Golpes na Tailândia – dicas para você se cuidar

A Tailândia – e principalmente Bangkok – é um lugar lindo, mas tem muita gente tentando se aproveitar dos turistas. Aqui listamos os principais golpes para você se cuidar!

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que o objetivo deste post é orientar, e não assustar. A Tailândia é um país muito seguro, e as chances de você sofrer um assalto por aqui são muito menores do que no Brasil, por exemplo (aqui caminhamos tranquilamente com a câmera pendurada no pescoço, coisa que jamais faríamos em São Paulo). Mas, por ser um destino extremamente turístico, há uma infinidade de golpistas tentando tirar vantagem dos visitantes. E o pior é que os golpes são tão bem feitos que muitos acabam nem se dando conta de que caíram em um.

Todas as dicas aqui servem para qualquer lugar do mundo, mas vamos nos focar nos golpes que são mais comuns na Tailândia.

O bom samaritano

Os tailandeses são simpáticos, hospitaleiros e gostam de ajudar, mas é muito pouco provável que um vá andar na rua com o único objetivo de sair ajudando os turistas. Se alguém bem vestido te abordar do nada, perguntando de onde você é e dizendo que tem um parente morando em São Paulo ou falando que torce para o Brasil (ou seja lá qual for o seu país), provavelmente é golpe. Se a pessoa começar a dar dicas de lugares incríveis para visitar, sua atenção deve ser redobrada. Se a pessoa falar em “feriado do Buda”, despeça-se e vá embora. Ele provavelmente tentará te aplicar um dos golpes a seguir.

Para não correr o risco de ser rude com uma pessoa bem intencionada, recomendamos dar sempre o benefício da dúvida e ser simpático, principalmente se você estiver em uma zona remota e menos turística (aí é bem provável que um estrangeiro realmente desperte a curiosidade nas pessoas). Mas, se estiver em uma zona turística de Bangkok, onde há estrangeiros por todos os lados, as chances de ter golpistas disfarçados de bons samaritanos é grande.

O tuk tuk barato

Este é clássico em Bangkok: os tuk tuks oferecem tours de várias horas pela cidade por apenas 20 baht (isso é, menos de 3 reais). É golpe, e nem perca tempo com eles. Se aceitar este tour, irá apenas a lugares pouco interessantes, e eles passarão o dia todo tentando te arrastar para lojas caras, restaurantes com menus superfaturados ou agências de turismo exploradoras. Não preciso nem dizer que eles ganham comissão se você gastar nestes lugares (e, se você se recusar a comprar, é bem provável que te ofendam ou te larguem pelo caminho).

Se quiser fazer um passeio, já saia com um roteiro definido e vá contratando táxis ou tuk tuks para te levar a cada destino específico. Se tentarem te enrolar, pegue outro. Ou, melhor ainda, procure andar de ônibus: é mais barato e mais seguro.

Leia aqui nosso post ensinando a andar desta forma:

Golpes na Tailândia
Tuk tuk extremamente barato – tour por vários lugares por apenas 20 baht (2 reais).

O templo fechado

Um dos mais comuns: você pede a um táxi ou tuk tuk que te leve a um templo específico e ele te diz que este templo está fechado (seja para reformas ou porque justo hoje é algum feriado específico). Se isso acontecer, agradeça e procure outro motorista.

Este golpe é simples: vão dizer que o local está fechado e vão se oferecer a levar a algum outro “tão bonito quanto”. O problema é que este outro não é “tão bonito quanto”, e provavelmente tenha uma entrada ainda mais cara. Tudo faz parte do esquema: o cara recebe uma fatia da entrada.

Aí você pergunta: “nossa, mas um templo budista faz parte do esquema?”

Infelizmente acontece. Da mesma forma que existem igrejas, padres e pastores cristãos mal intencionados, existem também budistas pilantras. E neste templo, como que por coincidência, você encontrará alguém dizendo que há uma promoção não sei onde ou uma super festa com entrada grátis somente hoje. Acreditando ter tido muita sorte, você corre para o seu tuk tuk e pede para te levarem lá, onde um novo golpe te espera.

O feriado do Buda

Não sei quantas vezes já nos abordaram dizendo: “sabia que hoje é feriado do Buda?”. E, com isso, dizem que há um templo específico ou um evento em algum lugar com cerveja grátis, lutas de Muay Thai e tudo mais. Esta pessoa vai se apresentar como professor, engenheiro, executivo ou seja lá o que for. Mas ela, com todo o bom coração, vai se oferecer para arranjar um tuk tuk que te leve até o local do evento. Se você aceitar, ela te entregará nas mãos de algum motorista que tentará aplicar golpes em você.

