Cruzando a fronteira Colômbia – Venezuela por Cúcuta – nossa trajetória até Mérida!

Por mais que a sua documentação esteja toda correta, cruzar uma fronteira sempre dá um frio na barriga. Em se tratando da Venezuela, então, esse receio triplica: escutamos falar tão mal do país que quase o tiramos do nosso roteiro. Aqui contamos como foi a nossa travessia!

Câmbio oficial – Colômbia (novembro/2016)
1 real = 900 pesos colombianos
1 dólar = 2900 pesos colombianos

Câmbio negro – Venezuela (fim de novembro/2016)*
1 real = 700 bolívares
1 dólar = 2800 bolívares

*A inflação e a desvalorização da moeda venezuelana é quase diário. Para saber como está o câmbio negro na Venezuela agora, acesse o site www.dolartoday.com.

Na Venezuela, o câmbio oficial (se usar cartão de crédito por lá, por exemplo) vale em torno de 1/4 do câmbio negro.

Atravessar esta fronteira foi uma aventura – principalmente porque quase não há informações na internet de outros viajantes que a cruzaram recentemente, e os poucos depoimentos de mochileiros que viajaram por ali são desencontrados e controversos. O problema é que ela esteve fechada por bastante tempo, e foi reaberta somente em agosto/2016.

Quando conversávamos com alguém sobre nossa ideia de ir para a Venezuela, 9 em cada 10 pessoas nos recomendavam a não ir. Mesmo assim, resolvemos tentar a sorte!

Cúcuta

Cúcuta é a última cidade colombiana antes da fronteira. Há uma rodoviária (com ônibus a Bogotá e outras cidades no caminho), e entre ela e a praça Santander se encontram vários hotéis econômicos. Ficamos em um chamado Camila a uma quadra da rodoviária, que nos custou 35 mil por um quarto de casal.

Cúcuta é uma cidade típica de fronteira: caótica, com diversas lojas que vendem produtos bem econômicos (muitos deles falsificados) e gente para tudo que é lado. Apesar do caos, não nos pareceu perigosa. Vale a pena ficar um dia por aqui para comprar alguns produtos para levar para a Venezuela e trocar dinheiro. Nos arredores do parque Santander há diversas casas de câmbio que compram e vendem dólares, euros e bolívares fuertes (dinheiro da Venezuela).

Fizemos um saque de 300 mil pesos colombianos e trocamos por 230.800 bolívares fuertes (saímos da casa de câmbio com um saco de dinheiro, pois a maior nota de dinheiro venezuelano é de 100 bolívares!).

Mucuvinha ostentando com tanto dinheiro!
Mucuvinha ostentando com tanto dinheiro!

A fronteira

Para chegar até a fronteira, pegamos um ônibus de linha que sai do lado de fora do terminal (são indicados como “La Parada”) e nos custou 1600 pesos para cada um.

O trajeto até a fronteira demorou cerca de 30 minutos e nos deixou ao lado da ponte. Durante a viagem, falamos com duas venezuelanas que nos disseram: “escondam bem seu dinheiro, pois a polícia da imigração vai revistar vocês e roubar tudo o que encontrar”. Se já estávamos tensos, imagine agora. Como esconder todo aquele dinheiro? Enfiamos os poucos dólares que tínhamos em nossas meias, mas deixamos os bolívares na mochila mesmo.

Desde onde o ônibus nos deixou, seguimos caminhando pela ponte. O movimento era grande, de gente indo e vindo com mercadorias, pessoas comprando cabelo, oferecendo carrinho para levar as mercadorias, etc. Do lado esquerdo encontramos o escritório de imigração da Colômbia, onde havia uma fila grande. A entrada e a saída era feita pela mesma fila. Fomos para lá e demoramos quase meia-hora para sermos atendidos. Carimbaram nossa saída e nos entregaram o cartão de imigração para apresentarmos no lado venezuelano.

Atravessando a fronteira por Cúcuta
Atravessando a fronteira por Cúcuta

Percebemos que, para quem quisesse entrar na Colômbia, era exigido uma passagem de ônibus saindo de Cúcuta. Se estiver entrando por aí, fique esperto com isso.

Saímos da imigração e atravessamos a ponte caminhando. No caminho havia uma barreira da polícia colombiana, que parava algumas pessoas aleatoriamente. Nos viram passando com as mochilas e nem deram importância. O alvo deles não é mochileiros.

Do outro lado da ponte encontramos a imigração venezuelana do lado direito (cuidado para não passar direto). Entramos lá e fomos diretamente atendidos. Entregamos nossas identidades e nos deram um papel para preenchermos. Preenchido, o agente carimbou nossa entrada e devolveu nossos documentos. Tudo certo: sem fazer perguntas, sem pedir propina, sem encheção de saco. Foi bem mais fácil do que imaginamos!

Depois da imigração havia outra barreira com dois policiais venezuelanos. Passamos com nossas mochilas e eles nem olharam para nossa cara. Finalmente estávamos na Venezuela!

Da fronteira até Mérida

Do outro lado da ponte está a pequena cidade de San Antonio de Tachira. Ali não há nada para fazer, e você deve seguir diretamente para San Cristóbal.

A opção mais barata para ir é em ônibus: 700 bolívares. O problema é que a rodoviária fica longe, e os ônibus entre a fronteira e a rodoviária são lotados. A outra opção é pegar um dos inúmeros táxis coletivos que fazem a conexão entre as duas cidades. Custam 2000 por pessoa (3 reais) para uma viagem de quase 2 horas. Pela segurança e comodidade, optamos por um destes! Procure algum que já esteja cheio, para não ter que ficar esperando encher.

