Ko Phangan, Tailândia – como roubaram nosso bangalô

Hospedar-se em um bangalô de frente para praia paradisíaca, pagando pouco e isolado da massa turística, curtindo o melhor que a natureza tem a oferecer, pode parecer um sonho. E é. Até que tentam invadi-lo às 4h da madrugada.

Já tínhamos escutado falar bastante sobre roubos a turistas nas praias paradisíacas da Tailândia. Histórias de batedores de carteira, assaltos a pessoas embriagadas ou arrombamentos em quartos de hotéis ou bangalôs infelizmente não são raros. Mas a gente nunca dá muita bola para esses rumores; afinal, tudo aparenta ser tão seguro e tão perfeito que uma situação destas parece muito distante da realidade.

Ko Phangan, Tailândia
Bangalô em Ko Phangan

Bom… nós, pelo menos, pensávamos assim, até que aconteceu conosco. Se tivéssemos o sono um pouquinho mais pesado, provavelmente não teríamos mais o computador que usamos para escrever esta postagem, nem a câmera fotográfica que nos ajuda a bancar parte da viagem, e nem nossa GoPro, que usamos para tentar engrenar nosso canal no YouTube. A estas horas, talvez estivéssemos dependendo da boa vontade da polícia tailandesa para nos deixar chegar até alguma embaixada, onde teríamos que providenciar passaportes novos, dinheiro de emergência e essas coisas.

Tudo aconteceu na noite do dia 18 para o dia 19 de agosto de 2018. Nesta noite ocorria a Half Moon Party, uma das grandes festas de Ko Phangan. Aparentemente, quando tem festa, os turistas saem para beber e os ladrões aproveitam para fazer a limpa nas hospedagens. Nossa sorte é que não somos mais festeiros.

Nosso bangalô era o Asia Blue Beach Resort, localizado na praia de Thong Sala, em uma área bastante tranquila e sem movimento.

O Asia Blue tem alguns tantos bangalôs espalhados perto da praia. O nosso ficava logo na entrada, ao lado da rua. De vizinhos tínhamos somente duas meninas portuguesas; os outros estavam vazios.

Ko Phangan
Nosso bangalô

Os bangalôs possuem uma porta de vidro, que pode ser facilmente arrombada, e algumas janelas de vidro sem proteção. Achamos isso estranho quando chegamos, mas imaginamos estar seguros. Afinal, se se importavam tão pouco com a segurança, é porque não deveria haver perigo.

E então, sem muita preocupação, trancamos a porta, fechamos as trancas da janela e fomos dormir. Se o quarto tivesse mosquiteiro, era possível até que deixássemos a janela aberta pela noite (as portuguesas deixavam aberta a delas).

Foi só de madrugada, pouco antes das 4h, que eu acordei com um pequeno ruído na janela. E foi sorte, pois eu costumo ter o sono bastante pesado. Também foi sorte eu ter me virado para ver o que era, pois geralmente não dou muita importância quando escuto algo (a Tailândia é cheia de gatos, ratos e cachorros, e eles vivem fazendo barulho de madrugada).

Mas eu vi a tempo: um braço, por trás da cortina, tentando alcançar nossos eletrônicos. Desconfiamos até que o ladrão já conhecia a hospedagem, pois aparentemente sabia que as tomadas ficavam bem ao lado da porta. Ali estavam, para carregar, nosso computador, nosso tablet e a Go Pro. Um pouco mais para a frente estava nossa mochila com os documentos (lembrete de segurança: nunca deixe essas coisas perto da janela!).

Quando vi isso, saltei da cama, acordando a Michele. O ladrão, assustado com o barulho, correu. Tentei ir atrás dele, mas me atrapalhei com a tranca da porta e perdi tempo. Depois de refletir, acho que foi melhor assim. Por estas ilhas rolam histórias de turistas que se “suicidaram” com três facadas nas costas e coisas do tipo. Melhor não se arriscar.

Não sabemos como ele abriu a janela, embora achamos que não foi difícil. Há um vão suficientemente grande para enfiar um pedaço de arame, e desta forma se pode abrir as duas trancas sem grandes dificuldades. Não havia cadeado nem nada para reforçar a segurança.

Colocamos umas latinhas na janela para fazer barulho caso ele voltasse. Tentamos dormir, mas não pegamos no sono antes do dia clarear.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Quando amanheceu, fomos avisar o pessoal da recepção sobre o que havia acontecido. Ninguém fez cara de surpreso e ninguém de fato se importou. Explicaram, com a maior naturalidade, que foi por conta da Half Moon Party. Como se, durante as festas, fosse um direito dos ladrões roubar os turistas. Mais tarde, voltaram e nos ofereceram um quarto melhor pelo mesmo preço. Este novo quarto pelo menos ficava mais protegido.

Na hora da mudança, percebemos que nossa carteira havia desaparecido. Achávamos que o ladrão não tinha tido tempo de roubar nada, mas ele conseguiu levar nosso dinheiro e nossos cartões de crédito. Avisamos na recepção, mas novamente não deram muita importância. Voltamos para o quarto e vasculhamos todos os cantos: embaixo das camas, dentro das mochilas, e nada. 100% seguros de que havíamos sido de fato roubados, voltamos na recepção e pedimos para chamarem a polícia. Aí que aconteceu algo engraçado: nossa carteira magicamente apareceu. A atendente pediu licença, foi até sei lá onde e voltou com a carteira nas mãos (o dinheiro dentro dela, cerca de 5 mil bahts, havia desaparecido). Disse que o jardineiro a havia encontrado jogada no mato. História bem estranha esta. Mas, pelo menos, recuperamos nossos cartões e nossos documentos.

A polícia mesmo só serve para ser usada como ameaça, pois na prática não faz nada. E ainda querem cobrar 200 baths para abrir um B.O. Desta forma é fácil manter baixas as estatísticas de roubos na ilha.

Enfim, se vier para as ilhas da Tailândia, principalmente durante as festas, procure uma hospedagem segura, de preferência em um hotel que tenha recepção 24 horas, e cuidado até mesmo com o pessoal que trabalha lá. Se possível, hospede-se em algum lugar que tenha box de segurança, e se possível tranque-o com um cadeado particular, e não com o que eles fornecem. E lembre-se de deixar todos os seus bens longe da janela (isso pelo menos vai dificultar um pouco a vida do ladrão). Os bangalôs podem parecer incríveis, mas infelizmente deixam a desejar na segurança.

Aqui fizemos um vídeo mostrando como é o nosso bangalô e como o ladrão fez para nos roubar:

É isso, pessoal!

Para ajudar na segurança, escrevemos também este outro post:

Para mais dicas bacanas, acompanhem-nos por nossas redes sociais:

2 comentários sobre “Ko Phangan, Tailândia – como roubaram nosso bangalô

    1. Pois olha, tudo parecia tão seguro que vacilamos mesmo! Mas foi um bom alerta. Felizmente não aconteceu nada de mais grave. O dinheiro a gente recupera 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *