Viagem de volta ao mundo – quais são os preparativos?

Muita gente tem nos perguntado a respeito dos “preparativos” para uma viagem de volta ao mundo tão longa assim. Confesso que não tivemos tempo de fazer um planejamento tão detalhado, já que começamos a trabalhar nisso de verdade somente depois que eu fui demitido da empresa onde eu trabalhava (este foi o típico pé-na-bunda que te empurra pra frente).
Mas, se você também pretende fazer uma viagem desse tipo, aqui vai o mínimo que precisa fazer:

Vacinas

A única vacina obrigatória para os países por onde vamos passar é a da febre amarela. Essa é clássica e a maioria dos viajantes já tomou. Se você já tomou e já tem a carteirinha internacional de vacinação, pode pular para “outras vacinas”. Se não, é interessante ler o tópico seguinte!

Vacina da febre amarela

Possui validade de 10 anos e pode ser tomada gratuitamente em qualquer posto de saúde. Além de tomar a vacina, é necessário tirar a carteirinha internacional de vacinação (uma amarelinha).
Se o posto de vacinação onde você se vacinou não fornecer a internacional, procure a Anvisa da sua cidade e leve a carteirinha nacional até lá. A internacional é emitida na hora e sem nenhum custo!

Outras vacinas

Embora não sejam obrigatórias, outras vacinas são de extrema importância. No nosso caso, visitamos um centro de Medicina do Viajante, um serviço gratuito disponibilizado pelo SUS (leia o post completo aqui).
Lá tivemos a oportunidade de conversar com um médico especialista em doenças típicas de viagens. Além das dicas valiosas de prevenção, ainda nos receitou vacinas que nos serão muito importante na viagem.
Algumas puderam ser tomadas gratuitamente pelo SUS:
-Antirrábica
-Antitetânica
-Contra a Polio (o zé gotinha)
-Hepatite B
-Influenza

Outras somente por clínicas particulares (vamos tomar quando nos aproximarmos de zonas de risco):
-Meningite Quadrivalente
-Encefalite Japonesa
-Hepatite A
-Febre Tifóide

Também tivemos uma conversa muito interessante sobre a malária, que é uma doença que ainda não possui vacina, mas que pode ser prevenida com o uso de bons repelentes (outro dia faço um post exclusivo sobre esta doença).

Atualizar carteira de Motorista

A minha carteira de motorista venceria somente em 2017. De qualquer forma, como é um documento que só pode ser renovado no Brasil, achei interessante renová-la.
Apesar de não fazer questão de alugar carro fora do país, se a sua carteira vencer e você não renová-la em 1 mês, vai ter que fazer auto-escola de novo. Portanto, se pretende viajar por um longo tempo, tome cuidado com isso!

Atualizar passaportes

Nossos passaportes já estavam com a data de vencimento próximas, e também já não tinham muitas páginas livres. Por isso, optamos por tirar um novo antes de sair.
O modelo novo já possui validade de 10 anos e esquemas mais fortes de segurança. Ainda que seja possível renovar o passaporte no exterior, achamos melhor evitar esta dor de cabeça na viagem.

Vistos

É importante estudar sobre as questões de visto de cada país que for visitar. Lemos livros, depoimentos na Internet e ligamos para algumas embaixadas até montar uma planilha contendo informações de como e onde é possível tirar os vistos de cada país.
Isso é importante principalmente para quem pretende atravessar a África, pois a burocracia por lá é grande.
Tirar aqui mesmo só precisamos tirar o dos EUA. Todos os outros vamos tirando pelo caminho.
O Japão só emite vistos no Brasil. Por isso, com certa dor no coração, tivemos que tirar este país do nosso roteiro, já que não temos ideia de quando estaremos passando por lá.

Vender tudo

Se você tiver onde deixar suas coisas, ótimo. No nosso caso, tivemos que vender tudo. Tudo mesmo: carro, bicicleta, tv, máquina de lavar, microondas, video game, etc.
Guardamos apenas algumas poucas roupas, livros e lembrancinhas na casa da Michele.
Lembre-se que, mesmo que tenha onde guardar, pode ser que não valha a pena manter um bem por 3 anos, pois ele pode desvalorizar ou estragar se ficar parado.