Fomos nós com mais dois venezuelanos, um rapaz e uma moça. Tanto eles quanto o motorista eram muito simpáticos, e fomos o trajeto inteiro falando besteira. A primeira impressão do país já foi excelente!

No caminho, um trânsito gigante e uma parada policial. Pediram os documentos de todos e nos liberaram sem problemas. Depois, outra parada policial (esta de polícia de trânsito). Nos pararam porque o rapaz que ia na frente estava sem cinto de segurança (atrás não precisa).

O motorista foi multado: 500 bolívares (menos de 1 real). Difícil acreditar!

Chegamos a San Cristóbal por volta das 17h, e descemos ao lado do terminal de ônibus. O pessoal que veio no táxi conosco ainda nos ajudou a encontrar um hotel por ali. Nos levaram a um hotel razoavelmente chique – provavelmente não entraríamos ali se estivéssemos sozinhos. Subi para perguntar o preço e quase caio para trás: 8000 bolívares (12 reais) por um quarto matrimonial, com banheiro privado, tv, ar condicionado, wi-fi e ducha com água quente!

Dali, saímos para almoçar. Encontramos um bar onde vendia menus. Compramos um prato com frango e outro com carne, tomamos duas cervejas e a conta ficou em 9 reais.

Nossa primeira refeição venezuelana
Nossa primeira refeição venezuelana

Voltamos para o hotel e saímos para jantar por volta das 22h. Só encontramos um boteco que vendia frango assado e fomos comer lá. Pedimos meio frango (6500), que veio com mandioca. O rapaz ofereceu uma salada e aceitamos. Depois veio a surpresa: apesar de vir junto com a mandioca, ela era cobrada separada. A salada também. Essa janta nos custou 20 reais, provavelmente uma das jantas mais caras da nossa viagem. Tomem cuidado!

No dia seguinte, deixamos o hotel e fomos até a rodoviária pegar o ônibus para Mérida. Escutamos muito sobre a escassez de transporte na Venezuela, mas não demoramos nem 10 minutos para conseguir um ônibus, que saiu em 20 minutos. A passagem custou 2500 para cada um (algo como 4 reais) para uma viagem que durou 6 horas. Passamos por várias paradas policiais no caminho, mas nenhuma nos parou.

Nosso ônibus para Mérida
Nosso ônibus para Mérida

Chegamos a Mérida pelo fim da tarde, pegamos um táxi para o hotel (1100 bolívares por um trajeto de 6km). Assim terminamos nossa travessia até a Venezuela!

Não deixem de acompanhar como foi nossa viagem por este país, curtindo nossa página no face:
www.facebook.com/mundosemfimoficial

11 comentários sobre “Cruzando a fronteira Colômbia – Venezuela por Cúcuta – nossa trajetória até Mérida!

  1. Karaka, impressionado com esses valores!!

    Finalmente marquei meu primeiro mochilão, vou para o Chile -> Argentina -> Uruguai, e vou te contar, não paro de ler os relatos de vocês, está me ajudando muito!

    Tudo de bom pra vocês!

    Abraço.

    1. Realmente, nos disseram que era barato, mas não imaginávamos que era tanto assim!!

      Que legal rapaz, estes três países são muito legais, vai curtir bastante. Ficamos felizes que nossos relatos estejam ajudando, e no que tiver de dúvidas, só perguntar! 🙂

      Abraço!!

        1. Olá Emily! Para qual lugar vocês querem ir? Mérida?
          Nós começamos nossa viagem faz muito tempo, e estamos cruzando tudo por terra.
          Se quiserem ir para as praias venezuelanas, o ideal é pegar um voo para Caracas e de lá seguir de ônibus (pode ir até Mérida assim).
          Se as passagens estiverem muito caras, outra opção é voar para Boa Vista, pegar um táxi até a fronteira e seguir o país de ônibus, aproveitando as belezas que tem pelo caminho!

          1. Renan, penso em ir de Caracas para Bogotá de ônibus. Li alguns relatos de que a fronteiras entre os dois países é perigosa em função das guerrilhas Colombianas. O que você diz?

          2. Olá Cristiane,
            Pode ir tranquila. Nós fomos por esta fronteira e voltamos pela outra, tudo de ônibus. Bem tranquilo!! As guerrilhas já não estão mais se metendo com turistas e as estradas já estão controladas pelo exército.
            Boa viagem!!

  2. Muuuuuito Top e explicativo os post de vocês, seguindo até o fim do mundo kkk.
    Estou despertando uma imensa vontade de um mochilao de fim de ano para ano que vem e acredito que achei o destino. #seguindoseusrastros
    Parabéns e eita macaquinho Rico heim!!!!

    1. Opa, valeu Marcelo!

      Pode ir tranquilo que qualquer país que você escolher da América do Sul é impressionante. A Venezuela ainda se destaca pelo fato de ser muito barato! No que precisar de dicas, só perguntar!

      P.S.: Essa grana do Mucuvinha já foi toda em uma semana! 😀

  3. Kkkkkk eita Mucuvinha Danado. Kkkkkk aproveitem, se tiver afim add aí (73)9 9818 0510 Zap… Trocar umas idéias. Abraço e que Deus lhes acompanhe sempre!!!

    1. Opa! Estamos sem whats, pq depois de tanto tempo sem colocar crédito acabamos perdendo nosso número. Mas qualquer coisa me add no face. Sou o único Renan Greinert por lá 🙂

      Abraços!!

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