Conhecendo Bagan – o destino mais popular do Mianmar

Quando se fala em Mianmar, a primeira imagem que vem na cabeça de muitas pessoas é Bagan, com seus inúmeros templos que despontam em meio às árvores, tudo isso acompanhado por centenas de balões que cobrem o céu. Nós fomos até lá, e aqui mostramos para vocês como é!

Câmbio oficial (out/2018)
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Sítio arqueológico de Bagan
Sítio arqueológico de Bagan

Uma tradição antiga do Mianmar fazia com que sua capital fosse trocada a cada novo reinado. Por isso é muito comum, para aqueles que visitam o país, escutarem em diversos lugares diferentes a frase: “esta cidade foi a capital do Mianmar no passado”.

Bagan foi uma dessas capitais. Durante seu auge, que ocorreu entre os séculos XII e XIII, a cidade se tornou um dos mais importantes centros cosmopolitas de estudos budistas, atraindo monges e estudantes de regiões vizinhas, como Sri Lanka, Índia, Reino de Sião (atual Tailândia) e Império Khmer (atual Camboja). Neste auge, milhares de templos e pagodes, dos mais diversos tipos e tamanhos, foram erguidos. Hoje estima-se que existam pouco mais de 3 mil que resistiram ao tempo.

O declínio de Bagan veio em 1287, quando a cidade foi invadida e saqueada pelo exército mongol. O rei e muitos habitantes abandonaram a cidade, mas ela continuou sendo um importante centro de estudos budistas.

Por que Bagan não é UNESCO?

Por mais impressionante que possa parecer, o sítio arqueológico de Bagan não é reconhecido pela UNESCO. Isso porque a junta militar que governava o país restaurou as ruínas sem respeitar as regras de arquitetura do passado. Ou seja: o que se vê hoje não é uma reprodução do que Bagan era antigamente, mas sim uma réplica mal feita usando materiais modernos. Não é raro você entrar em um templo que parece ter saído do filme Indiana Jones e se deparar com uma estátua do Buda feita de gesso e pintada com tinta acrílica.

Além disso, permitiram a construção de um campo de golfe, hotéis de luxo, estradas e uma torre de observação dentro do sítio arqueológico.

Nós visitamos bem em uma época que estava rolando uma reforma geral e ficamos bem decepcionados. Praticamente todos os templos importantes estavam rodeados por andaimes, e o acesso para os turistas estava bem restrito (ou seja, nada de subir para ver nascer ou pôr do sol). Não sabemos se após as reformas vão liberar o acesso de novo ou não.

pya that gyi, Bagan
Estátua no interior do templo de Pya That Gyi, em Bagan

Como chegar?

A cidade usada como base para conhecer as ruínas de Bagan é Nyaung-U, que está a cerca de 10 quilômetros do sítio arqueológico.

Nyaung-U possui um aeroporto, estação de trem e rodoviária que conectam com praticamente todo o restante do país. Os ônibus de/para os destinos mais famosos são: Mandalay (9 mil quiates, 5 horas), Yangon (15 mil, 9 horas) e Kalaw/Inle Lake (12 mil, 6 horas).

A estação de ônibus está perto da estação de trem, a uns 7 quilômetros da cidade. Um táxi de lá para o centro tem valor tabelado de 6 mil quiates. Uma moto sai por 2 mil. Não existe transporte público. Se for viajar de ônibus, vale a pena negociar um transfer para te buscar no hotel (geralmente se consegue isso de graça, mas tem que pedir).

Hospedagem

Encontramos hospedagens em Nyaung-U a partir de 13 dólares em um quarto de casal. Vale a pena consultar o Booking, Hoteis.com e o Agoda, pois o preço às vezes varia bastante de um para o outro.

A cidade em si não tem muita coisa, por isso não há exatamente uma região melhor ou pior para se hospedar. Os restaurantes mais turísticos e com pratos ocidentais se concentram na rua Thi Ri Pyitsaya 4st. Se você gosta de sair a pé para comer e não se dá muito bem com a comida do Mianmar, pode considerar se hospedar perto dessa rua.

