Vale a pena usar o Workaway? É legal? Veja nossas experiências

Workaway, Worldpackers, Helpex… cada vez surgem mais sites oferecendo trabalhos voluntários pelo mundo em troca de comida e hospedagem. Mas vale a pena usá-los? É legal trabalhar desta forma? Aqui contamos como foi nossa experiência com o Workaway!

Antes de sairmos de casa, a ideia de fazer voluntariado em diversos cantos do mundo nos parecia encantadora. Imagina poder ajudar pessoas pelos mais diferentes países, e em troca ganhar experiência em muitas áreas do conhecimento e mergulhar a fundo em suas culturas e costumes? Foi isso que nos levou a buscar os diferentes sites que (supostamente) oferecem este tipo de trabalho.

Depois de navegar por tantos, chegamos à conclusão que o Workaway (www.workaway.info) era o que mais se encaixava aos nossos interesses. Eles oferecem um sistema de busca muito bom, e vagas que vão desde trabalhos em hostels até lugares onde você pode trabalhar no reflorestamento, cuidando de animais resgatados ou ajudando crianças e comunidades pobres. O valor era barato: 38 dólares por um perfil de duas pessoas, válido por 2 anos.

Não tivemos dúvidas, fizemos nosso cadastro!

Muvucinha trabalhando de voluntário em um hostel em Bariloche

Usando o sistema

Tudo estava muito lindo, até que caímos na estrada e tentamos usar o sistema.

Sabe aquele monte de vaga bem interessante para trabalhar? Esqueça. Não sabemos se o site cria vagas falsas para atrair usuários ou o quê, mas o fato é que pouquíssimas respondem aos seus pedidos. Em quase 2 anos usando o serviço, os únicos trabalhos que nos responderam foram de hostels ou para trabalhar de escravo na fazenda de algum gringo que estava aposentado na América Latina.

Outra coisa que percebemos: as informações referentes aos dias livres e às alimentações raramente condizem com a verdade. Trabalhamos em um hostel em Bariloche (contamos um pouco da experiência aqui) que dizia que eram oferecidos 2 dias de folga e 4 refeições por dia. Fomos para lá, e a realidade era bem diferente: praticamente precisávamos implorar para conseguir 1 folga na semana, e as únicas refeições incluídas eram o café-da-manhã e uma mini-janta.

Para quem viaja em casal, este tipo de trabalho apresenta outro problema: geralmente cada voluntário trabalha umas 4 ou 5 horas por dia. Era isso que trabalhávamos, mas em turnos separados. Assim, quase nunca sobrava tempo para conhecermos a cidade juntos.

Pequenos voluntariados, grandes negócios

Como dissemos, nossa principal intenção com este sistema era o de poder ajudar comunidades ou projetos sociais/naturais. Não nos importávamos de trabalhar 10 horas por dia nem de pagar pela nossa própria comida, desde que nosso trabalho fosse para ajudar uma causa, e não algum empresário a fim de reduzir os gastos com funcionários.

Infelizmente, descobrimos que este tipo de voluntariado virou um grande negócio. Chegamos a encontrar o site de algumas “ONGs” que oferecem vagas para trabalhos sociais no workaway (sim, aquelas que nunca respondem). E a realidade descrita no site era bem diferente: você precisava pagar para trabalhar. Geralmente o custo era uma “pequena” ajuda de uns 40 dólares por dia (por pessoa) para alimentação e hospedagem.

40 dólares pra comer macarrão? Só podia ser piada. Mas mais tarde entendemos: aqueles voluntariados mais eram uma colônia de férias do que um trabalho em si. O pessoal vem de fora, passa alguns dias fazendo carinho em alguns animais ou conversando com algumas crianças e volta para seu país de origem com a consciência limpa e um voluntariado a mais para o currículo.

Na Colômbia, chegamos a conhecer uma comunidade “beneficiada” por uma dessas ONGs. Infelizmente, pelo que nos contou o pessoal que vivia ali, tudo não passava de um grande negócio. A ONG recebia o pagamento de 35 dólares por dia dos voluntários (geralmente europeus). Estes passavam umas 2h por dia jogando bola ou desenhando com as crianças. Em troca, podiam tirar selfies em uma favela do terceiro mundo para postar no instagram. Para a comunidade mesmo, muito pouco era repassado.

Workaway é legal?

