Visitando os Relâmpagos de Catatumbo, no lago Maracaibo, Venezuela

Famosa por ser a região do planeta onde mais caem raios por ano, passar uma noite no lago Maracaibo vai ser uma experiência inesquecível. Aqui contamos como foi nossa aventura por lá!

Referência (dezembro/2016)
1 dólar = 3500 bolívares fuertes (no câmbio negro)*
1 dólar = 3,45 reais

*a inflação na Venezuela é quase diária, portanto é bem provável que, durante a sua visita, o preço em bolívares esteja bem mais alto. O equivalente em dólar, porém, deve permanecer o mesmo.

Fenômeno de Catatumbo
Fenômeno de Catatumbo

O fenômeno

Este fenômeno, chamado de “relâmpagos de Catatumbo”, ocorre praticamente todas as noites, durante os 6 meses de temporada de chuva, que vão de julho a dezembro. O aquecimento global, porém, fez com que as estações já não estejam mais tão marcadas, e podem haver variações. Importante verificar como está a ocorrência do fenômeno na época que visitar o local.

Nós estivemos lá no dia 29/nov/2016, e conseguimos ver os raios por praticamente toda a noite.

Durante os dias de maior intensidade, chegam a cair mais de 100 raios por hora, durante umas 7 horas (ou seja, praticamente toda a noite). Outra característica interessante é que estes raios emitem somente luz, e não barulho.

A razão para este fenômeno ainda é incerta, e as principais teorias são:

  1. Em consequência do encontro entre o ar frio que vem dos Andes com o ar quente que vem do Caribe.
  2. Que este fenômeno é decorrente do encontro com o metano que sai do lago (sob este lago está a maior reserva de petróleo do país, segundo nos informou nossa guia) com os raios solares.
Clarão pela madrugada no lago de Maracaibo
Clarão pela madrugada no lago de Maracaibo

Seja lá qual for a teoria correta, uma coisa é certa: este lugar é de extrema importância para o planeta, pois os raios ajudam a recompor a camada de ozônio.

Como uma forma de preservar a visibilidade destes raios, o governo venezuelano transformou grande parte da região em um parque nacional, protegendo o local de uma possível poluição luminosa.

Tudo isso acontece no imenso lago Maracaibo, o maior lago da América Latina.

Casas de palafita no lago Maracaibo
Casas de palafita no lago Maracaibo

Como chegar?

A forma mais fácil de chegar até o local é contratando uma excursão em Mérida. Também é possível ir por conta própria, mas precisa conseguir autorização prévia dos guarda-parques.

As agências que fazem o passeio estão nos arredores da Plaza Las Heroínas, em frente ao teleférico de Mérida. Nós fomos com a Posada Yagrumo Tours (whatsapp +58 414 747 1661), a mais barata que conseguimos. Cobravam 95 mil por pessoa (28 dólares) pelo tour de 2 dias/1 noite, com tudo incluído, e foi muito bom.

Se quiser ir por conta própria, é preciso chegar até a cidade de Puerto Concha, em uma combinação de ônibus e táxis (o transporte na Venezuela é muito barato, e pegar um táxi de uma cidade a outra é uma opção completamente válida).

Em Puerto Concha é preciso falar com algum barqueiro para que ele te leve até a casa de palafita dos guarda-parques, e lá tentar negociar com eles de passar a noite. É preciso levar pelo menos um saco de dormir ou uma rede.

Percorrendo o rio entre Puerto Concha até o lago Maracaibo
Percorrendo o rio entre Puerto Concha até o lago Maracaibo

O tour

A caminhonete da empresa veio nos buscar às 8h30min em ponto no nosso hotel. Buscamos mais um colombiano e um chileno, e este foi o nosso grupo.

Nossa primeira parada foi na pequena cidade de Jaji, um belo povoado colonial venezuelano. Ali visitamos uma escola de artes que estava tentando entrar para o Guinness Book como a escola com mais desenhos nas paredes. Se você quiser colaborar, por 500 bolívares (menos de 1 real) é possível deixar sua marca na parede. Deixamos a nossa para ajudar.

