Viagem de volta ao mundo – O que levamos na mochila?

Uma coisa que muitas pessoas nos perguntam é: o que levamos nas nossas mochilas? Qual a marca da nossa barraca, para quantos graus é nosso saco de dormir, quanto pesa, etc, etc, etc.

Aqui abrimos nossas mochilas para vocês, e detalhamos tudo o que nos acompanha por aí!

Pouco antes de sairmos, escrevemos este post contando de uma forma resumida o que levávamos:

O que levar em uma viagem de volta ao mundo

Agora, 1 ano depois de estrada, vamos detalhar cada item, o que serviu e o que abandonamos pelo caminho.

Se está se preparando para viajar o mundo, leia também nosso post sobre a Medicina do Viajante, um serviço oferecido pelo SUS para te dar todos os conselhos e vacinas necessárias para enfrentar todo o nosso mundão:

Conheça a Medicina do Viajante

As mochilas

Nós andamos com duas mochilas cargueiras. Eu, Renan, levo uma da Quechua de 70 litros, que está pesando em torno de 18kg (variando se estamos levando comida ou não). A Michele leva uma sem marca, de (supostamente) 90 litros, que está pesando em torno de 16kg.

Havíamos comprado a mochila da Quechua para ela, mas acabou não ficando confortável (os prendedores das alças machucavam os peitos) e ela acabou ficando com a minha mochila velha. Depois descobrimos que há uns modelos femininos para resolver este problema.

Além destas, levamos mais uma pequena com eletrônicos e uma bolsa com a câmera.

A câmera com os acessórios pesa 1kg, e a mochila com os eletrônicos pesa quase 3kg.

Mochilas para nossa viagem de volta ao mundo
As mochilas que levamos

Câmeras

Viajamos com três câmeras:

  • uma semi-profissional Nikon D5300, com a qual tiramos as melhores fotos. Temos um filtro de densidade neutra e usamos a lente original;
  • uma compacta Olympus Style, à prova d’água, que usamos em lugares onde levar a câmera grande é mais complicado;
  • uma compacta velha da Sony, que usamos em lugares mais perigosos, para não chamar a atenção. Se roubarem, o prejuízo é pequeno.

Também carregamos um pequeno tripé para tirar fotos nossas quando não há ninguém para nos ajudar.

Nossa câmera semi-profissional da Nikon
Nossa câmera semi-profissional da Nikon

Eletrônicos

  • Notebook: levamos um pequeno notebook Asus Transformer Book T100, que foi o melhor custo/benefício (ou melhor: custo/benefício/peso) que encontramos. Para escrevermos nosso blog e publicarmos nossas fotos, está mais que bom.
  • Tablet: também saímos com um tablet da Samsung, mas ele queimou no Equador. Como usávamos para trabalhar, acabamos comprando um novo. Aproveitamos para comprar um que tem suporte a chip de celular, e isso ajuda muito, pois às vezes ficamos sem wi-fi.
  • Kindle: levamos um kindle para lermos no caminho, sem precisar carregar livros pesados.
  • Celular: começamos a viagem com um celular velho, mas nunca usamos. Ele acabou estragando e jogamos fora.

    Trabalhando com nosso pequeno computador
    Trabalhando com nosso pequeno computador

Sacos de dormir

Começamos a viagem com dois sacos de dormir vagabundos. Depois de quase morrermos de frio em Mendoza, decidimos que valia a pena investir em um melhor. Aproveitamos a boa oferta chilena e compramos dois de pena de ganso que aguentam até -12° C.

Eles são da marca Lippi. Custaram caro (pouco mais de 600 reais cada um), mas valeram cada centavo. Nunca mais passamos frio, e eles são relativamente leves (1,2 kg cada um) e compactos.

Mesmo que não faça tanto frio, é possível usá-lo aberto como cobertor.

Quentinhos, com nossos novos sacos de dormir!
Quentinhos, com nossos novos sacos de dormir!

Isolantes térmicos

Este é um item complicado. Saímos do Brasil com estes isolantes simples, de enrolar. São ótimos para dormir até umas 4 ou 5 noites, mas mais que isso as costas já começam a gritar. Além disso, no frio não servem para nada.

No Chile compramos dois isolantes novos, de ar. Pagamos pouco mais de 100 reais em cada um. Sem dúvidas eram confortáveis e cumpriam bem com a função de isolar do frio, mas não demorou para que começassem a vazar ar pelo bico. Além disso, pesavam absurdos 700g cada um.

Depois de algum tempo, decidimos que seria melhor trocá-los por uns dobráveis, com superfície estilo caixa de ovo.

O novo isolante térmico que compramos.
O novo isolante térmico que compramos.

No Chile tinha por todos os lados, mas quando decidimos fazer a troca já estávamos na Bolívia. Passamos Bolívia, Peru, Equador e nada de encontrar para comprar. Achamos um (apenas um!) somente na Colômbia, que nos custou o equivalente a 150 reais. Um amigo colombiano acabou nos doando um outro destes de enrolar, e agora estamos com estes dois. Os de ar jogamos fora.

Quando encontrarmos outro destes de dobrar (o nome oficial é Therm-a-rest-Z) vamos comprar. São confortáveis, leves e isolam bem do frio.

Botas

Saímos do Brasil com duas botas: eu com uma da Bull Terrier e a Michele com uma da Quechua. A minha não durou mais que 2 meses, e arrebentou a sola quando chegamos a Buenos Aires. A da Michele aguentou até a Terra do Fogo.