Dhammayangyi, Bagan
Monjas no templo de Dhammayangyi

Entrada

A entrada para Bagan pode ser paga em dólares ($20) ou em moeda local (25 mil quiates). Na época em que visitamos, valia mais a pena pagar em quiates.

Esta entrada é válida por 3 dias. A sacanagem é que te fazem pagar assim que você chega na cidade (em um posto de controle na estrada ou no aeroporto), e não quando você vai visitar as ruínas. Assim, se você chegou a Nyaung-U às 22h do dia 5, perdeu 1 dia do ticket, pois ele vai ser válido para os dias 5, 6 e 7.

O lado bom é que são bem poucos os templos que conferem o ticket. Se você pretende ficar vários dias por lá, dê preferência para conhecer os mais famosos no primeiro dia.

Como se deslocar?

A opção mais econômica e mais usada para conhecer as ruínas de Bagan é alugando uma moto elétrica. Essas motos levam até duas pessoas e têm autonomia para andar uns 40 quilômetros. Se você rodou até a sua bateria chegar perto do fim, geralmente deixam você trocá-la por outra moto com a bateria carregada, sem custo adicional. Nós demos um rolê pela manhã, voltamos para almoçar, trocamos a moto e passeamos pela tarde.

No começo da avenida que leva para as ruínas há vários comércios alugando estas motos. Eles costumam abrir às 4h (para aqueles que querem ver o sol nascer) e deixam devolver até às 20h. A maioria dos hotéis também aluga. O preço fica na faixa dos 6 a 8 mil, embora conseguimos um lugar que alugava por 4 mil. Marcamos o local no mapa para quem quiser:

Aluguel de moto em Bagan
Onde alugamos nossa moto elétrica

Eles não costumam pedir depósito, passaporte, carteira de motorista nem nada. É só pagar e levar a moto. Acho que a malícia do ser humano ainda não chegou por estes lados…

Há a opção de alugar bicicletas simples (na faixa de 2 mil), embora não seja muito recomendável, pois o calor e o sol são de matar, e alguns caminhos são de areia, difíceis de pedalar nessas bicicletas. As mountain bikes são absurdamente caras: na faixa dos 15 dólares por dia.

Há também a opção de fazer em táxi ou tuk tuk. Neste caso o ideal é negociar bem o tempo e os lugares que pretende visitar para não ter problemas.

Conhecendo Bagan de moto elétrica
Conhecendo Bagan de moto elétrica

Outra opção, para aqueles que têm uma graninha sobrando, é sobrevoar Bagan em balão: eles saem no nascer do sol e a brincadeira custa a partir de 330 dólares. Confira antes se as condições climáticas estão favoráveis para a saída dos balões (eles costumam operar entre os meses de outubro e março). As empresas que fazem os voos são: Balloons Over Bagan, Golden Eagle Ballooning e Oriental Ballooning.

Vendedores

Em frente a quase todos os templos há vendedores, e às vezes eles são um tanto inoportunos (para tentar vender algo, eles grudam em você e não largam mais). Até quando você está andando de moto acontece de chegar outro motoqueiro e tentar te vender alguma coisa em movimento mesmo.

Vá preparado para dizer “não” algumas centenas de vezes. Mas não seja mal educado com eles. Afinal, eles precisam ganhar a vida. E, caso esteja interessado em comprar alguma lembrancinha, os preços nos pareceram bastante justos.

Vendedores em Bagan
Vendedores na frente de um dos templos de Bagan

Visitando Bagan

Bagan se espalha por uma área de 41 km². Se você quiser visitar bem cada templo e cada pagode da região, pode se preparar para passar uma semana por lá. Mas, como os lugares são meio repetitivos e nem todos estão bem cuidados ou são acessíveis, dá para resumir o passeio todo em 1 ou 2 dias, visitando somente os principais. Nós fizemos tudo em um dia só.

Recomendamos baixar o aplicativo Maps.Me, pois ele tem mapeado quase todos os templos, as vias de acesso e também traz dicas de lugares onde ainda é permitido subir para ver o nascer ou o pôr do sol.