Colando nosso desenho na parede
Colando nosso desenho na parede
Igreja principal de Jaji
Igreja principal de Jaji

Dali seguimos para outra cidade, onde visitaríamos a Cueva del Pirata, mas por conta da forte chuva a cueva estava fechada. Pelo que a nossa guia nos contou, estas grutas foram esconderijo de tesouros e prisão de piratas que navegavam pelo lago Maracaibo. Quando chovia muito, as galerias eram alagadas, e os prisioneiros morriam afogados.

Assim continuamos a viagem, e paramos para almoçar em um restaurante simples de beira de estrada, onde comemos sopa, arepas  (parte da culinária básica venezuelana) e uma carne de porco deliciosa. Nos disseram que o que mais atrai os turistas na Venezuela é a culinária, e pelo jeito é verdade.

Um dos inúmeros macacos que vimos no caminho até o Maracaibo
Um dos inúmeros macacos que vimos no caminho até o Maracaibo

Chegamos em Puerto Concha por volta das 15h, e lá sim fazia um calor insuportável. Em poucos quilômetros deixamos para trás as imensas Cordilheiras dos Andes para chegar ao nível do mar.

Em Puerto Concha um barco já estava nos esperando. Seguimos o rio pela selva, observando vários macacos e pássaros no caminho, até chegarmos ao imenso lago Maracaibo. Com 12 mil km², tudo o que víamos era horizonte.

No começo do lago havia 4 casas de palafitas: uma dos guarda-parques, outra de alguma agência de turismo, uma particular e uma que já estava condenada.

Casa dos guarda-parques, onde passamos a noite
Casa dos guarda-parques, onde passamos a noite

Nós ficamos junto com os guarda-parques. Ali mergulhamos no lago para nos livrarmos do calor (a água bate pelo pescoço), e curtimos a água até começar a escurecer. Depois voltamos para a casa, armamos nossas redes e esperamos o fenômeno começar.

Os primeiros raios apareceram quando começava a escurecer. Primeiramente como pequenos flashes, mas logo víamos os relâmpagos cortando o céu de maneira impressionante. Jantamos ali mesmo e continuamos observando o céu. Ficamos brincando de tentar fotografar e filmar até perto da meia-noite, mas era bem difícil. Depois de umas 400 fotos, consegui uma boa!

Nosso mergulho no lago Maracaibo
Nosso mergulho no lago Maracaibo

E, em meio a este cenário impressionante, dormimos. De vez em quando acordávamos para admirar um pouco mais o fenômeno.

Por volta das 4h da manhã caiu uma forte tempestade. Algumas redes foram mudadas de lugar, mas nós ficamos bem protegidos onde estávamos. Voltamos a dormir e só acordamos novamente às 7h da manhã para tomar café.

Ainda fizemos mais um passeio de barco pelo lago para tentar ver arraias e golfinhos, mas não tivemos muita sorte.

Regressamos para Mérida. No caminho ainda paramos em uma antiga fazenda de café, que foi convertida em museu e universidade. Ali aprendemos um pouco sobre a história do café no país, que teve seu auge até começar a exploração de petróleo.

Antiga casa que cultivava café, convertida em museu e universidade
Antiga casa que cultivava café, convertida em museu e universidade
Plantação de cana e processo para fazer rapadura
Plantação de cana e processo para fazer rapadura

Depois paramos para almoçar e ainda visitamos uma plantação de cana, e aprendemos como era o processo da fabricação da panela (nossa rapadura), produto que estava substituindo o açúcar na culinária venezuelana, devido a problemas de escassez.

Voltamos para Mérida por volta das 16h, e nos deixaram no nosso hotel.

Com certeza uma aventura que vale a pena!

O que levar?

  • Roupa de banho;
  • repelente;
  • protetor solar;
  • blusa e calça (pela noite faz um pouco de frio);
  • alguma bolacha ou salgadinho se bater uma fome;
  • uma garrafa de água (a agência fornece um galão de água, mas você precisará da sua garrafa para ir enchendo);
  • câmera com a bateria 100% (gastamos uma bateria inteira fotografando os raios!).

É isso pessoal! Espero que tenham curtido a dica deste local impressionante e ainda pouco conhecido no país.

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4 comentários sobre “Visitando os Relâmpagos de Catatumbo, no lago Maracaibo, Venezuela

    1. Obrigado Leticia!
      Realmente, o país está com algumas dificuldades, mas continua sendo um país maravilhoso que merece ser visitado! Não está nem perto do que dizem os noticiários por aí! 🙂

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