Mochilão pela Nicarágua – roteiro, gastos, dicas, fotos, etc

Com belas praias, inúmeros vulcões, um povo alegre e um custo de vida baixo, a Nicarágua é um país que cada vez atrai mais turistas. Que tal considerá-la para as próximas férias?

Câmbio oficial (maio/2017)

1 real = 9,35 córdobas
1 dólar = 29,80 córdobas

Os dois vulcões da ilha Ometepe, vista da Punta Jesús María
Ilha de Ometepe, Nicarágua

Nicarágua

Quem visita este país seguro, com povo animado e belas cidades coloniais, custa a acreditar que, até poucas décadas atrás, ele se encontrava em guerra civil.

A instabilidade política da Nicarágua começou logo após sua independência, em 1821. Essa independência, não muito organizada e sem a presença de um líder bem definido, fez com que o país entrasse em vários conflitos internos, e logo caiu na mão dos EUA. Daí pra frente, o Tio Sam sempre manteve a Nicarágua sob suas mãos, controlando o sistema bancário, ferroviário e enviando tropas para anular uma ou outra eleição quando o candidato vencedor não compartilhasse de seus interesses econômicos.

Na década de 1920 e 1930, algumas guerrilhas nacionais lutaram e conseguiram expulsar as tropas dos EUA do país. Dentre estes revolucionários estava César Sandino, que se tornaria um herói na América Central.

Estátua de Sandino em Manágua
Estátua de Sandino, o herói da Nicarágua

Neste cenário, Anastasio Somoza, líder da Guarda Nacional, armou um golpe para assumir o poder e assassinou Sandino. Isso deixaria os EUA tranquilos por enquanto.

Entre 1938 e 1976, a família Somoza controlou o país. Este domínio só foi derrubado quando as tropas revolucionárias da Frente Sandinista de Libertação Nacional derrotaram a Guarda Nacional e assumiram o controle político do país.

Com medo do avanço socialista na América, os Estados Unidos, na época liderado por Reagan, passaram a financiar o exército dos “Contra”, um grupo armado conservador nicaraguense.

Sem condições de manter outra guerra civil, os Sandinistas instauraram um regime democrático, e Daniel Ortega, seu candidato, ganhou aquela que seria a primeira eleição considerada livre e justa no país. Em 1990, a candidata da oposição, Violeta Chamorro, derrotou os sandinistas, e assim os conflitos finalmente acabaram.

Em 2011, Ortega ganharia novamente as eleições, trazendo o partido sandinista de volta ao poder. Reeleito em 2014, ele é o presidente até os dias atuais.

A influência da esquerda é bem visível pelas ruas do país, com várias homenagens a Che Guevara, Simón Bolívar, Hugo Chávez, Sandino e outros.

Estátua de Simón Bolivar em Manágua
Estátua de Simón Bolivar em Manágua

O canal da Nicarágua

Com o avanço da esquerda em um país estratégico, China e Rússia começaram a planejar a criação de seu próprio canal na Nicarágua, em concorrência ao Canal do Panamá, construído pelos EUA. O controle de uma rota marítima entre o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico seria de suma importância comercial e militar. Basicamente, a China entraria com o dinheiro e a Rússia com a segurança.

Difícil dizer se o canal será ou não construído, mas os protestos dos camponeses contra a sua criação estão entre as principais notícias do país.

Lugares que passamos

  • San Juan del Sur, a praia mais popular do país;
  • Ilha Ometepe, com sua beleza e cultura excepcionais;
  • Granada, uma bela cidade colonial conservadora;
  • Vulcão Masaya, onde é possível ver lava no interior de sua cratera;
  • Manágua, a bela capital que se ergueu das cinzas depois de ser destruída por um terremoto;
  • León, a cidade colonial capital da revolução;
  • Cânion de Somoto, uma joia ainda pouco conhecida no país.
Cânion de Somoto, Nicarágua
Nôs cruzando o Cânion de Somoto

Lugares que não visitamos, mas que merecem destaque

  • Corn Island, ou Isla del Maíz, em pleno caribe nicaraguense;
  • Rio San Francisco, na fronteira com a Costa Rica.

Aqui está nosso roteiro:

Mochilão pela Nicarágua
Nosso recorrido pela Nicarágua

Passamos apenas 23 dias na Nicarágua. Gostaríamos de ter ficado mais, mas infelizmente limitações do visto (explicamos mais abaixo) nos fizeram apertar um pouco o passo.