Outra coisa interessante que descobrimos: muita gente pensa que este tipo de trabalho é legal. Afinal, se está disponível na Internet, por quê não seria?

Mas não é bem assim. Mesmo um trabalho em troca de comida e hospedagem requer um visto especial para a maioria dos países. Por exemplo, a legislação da União Europeia requer visto de trabalho para qualquer atividade remunerada realizada por estrangeiros dentro de seus países, e “comida” e “hospedagem” são interpretadas como remunerações.

Um “voluntariado” é permitido, mas a definição de voluntariado, por lá, é a seguinte:

“‘voluntary service scheme’ means a programme of activities of practical solidarity, based on a State or a Community scheme, pursuing objectives of general interes”

(fonte)

Ou seja, trabalhar em um hostel não se enquadra como prática solidária.

Ainda que dificilmente alguém tenha problemas com este tipo de trabalho, é bom ter cuidado, principalmente em países que pegam no pé de imigrantes, como EUA, Inglaterra e França, por exemplo.

Se quiser conhecer melhor as exigências de cada país, o site das Relações Exteriores do Brasil é bastante completo:

http://www.portalconsular.itamaraty.gov.br/seu-destino/

Projetos sérios

Sim, existem ONGs e projetos sociais sérios pelo mundo, mas dificilmente você vai encontrá-los por estes sites. Além disso, se quiser ser voluntário nestes projetos, prepare-se para suar a camisa, pois o trabalho é pesado. Estes geralmente não terão problemas em te dar uma hospedagem, mas provavelmente você mesmo terá que se virar com a sua comida.

Na Costa Rica, conhecemos o Território de Zaguates, uma fazenda que cuida de 700 cachorros abandonados. Eles tinham um plano de voluntariado, mas decidiram abolir porque muitos dos voluntários que iam lá estavam mais preocupados em tirar fotos para o instagram do que em realmente ajudar (afinal, muita gente tem a visão de que, se é voluntário, não é preciso se esforçar). Por esta razão, preferiram abolir o programa e contratar funcionários. Poderiam ter feito igual as outras (cobrar uma diária para aguentar os voluntários por lá), mas este não era o objetivo deles.

Ainda assim, conhecemos um argentino que era voluntário na fazenda. Trabalhava praticamente 24 horas por dia, e recebia em troca um pequeno espaço para acampar e o carinho dos 700 cães que estavam ali. Para nós, nos pareceu uma boa troca. Chegamos a pensar em trabalhar ali nessas condições também (eram causas assim que estávamos atrás), mas a dificuldade do acesso à fazenda nos fez desistir (o argentino tinha um carro).

Michele com os "zaguates"
Michele no Território de Zaguates

Além dessas, conhecemos muitas outras pelo caminho. No Equador, tivemos a oportunidade de acompanhar o grupo Narices Rojas alegrando as crianças de um hospital. Na Colômbia, quase fomos trabalhar na reabilitação de crianças vítimas das drogas (só não fomos porque acabamos perdendo o contato com o organizador).

Enfim, conversando com a população do local, os contatos de confiança vão aparecendo.

Conclusão

Vale a pena pagar para usar este tipo de site? No nosso caso, sinceramente não valeu.

Se o que você busca é uma alternativa gratuita para conhecer um lugar e não liga de ficar em uma situação considerada “ilegal”, então pode ser interessante. Os hostels e hotéis anunciados geralmente têm vagas.

Se você não quiser pagar o serviço, também não tem problema: os grupos de mochileiros do facebook possuem vários anúncios dessas vagas. Se não encontrar nada, basta postar se oferecendo para trabalhar que alguém saberá indicar. Ou você pode simplesmente mandar um e-mail para os hostels do seu destino e perguntar se há vagas para voluntariado. Pode ter certeza que vai receber várias respostas positivas.

E, é claro, este relato diz respeito unicamente à nossa experiência na América do Sul e em parte da América Central. Obviamente não testamos todas as vagas, e nem sabemos como é a situação em outros continentes. Acreditamos que existam ONGs mais sérias e que respondam as pessoas interessadas em ajudar, porém infelizmente não demos a sorte de contatar nenhuma. Mas, enquanto nosso perfil não expira, seguiremos buscando!

