e o Wiki Travel. E, claro, nosso blog também estará sempre aqui ajudá-lo, e livre do bloqueio chinês 🙂

Avise seu banco

Esta regra é válida para qualquer país do mundo, mas em uma viagem para a China sobretudo é importante avisar o gerente do seu banco e fazer os procedimentos para desbloquear seus cartões de crédito ou débito. Nada pior do que chegar ao destino e descobrir que não vai conseguir sacar nada de dinheiro…

É isso, pessoal!

Para mais dicas bacanas sobre a China e sobre o mundo, não deixem de nos acompanhar em nossas redes sociais:

2 comentários sobre “Quais os preparativos para uma viagem à China?

  1. Renan, vc informa de tudo realmente. Impressionante, e acho q deveria com essas suas máterias escrever um livro com todas essas dicas dos países q já passaram e ainda pasarão. Abraço

    1. Vamos ver se na volta para o Brasil eu me animo de escrever um livro nosso. Por enquanto deixo o trabalho de escritor nas mãos do Mucuvinha… heheh
      Abraço!

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