Como na Argentina essas coisas são caras, acabei comprando uma sem marca, em uma loja que vendia artigos para o campo, por 200 reais. A ideia era trocá-la por uma boa assim que chegássemos no Chile.

No fim das contas, não precisou: 1 ano depois, usando praticamente todos os dias, ela segue firme e forte. Foi aí que vi que marca não significa nada.

A Michele ganhou botas novas de uma amiga que fizemos em Rio Grande, pertinho do Ushuaia. Vendo o estado deplorável das suas Quechuas, nossa amiga doou umas da Salomon que tinha e não usava. Elas também vem aguentando bem o tranco.

Nossas botas, aguentando até neve no Cotopaxi.
Nossas botas, aguentando até neve no Cotopaxi.

Barraca

Nossa barraca é a brasileira Azteq Nepal II, e foi, sem dúvidas, uma excelente aquisição. Compramos por causa do peso (em torno de 2kg, para duas pessoas), mas no fim ela se mostrou excelente em todos os sentidos. Em Carlos Pellegrini, pegamos uma tempestade que destruiu todas as barracas do camping, exceto a nossa.

Os defeitos dela são que ela é muito quente (para a Patagônia foi ótimo, mas aqui na Colômbia está complicado) e precisa das estacas para se armar. Se quiser armar em um piso de cimento, precisa fazer gambiarra, amarrando umas pedras e coisas do tipo.

Quando saímos do Brasil, custava mais de 1000 reais nas lojas. Conseguimos por pouco menos de 700 pelo Mercado Livre. Sem dúvidas valeu o investimento.

Depois de 6 meses acampando direto, ela começou a perder a impermeabilidade. Compramos um spray impermeabilizante na Bolívia, passamos e tudo voltou ao normal.

Nossa barraca em um camping de Las Vegas (Mendoza)
Nossa barraca em um camping de Las Vegas (Mendoza)

Outros itens de camping

Dos outros itens de camping, o único que precisamos trocar foi o fogareiro. Compramos um da Náutika no Brasil, mas por alguma razão ele não era compatível com latas de gás de outras marcas – encaixava perfeito e acendia, mas depois de 2 minutos de uso o fogo apagava. Percebemos que a lata esquentava muito, e imaginamos que isso era algum mecanismo de proteção.

Trocamos no Chile por um da marca Doite.

Anticoncepcionais

Este é um dos itens mais complicados da viagem. Saímos do Brasil com várias caixas, mas a validade deles é um fator que nos complica. Além disso, sempre rola um medo de isso dar problema em alguma fronteira, mas o medo de ganharmos um irmão para o Mucuvinha é maior.

No Peru, uma amiga nos encontrou e nos trouxe umas caixas novas, com a validade mais avançada.

E assim seguiremos, contando com a ajuda de nossos amigos!

Caixas e mais caixas de anti-concepcionais.
Caixas e mais caixas de anticoncepcionais.

 

Os outros itens, como roupas e artigos de camping, seguem basicamente os mesmos da nossa lista original.

Dicas

  • Para comprar equipamentos de camping, os melhores lugares são Brasil e Chile. Se precisar de algo específico para frio extremo, o Chile é a melhor opção. Na Argentina e Colômbia também se encontra produtos de boa qualidade, mas os preços são mais elevados. Peru, Equador e Bolívia, só o básico, e caro.
  • Para comprar eletrônicos, os melhores preços (e variedades) parecem estar no Paraguai, seguido por Colômbia, Chile (aproveite as zonas francas) e Brasil. Peru, Equador, Bolívia possuem preços em geral mais elevados e pouca variedade. A Argentina é, provavelmente, o país mais caro de todos.
  • Se precisar tomar vacinas e comprar medicamentos durante a viagem, a Colômbia nos pareceu ser o país mais barato. O Equador também oferece um bom sistema de saúde público (que costuma ser grátis inclusive para estrangeiros).
O que levávamos na mochila
Todas as tralhas que levamos ao sair de casa.

É isso pessoal!

Alguma coisa que vocês não concordam? Alguma outra dica para acrescentar? Comentem aí! 🙂

E, para acompanhar nossa viagem de volta ao mundo, curtam nossa página no face:
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10 comentários sobre “Viagem de volta ao mundo – O que levamos na mochila?

  1. Vcs esqueceram de levar uma rede (espreguicadeira)que em muitas situacoes substitui bem a barraca cpg e a cama.E muito mais pratica e simples p/ armar e levar(leve).Abraco ao casal tudo de mais positivo.De um velho e eterno viajante mundo(J.RICARDO). Meu Email:josericard90@gmail.com.Ate proxima!

    1. Valeu pela dica! Vamos dar uma olhada se encontramos uma dessas no Panamá. Com certeza vai ser muito interessante agora que passaremos por regiões quentes!
      Abraços e boas viagens para você!!

  2. Uma solução em relação ao anticoncepcional seria o DIU, não pensaram nessa hipótese? Assim não seria necessárias tantas caixas pois tem longa duração…..

    1. Olá Izabela!
      A Michele chegou a pensar na hipótese, mas ficou com medo de dar algum efeito colateral enquanto estivéssemos em outro país, já que não teríamos acompanhamento médico.
      Mas ainda é uma possibilidade se as caixas acabarem! 🙂

    1. Muito bom o preço mesmo!
      Agora estamos na Colômbia e por aqui não encontramos, mas vamos ver se encontramos uma assim no Panamá. Valeu pela dica!

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