É isso pessoal! Já usaram este tipo de serviço? Conte aí como foi a sua experiência! 🙂

Para mais dicas bacanas e acompanhar a nossa viagem de volta ao mundo, curta nossa página no face:
www.facebook.com/mundosemfimoficial

6 comentários sobre “Vale a pena usar o Workaway? É legal? Veja nossas experiências

  1. Olha Renan, me formei no magistério já tem alguns bons anos (rsrsrsrsr) e quando saí da escola em que lecionava resolvi viajar pela América do Sul com a intenção de ajudar no ensino de criancas carentes, paguei pelo cadastro no workaway, enviei solicitações para várias “ONGs” que encontrei no site e incrivelmente todas apareciam com o status de sem vagas =/ mas mesmo assim tentei. Alguma te respondeu? Bom, para mim também não. Foi frustrante, e viajar para trabalhar em hostel eu não queria, meu foco era ajudar a quem realmente precisava.
    Lhe agradeço por mostrar que não sou a única a viver essa experiência. Espero que em outras partes do mundo a coisa funcione melhor.
    Boa viagem a vocês e Feliz Páscoa.

    1. Olá Lucimar! Que pena que tua sorte não foi melhor que a nossa 🙁
      Como educadora, já pensou em se inscrever na ONU? Sei que não é fácil conseguir por lá também, mas talvez consiga algo melhor!
      Feliz páscoa pra você também! 🙂

  2. Oi Renan, tudo bom? Então eu e meu namorado estamos com viagem marcada para o Uruguay, o que me deixou um pouco com medo por seus comentários kkkkkkkkkk e optamos pelo sistema fornecido pelo Workaway e Worldpacker, não sei se na época que vocês pleitearam as vagas estava mais difícil, mas minha experiência foi a seguinte:

    Primeiro fizemos cadastro no Worldpacker, enviamos solicitação pra Deus e o mundo e as pessoas não viam, ou quando viam não respondiam. Então peguei o nome desses locais e procurei pelo Facebook mandando a mesma mensagem, muitos mais viram, mas quase ninguém respondeu. Fora uma fazendeira de Santa Rosa, uma cidade interiorana próxima de Montevideo em que já marcamos de passar uns dias por lá.

    Já o Workaway, até o momento mandamos solicitações para 7 lugares, tendo recebido respostas positivas de 3 deles, somente não sendo respondidos por 2 espaços e já tendo hospedagem garantida até setembro, pretendemos prosseguir tentando com o Workaway, porque à distância as coisas parecem funcionar, vamos ver como se dão lá no país.

    Abraço, seu blog está sendo um grande manual para nós!

    1. Olá Dário!
      Vão tranquilos, a maioria das pessoas comentam que tem boas experiências com o Workaway, acho que no nosso caso mesmo que demos azar. Acho que depende muito do país também.
      No Uruguai nem chegamos a tentar, mas acredito que funcione bem. Em Bariloche conhecemos uma portuguesa que ficou alguns meses neste país com o workaway.

      Abraço, e sucesso para vocês por lá!! 🙂

  3. NÃO VALE À PENA, entrei faz uma semana e me arrependi amargamente de ter pago. Mas estou entrando em contato pedindo a devolução do meu dinheiro. Pois pelo menos eu estou me sentindo enganado. Já enviei diversas propostas de trabalho voluntário e poucos sequer respondem, ou quando respondem dizem que não vagas para tal mês, quando em seus perfis estas vagas são disponíveis. Um Host foi tão grosso, estúpido e simplesmente me respondeu que eu deveria me empenhar em aprender Inglês, isto porque este trabalho VOLUNTÁRIO que busquei se localiza na Argentina. E ainda vi perfis que pedem além do trabalho ajuda financeira também, um total absurdo. No primeiro contato com a Workaway ignoraram meu pedido, mandaram eu melhorar meu Perfil, fazer vídeos com minhas habilidades, e não usasse expressões copiadas COMO??? Se os próprios perfis dos Hosts não são claros e todos parecem iguais, assim os respondi, como lhes disse que aguardaria mais um pouco como me orientaram. Mas passado quase uma semana de uns 20 contatos enviados somente obtive respostas de uns 5, curtas, grossas e até estúpidas. Vou exigir meu dinheiro de volta e caso se neguem, entro na justiça, nem que seja para empregá-lo em causas bem mais nobres. A workaway me parece ser até aqui uma Plataforma “Para Inglês trabalhar”.

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