Estes são nossos números:

  • 23 dias
  • 1820,07 reais gastos*

Sobre os gastos*, ficou assim:

  • Hospedagem: R$ 457,39
  • Transporte: R$ 145
  • Mercado: R$ 543,63
  • Restaurante: R$ 377,18
  • Passeios: R$ 174,98
  • Taxas de entrada/saída: 32 dólares
  • Outros: R$ 18,89

*(todos os gastos são para o casal; para saber os gastos individuais, divida por 2).

A média diária* ficou:

  • Média: R$ 79,13/dia
  • Hospedagem: R$ 19,89/dia
  • Hospedagem (excluindo os dias que dormimos de graça): R$ 41,58/dia
  • Transporte: R$ 6,30/dia
  • Mercado: R$ 23,64/dia
  • Restaurante: R$ 16,40/dia
  • Passeios: R$ 7,61/dia
  • Outros: R$ 0,82/dia

*(todos os gastos são para o casal; para saber os gastos individuais, divida por 2).

Mochilão pela Nicarágua
Distribuição dos nossos gastos na Nicarágua

A distribuição das hospedagens foi assim:

  • Pagas: 11
  • Grátis: 12

Os locais onde dormimos foram:

(a noite faltante foi que dormimos em Honduras).

Talvez porque o turismo ainda esteja crescendo no país, tivemos bastante sucesso em conseguir hospedagens grátis em troca de fotos ou de divulgar o local em nosso blog. Isso nos ajudou muito a manter nossa média baixa. Também tivemos bastante apoio da Rede de Guias de Turismo da Nicarágua, que nos prestou com todas as informações necessárias para que pudéssemos escrever um post bem detalhado do país.

Mucuvinha na Catedral de León, Nicarágua
Mucuvinha em frente à Catedral de León, um monumento da UNESCO na Nicarágua

Preços

Apesar de ser um destino bastante procurado por norte-americanos e europeus, a Nicarágua é um país econômico para se viajar, caso use o transporte público local e busque as hospedagens mais baratas. Os destinos mais turísticos (como San Juan del Sur) costumam ser mais caros, mas ainda assim baratos se comparados ao Brasil.

  • Hospedagens: Em praticamente todas as cidades é possível encontrar hostels econômicos a partir de 5 dólares em um quarto compartilhado. Os hostels mais populares entre estrangeiros (com comodidades como atendente que fala inglês e convênio com agências de viagens) ficam na faixa de 8 a 10 dólares por pessoa.
    Nas cidades pequenas, um quarto privado para um casal fica a partir de 10 dólares. Nas cidades maiores e destinos mais turísticos, o preço começa em 15 dólares.
    Um quarto de casal em um hotel bom, com TV e ar condicionado, já sai a partir de 40 dólares.
  • Mercado: Os supermercados da Nicarágua são baratos. Itens de higiene, como desodorante e xampu, são bem baratos. Se estiver indo para a Costa Rica, vale a pena comprar tudo isso por aqui. Um desodorante aerosol de marca boa custa 50 córdobas.
    A comida também é barata: um pão de forma sai a partir de 30 córdobas. Um galão de água mineral (3,78L) custa 35 córdobas. A carne (frango, porco, vaca) fica na faixa de 120 córdobas o quilo.
    Os supermercados mais econômicos são os da rede Palí.
  • Transporte: Viajar de ônibus pela Nicarágua é barato. Os ônibus populares do país (chamados chicken bus) são antigos ônibus escolares dos EUA. Sempre usamos este meio de transporte (com exceção da viagem ManáguaLeón, que fizemos em van). Aqui está quanto gastamos (por pessoa):
    Fronteira Costa Rica – Rivas: 2 horas, 20 córdobas;
    Rivas – San Juan del Sur: 1 hora e meia, 20 córdobas;
    Rivas – Granada: 2 horas, 32 córdobas;
    GranadaManágua: 1h30min, 29 córdobas;
    ManáguaLeón (em van): 1h30min, 54 córdobas;
    León – Estelí: 3 horas, 80 córdobas;
    Estelí – Somoto: 2 horas, 35 córdobas;
    Somoto – Ocotal: 45 minutos, 16 córdobas;
    Ocotal – Fronteira Honduras: 40 minutos, 15 córdobas.
    O preço dos ônibus é exibido no pára-brisas, pelo lado de dentro. Uma boa dar uma conferida para evitar que cobrem mais caro. Se possível, dê a quantia exata. Se o troco for algumas moedas, provavelmente não te darão se você não pedir.
    Uma desculpa que alguns ônibus usam para explorar os turistas é querer cobrar a bagagem em separado. Isso costuma acontecer somente nas regiões mais turísticas. Geralmente cobram entre 10 e 20 córdobas por mochila.
  • Restaurantes: Comer na Nicarágua também é barato. É possível encontrar menus econômicos a partir de 45 córdobas. Se comer em um restaurante mais turístico, espere pagar algo entre 100 e 200 córdobas em um prato.
  • Bebidas: Beber cerveja na Nicarágua também é barato. Um litrão das marcas nacionais (as populares são a Toña e a Victoria) no bar sai entre 45 e 65 córdobas.
    Uma coca-cola de 350ml nos restaurantes geralmente fica entre 10 e 20 córdobas.
    Se gosta de beber rum, não deixe de provar o excelente Flor de Caña, produto nicaraguense e bastante premiado. A garrafa de 1 litro custa a partir de 190 córdobas.
Ônibus escolares – transporte típico da Nicarágua