Aqui estão os locais que visitamos:

  • Templo de Ananda

Este é o templo mais bonito e mais bem restaurado de Bagan. Provavelmente se encaixa na lista daqueles criticados pela UNESCO por não respeitar a arquitetura da época. Mas, para nós, leigos no assunto, vale muito a visita.

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  • Templo Dhammayangyi

Este é o maior e o mais imponente templo de Bagan. Geralmente são dele as fotos mais icônicas do sítio arqueológico. Segundo lemos, no passado este templo era bastante semelhante ao de Ananda (o que é difícil de acreditar hoje em dia, considerando a diferença gritante no estado de conservação dos dois).

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  • Templo Thatbyinnyu

Este templo, apesar de não ter sido completamente restaurado como o de Ananda, ainda apresenta coloração branca. Estima-se que tenha recebido uma pequena restauração por volta de 1790.

É um dos maiores templos de Bagan e sempre foi utilizado para fins religiosos.

Templo de Thatbyinnyu, Bagan
Templo de Thatbyinnyu
  • Templo Sulamani

Este é provavelmente o templo mais visitado de Bagan. Foi o único onde nos pediram as entradas.

Sua fama se explica porque, no passado, era possível subir ao terraço e ter uma vista bonita de toda a região. Hoje em dia não se permite mais subir.

As paredes em seu interior são pintadas com desenhos (alguns tão mal restaurados que chegam a ser cômicos).

Templo Sulamani, Bagan
Templo Sulamani
  • Shwe San Daw

É um pagode que foi bastante visitado por oferecer, segundo dizem, o melhor pôr do sol de Bagan. Mas o acesso ao topo deste também foi fechado, e tudo o que resta para fazer é admirá-lo do lado de fora. Mesmo assim, vale a visita.

Ao lado do Shwe San Daw há um templo que guarda uma estátua gigante do Buda deitado.

Shwe San Daw, Bagan
Shwe San Daw – antes apreciada pelo pôr do sol, hoje com acesso restrito
  • Pya that gyi

Relativamente pouco visitado, este templo é um pouco diferente dos demais: seu formato é um quadradão mesmo, parecendo até uma caixa de sapatos.

Pya that gyi, Bagan
Interior do Pya that gyi
  • Templo Htilominlo

Não é dos mais bonitos nem dos mais impressionantes, mas vale a visita, nem que seja só para tirar umas fotos do lado de fora.

Htilominlo, Bagan
Htilominlo
  • Tha Beik Hmauk Gu Hpaya

Outro templo que não é dos mais impressionantes, mas merece uma visita rápida.

Tha Beik Hmauk Gu Hpaya
Tha Beik Hmauk Gu Hpaya
  • Pagode Shwezigon

Este fica localizado na cidade de Nyaung-U e é bastante utilizado pelos locais para fins religiosos. Trata-se de um enorme pagode dourado.

Dependendo de onde você estiver hospedado, poderá visitá-lo a pé.

Shwezigon Pagoda em Bagan
Pagode Shwezigon
  • Vistas panorâmicas

Ter uma vista panorâmica de Bagan se tornou uma missão complicada desde que restringiram o acesso aos andares superiores dos templos.

Ainda encontramos um templo pequeno onde se pode subir, e dois cerros baixinhos (bem baixinhos mesmo) de onde se pode ter uma vista interessante.

Os cerros estão marcados como Amenaged View Point Hill e Sunset Mound no Maps.Me. O templo não tem nome, mas está perto do Alodawpye Paya.

Eles estão localizados nos pontos azuis do mapa abaixo:

Melhores vistas panorâmicas de Bagan
Melhores vistas panorâmicas de Bagan

E aqui algumas fotos que se pode obter deles:

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É isso, pessoal! Espero que tenham curtido conhecer mais este destino com a gente!

Aqui está um vídeo que fizemos mostrando como é Bagan:

Não deixem de ler nosso post completo com todas as dicas para viajar pelo país:

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4 comentários sobre “Conhecendo Bagan – o destino mais popular do Mianmar

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