A desculpa do “feriado do Buda” serve também para justificar que alguns templos estejam fechados.

Golpes na Tailândia
Motorista de tuk tuk nos mostrando onde há um templo aberto “só hoje” por conta do feriado do Buda

O hotel que fechou

O esquema de reservas online dificultou bastante esse tipo de golpe, mas ele ainda pode acontecer. Você pede a um taxista ou tuk tuk para te levar a um hotel específico, mas ele diz que este hotel fechou e se oferece a levar a algum outro, tão bom quanto e mais barato. O novo hotel não vai ser bom e nem barato, e ele ganhará uma comissão pela sua hospedagem.

A oficina de turismo

Este é outro golpe clássico: o golpista vai dizer que o lugar mais barato para comprar passagens de trem ou ônibus, ou contratar tours, é no centro de informações turísticas oficial do governo. Também é comum que se ofereçam a te levar lá de graça para pegar mapa e outras coisas.

Realmente há muitos centros de informações turísticas oficiais na Tailândia que dão mapas e informações grátis, mas estes lugares não vendem passagens nem tours. O cara vai é te levar a alguma agência que tem uma placa falsa na frente dizendo “tourist information”, “tourist office” ou algo do tipo. Se comprar aí, na melhor das hipóteses pagará apenas mais caro pelo serviço. Na pior das hipóteses comprará um serviço que nem existe.

Joias valiosas

A Tailândia não é um destino para comprar pedras preciosas. Você pode comprar uma bijuteria ou uma joia que achou bonita, mas, a menos que você seja um especialista, nunca compre uma joia pensando que fará um grande negócio revendendo-a no Brasil. Não importa que te digam que o diamante da Tailândia é o mais valioso do mundo ou que o ouro aqui está 10 vezes mais barato do que nos outros países. É golpe, e a joalheria e o condutor dividirão os lucros que tiverem com você.

É comum, para reforçar o golpe, que bem na hora que você chega, haja algum cliente com cara de entendido negociando por 200 dólares uma joia que supostamente vale 1000 dólares. Seja lá qual for a desculpa, a joia acabará sendo oferecida a você por 150 dólares. Se comprar, levará para casa uma bijuteria que não vale nem 50 reais.

Quer pagar quanto?

Parece propaganda das Casas Bahia, mas é muito comum em todo o sudeste asiático. Você pergunta o preço de um produto ou serviço, e dizem que é 100 reais. Você recusa e a pessoa corre atrás de você perguntando: “ok, quanto quer pagar?”. Como bom negociador, você chuta metade do preço. A pessoa chia, fala que não tem como, mas no fim acaba te vendendo por 50 reais. E você sai feliz, levando um produto que na verdade não vale nem 10 reais.

Táxi sem taxímetro

Em Bangkok, todos os táxis devem usar taxímetro, e o valor cobrado é justo (às vezes menor do que os do tuk tuk). O problema é que, para estrangeiros, o motorista raramente liga o taxímetro, e tenta fazer um valor fechado no final (que custará pelo menos o dobro). Sempre que entrar em um táxi, fale “meter, please”. Se o motorista se recusar a ligar, desça e pegue outro.

Reservar o lugar no trem

Viajar de trem na Tailândia é barato e confortável, mas você deve comprar as passagens no guichê na própria estação ferroviária.

Um golpe muito comum é, enquanto você estiver na fila, alguém aparecer, possivelmente se apresentar como um funcionário do governo, e perguntar se você não quer reservar os lugares no trem. Nisso, ele te levará para uma agência de turismo. Nesta agência, te oferecerão as passagens pelo preço oficial, e você pensará: “ufa, não é golpe”. Mas, na hora de fechar o negócio, o vendedor vai dizer: “putz, o trem já está lotado!” e te oferecerá uma passagem de ônibus ou van, que com certeza custará bem mais caro que o trem.

Poker, Black Jack e a fins

Se você estiver fazendo um “city tour” com os motoristas de tuk tuk, é bem possível que acabe indo parar em uma mesa de baralho ou sinuca. Aí você será convidado para jogar e se surpreenderá em como eles jogam mal. Então alguém dará a ideia de jogar apostando dinheiro, e você descobrirá que o único que joga mal ali é você.

Roupas adequadas

Quando for visitar um templo ou lugar turístico, pesquise sobre qual é a vestimenta correta para o local, e se eles não emprestam ou alugam saias ou calças. Geralmente é exigido que os ombros estejam cobertos (ou seja, nada de regatas) e que a sua bermuda ou saia vá até o joelho pelo menos.