Dinheiro

A moeda nacional da Nicarágua é o córdoba, mas o dólar é bem aceito. Os caixas eletrônicos, inclusive, emitem as duas moedas.

É bom ter córdobas para pagar os ônibus, táxis e supermercados. Os hotéis e restaurantes costumam aceitas as duas moedas (fazendo a conversão do preço pelo câmbio oficial). Não vimos casas de câmbio no país, mas há vários comércios que trocam dinheiro.

Se for sacar dinheiro nos caixas eletrônicos, o banco que cobra menos taxa é o BANPRO (1,50 dólares por saque; vale a pena sacar em grandes quantidades).

Vulcão Masaya - Nicarágua
Na cratera do vulcão Masaya, um dos destinos mais interessantes da Nicarágua

Água

Em teoria, a água da torneira na Nicarágua é própria para o consumo humano. Porém, como a água mineral é barata, pode valer a pena comprá-la para evitar uma possível dor de barriga.

Rede elétrica

As tomadas no país são no formato dos Estados Unidos, com dois pinos chatos. Em alguns lugares é possível encontrar tomadas com suporte a pinos redondos, mas são poucos. Bom levar um adaptador.

A rede é de 120V, 60Hz.

Carona

Viajar de carona na Nicarágua costuma ser fácil, principalmente em trechos curtos. Praticamente qualquer caminhonete vai aceitar te levar na caçamba. Às vezes a carona acontece sem nem mesmo você pedir.

Porém, como o preço dos ônibus é barato, pouca gente viaja desta forma pelo país.

Catedral de Granada, Nicarágua
Catedral de Granada, Nicarágua

Viajando de ônibus

Os ônibus comuns do país (chamados chicken bus, pois não é incomum ver pessoas entrando com galinhas) são baratos, porém não muito confortáveis. Também levam mais gente do que a quantidade de assentos, portanto prepare-se para viajar em pé de vez em quando.

As bagagens vão no teto ou em um espaço no fundo. Note que há uma porta de saída nos fundos, e muita gente desce por lá. Se sua mochila estiver aí, convém ficar de olho.

Se quiser algo mais confortável, praticamente todos os hostels oferecem serviço de shuttle. São bem mais caros, mas mais rápidos e confortáveis. Uma viagem de 1h fica na faixa de 10 dólares.

Gringos, nós?

Como a maioria dos turistas que visitam a Nicarágua é dos EUA ou da Europa, prepare-se para ser abordado em inglês várias vezes. Até mesmo alguns pedintes já aprenderam o idioma.

E às vezes não adianta dizer que não sabe falar inglês: eles vão insistir em conversar com você neste idioma. Se você não fala espanhol, isso é uma grande ajuda. Se não fala inglês, vai demorar um pouco pra se acostumar.

Macaco na Ilha de Omepete, Nicarágua
Um parente do Mucuvinha que encontramos em Ometepe

O povo

Como já é de praxe na América Central, o nicaraguense é um povo bastante simpático e animado. Quando descobrem que você é brasileiro, o assunto inevitavelmente cai no futebol.

Também nos chamou a atenção o quanto são prestativos: não é raro ver chegar um ônibus no terminal e o cara da pipoca começar a anunciar o destino, o menino da bicicleta ajudar a descer as mochilas, alguém te oferecer uma carona enquanto você está caminhando, etc. Diferente do que acontece em outros países, aqui o pessoal geralmente ajuda por ajudar mesmo, sem esperar nada em troca.

Drogas

Algumas poucas vezes chegamos a sentir cheiro de maconha nas ruas, mas é raro. Nunca vimos ninguém vendendo drogas nem falando do assunto. Pelas dúvidas, é melhor evitar.

Antiga catedral de Manágua, condenada pelo terremoto de 72.
Antiga catedral de Manágua, condenada pelo terremoto de 72.

Comida

A comida mais comum no país é o gallo pinto, que é basicamente arroz e feijão, geralmente acompanhado por uma carne e salada. Um pouco diferente do nosso, o feijão deles não costuma ter tanto caldo, mas sim os grãos mais durinhos.

E o gallo pinto pode ser servido no café-da-manhã, no almoço, na janta…

Nas ruas, para escapar um pouco do calor, uma comida típica é o raspado, basicamente gelo raspado, com uma cobertura de uma espécie de doce-de-leite ou suco de frutas. Come-se com colher.

O país também oferece uma boa quantidade de frutas e verduras, geralmente bem econômicas.

Comida típica em Altagracia, Ometepe
Comida típica da Nicarágua – apenas 60 córdobas

Idioma

No geral é fácil entender os nicaraguenses, quando estão falando em espanhol. O problema é que costumam misturar muito o inglês (principalmente quando estão falando com estrangeiros), geralmente com um sotaque bem complicado.

O ll e o y costumam ter som de “i”.

Esporte

Os esportes mais apreciados no país são o futebol e o beisebol. No caso do futebol, eles geralmente acompanham as ligas europeias.

Laguna Ojo de Água, em Ometepe, Nicarágua
Lagoa Ojo de Água, em Ometepe

Segurança

Consideramos a Nicarágua um dos países mais seguros dos que já visitamos até agora. Há que tomar cuidado com alguma malandragem nas zonas muito turísticas, mas nada que brasileiros já não estejam acostumados.

Mulheres viajando sozinhas estarão sujeitas a receber algumas cantadas na rua, mas não deverão ter maiores problemas.

Água fria

Por ser um país onde faz muito calor, poucos hotéis oferecem duchas com água quente. Para a maioria das pessoas isso é dispensável, mas se você faz questão é bom perguntar antes.

Belo pôr do sol em San Juan del Sur
Belo pôr do sol em San Juan del Sur

Imigração

Para quem entra/sai da Nicarágua por terra, é preciso pagar 13 dólares de taxa de entrada e 3 dólares de taxa de saída.

A permanência é de 90 dias para toda a zona do CA-4 (Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala). Ainda que você precise fazer imigração para passar de um país ao outro, o tempo de permanência não será estendido, a menos que você saia desta zona.

Higiene

Os padrões de higiene da Nicarágua são bem parecidos com os do Brasil. Comer na rua ou nos mercados pode dar dor de barriga em quem tem estômago mais fraco, mas nos restaurantes você não deverá ter problemas.

Plaza de la Revolución, Antiga Catedral e Palácio da Cultura em Manágua, Nicarágua
Na Plaza de la Revolución, com o Palácio da Cultura à direita e a antiga catedral à esquerda.

Trânsito

A mistura de carros, motos, bicicletas, carroças e inúmeros pedestres deixa o trânsito um pouco caótico em algumas zonas, mas nada de outro mundo. Alugar um carro por lá talvez não seja boa ideia, mas para quem gosta de caminhar não há grandes problemas.

Descontos

A prática de pedir descontos na Nicarágua não costuma dar muito resultado. É possível baixar o valor em tours se tiver um grupo grande ou se fechar algo em cima da hora, ou em hotéis se for ficar por vários dias, mas só.

O bom é que eles não costumam subir os preços para estrangeiros (com exceção de alguns ônibus).

Catedral de León, Nicarágua
No teto da Catedral de León

O que mais você precisa saber

  • Fique atento aos preços das frutas e verduras: é comum venderem por quilo, por libra (mais ou menos meio quilo) ou por unidade.
  • Também é comum darem os preços em dólares para turistas. Sempre confirme se estão falando de dólares ou córdobas antes de aceitar um serviço.
  • Pergunte o preço em várias agências antes de fechar um tour, e na baixa temporada procure fechar em cima da hora. Como o turismo no país ainda está engatinhando, várias vans saem com lugares sobrando. Se encontrar uma dessas, pode ter certeza que te oferecerão um bom desconto.
  • Na capital, procure usar o AirBnb que sai bem mais barato. Se nunca usou este sistema, pegue um desconto de 100 reais aqui.
Granada, Nicarágua

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