Um golpe comum é ficarem pessoas na frente destes lugares vendendo calças compridas por um valor que é 10 vezes mais caro do que realmente valem. Quando você chega, virão te informar que você não pode entrar do jeito que está vestido e te farão comprar uma calça ou uma saia. Aí você compra para não perder a viagem, e lá dentro descobre que o templo fornecia uma saia gratuitamente, ou que não havia problema em entrar de shorts.

Só compre alguma coisa se a sua entrada for impedida por um funcionário do local devidamente identificado.

O terno barato

Bangkok tem muitas lojas que vendem ternos de qualidade e baratos, geralmente sob medida. Pode ser um bom lugar para você renovar o seu guarda-roupas, mas procure lugares que tenham boas referências no TripAdvisor. Não vá no conselho do seu motorista de tuk tuk e nem do pessoal que oferece na rua. E não se sinta na obrigação de comprar só porque o vendedor te ofereceu uma cerveja grátis.

Bangkok pode ser um bom lugar para comprar ternos, mas é bom pesquisar bem

O troco devagar

Um negócio chato da Tailândia é o fato de que as notas máximas são de 1000 bahts (que valem um pouco mais que 100 reais), e os caixas eletrônicos adoram entregá-las. Como são difíceis de trocar, você tentará gastá-las sempre que possível para ter dinheiro trocado.

O problema é que, se você não estiver familiarizado com as notas, é bem possível que te entreguem troco a menos. Você faz uma compra de 100 baths, paga com 1000 e a pessoa, em vez de te devolver 900, coloca uma nota de 50 e quatro notas de 100 no balcão. Se você não prestar atenção, pegará aquele dinheiro e irá embora, confundindo a nota de 50 com 500. Se você começar a contar ou esperar, o vendedor naturalmente pegará mais dinheiro e te entregará, de uma maneira tão sutil que você nem vai desconfiar.

Este golpe é comum em muitos lugares, inclusive lojas de conveniência e supermercados de marcas grandes. E, dependendo da quantidade de dinheiro que você costuma ter na carteira, possivelmente nunca se dará conta.

 

É isso, pessoal! Estes são os golpes mais comuns aplicados na Tailândia, principalmente em Bangkok. Reforço que não é preciso ficar paranoico, mas apenas alerta o tempo todo. Se a oferta parecer boa demais para ser verdade, provavelmente não é verdade. Se te derem algum sinal de urgência (só hoje, só agora, última peça), ignore. Se alguém for simpático ou bonzinho demais, fique atento. Se sentir que está caindo em um golpe, educadamente invente uma desculpa para se afastar. É pouco provável que o golpista parta para a violência, mas no país do Muay Thai é bom evitar briga.

O que faz esses golpes funcionarem é o fato de envolverem muitas pessoas, mas que não parecem estarem conectadas entre si. Se o motorista do tuk tuk disser que tal loja está com 90% de desconto só hoje, é bem possível que, quando fizer uma parada no caminho para você comer ou para visitar um templo, alguém confirme essa informação. Não é raro alguém perguntar: “de onde você é?” e, quando você responder “Brasil”, um cara de terno que estava passando ali “por acaso” falar: “Brasil? Meu filho foi estudar lá!”. Tudo parece uma grande coincidência, mas acredite – não é. Para complicar, os caras são mestres na arte de atuar. Acho que nunca vimos tão bons atores quanto estes golpistas da Tailândia.

Sabendo disso tudo, cuide-se e aproveite ao máximo este país maravilhoso!

**************** NOTA *****************
Apesar de todos os cuidados, fomos roubados na ilha de Ko Phangan em outro crime muito comum. Escrevemos este post contando como foi:

E, para mais dicas de Bangkok, leia nosso post completo sobre a cidade:

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5 comentários sobre “Golpes na Tailândia – dicas para você se cuidar

  1. Eita Renan, que legal o post e gostaria de saber como vcs ficaram afiados em não levar golpes e identificar os mesmos. Parabéns pelas postagens, escreve e relata muito bem como sempre. Abraço

    1. Obrigado Gilmar!
      Pois olha, acho que a grande vantagem que temos é que viajamos com tempo. Nunca estamos com pressa, aí temos tempo para parar e pensar nas propostas. Muita gente cai porque às vezes tem só 1 ou 2 dias para conhecer o lugar, aí acaba fazendo as coisas com pressa e aceita qualquer oferta.
      Mas já caímos em alguns golpes pelo caminho. Na Costa Rica, um cambista com a calculadora adulterada nos roubou 30 dólares no câmbio. Tudo isso vai servindo de experiência! 🙂
      Abraço!!

      1. Verdade Renan, me lembro deste golpe e ainda bem que foram poucos e o melhor que agora vai ser impossível vcs caírem em algum outro. Obrigado pela atenção de sempre u um abração ao lindo trio

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