Procurações

Pode ser interessante deixar uma procuração com alguém dando poderes totais ou específicos para que possam resolver alguns problemas para você enquanto você estiver fora do país. Isso pode ser muito útil, por exemplo, se deixou um carro aqui para vender ou se tem um imóvel e pretende vendê-lo ou alugá-lo.
Esta procuração pode ser feita diretamente no cartório (ligue para o cartório antes para confirmar, pois nem todos fazem), custa caro (entre 100 e 200 reais) e é emitida na hora. A pessoa para quem você vai deixar os poderes não precisa ir ao cartório com você, mas você precisa ter todos os dados dela (rg, cpf, endereço, estado civil, etc).

Conversar com o seu banco

Principalmente agora que estamos em tempos de crise, é muito importante ver bem como vai deixar o dinheiro investido.
Eu fiquei quase 1 hora conversando com o gerente sobre a nossa viagem, analisando cada fundo de investimento e montando uma carteira para me proteger da alta do dólar.
Lembre-se: com a inflação alta, deixar o dinheiro na poupança é perder dinheiro.
Além disso, é legal ver tudo o que você vai precisar fazer, como desbloquear cartões e computadores para uso internacional, ver telefones de emergência, etc. Por exemplo, eu tinha uma conta na Caixa e acabei tendo que encerrá-la depois que vi a dificuldade que era para fazer saques no exterior.
A Michele só tinha um cartão ELO, e correu para pedir um com a bandeira VISA. Eu tenho conta no Santander e pedi um cartão exclusivo de débito, pois já ouvi relatos de pessoas que tiveram problemas ao sacar dinheiro com o cartão múltiplo (o saque saía automaticamente pelo crédito, mesmo tendo selecionado a opção de débito).
Algumas pessoas recomendam abrir uma conta internacional, mas somente o HSBC fornece este serviço no Brasil, e como este banco está fechando as portas por aqui, decidimos ficar com uma conta nacional mesmo.

Fotos dos documentos

Fotografe todos os seus documentos:
-passaporte e vistos
-identidade
-título de eleitor
-cartões de crédito (para evitar problemas, não fotografe a parte de trás, onde tem o código de segurança)
-carteirinhas de vacinação (tanto as nacionais quanto a internacional)
-Passagens de ida e volta e reservas dos hoteis (se tiver)
-Seguro de viagem (se tiver)

Guarde essas fotos no seu computador (se estriver levando um) e também no seu e-mail para garantir. Não sei quando e se vamos precisar usar, mas é melhor garantir.

Também pode ser interessante tirar uma cópia autenticada desses documentos. Apesar de a autenticação não ser reconhecida no exterior, elas podem ser úteis nas embaixadas brasileiras.

Organizar o computador (ou tablet, celular…)

Antes de sair, dê uma geral no computador que estiver levando. Alguns itens que merecem atenção são:

*Internet banking

Certifique-se de que você consegue fazer tudo (pagar contas, transferir dinheiro, etc) com este computador em relação ao banco. Alguns bancos exigem que o computador seja desbloqueado no caixa eletrônico ou na agência, então não deixe para descobrir isso só lá fora!

*Sistema de backup online

Você provavelmente vai tirar muitas fotos na viagem. Além disso, pode ser que dedique seu tempo a escrever um livro ou desenvolver alguma outra forma de arte.
Não vai querer perder todo o seu trabalho de anos se o computador der pau, né? Por isso, é muito importante manter uma cópia de tudo na rede. Nós estamos usando os seguintes serviços:
One Drive (Microsoft): gratuito até 15Gb. Estamos usando para guardar nossos documentos pessoais e trabalhos de texto que formos produzindo durante a viagem.
Google Drive: gratuito até 15Gb, compartilhando espaço com o Gmail. Usamos para compartilhar os documentos e planilhas de gastos referentes à viagem.
Google Photos: fornece acesso ilimitado para fotos, desde que as fotos não tenham mais que 16mb cada uma. É meio desorganizado e temos um pouco receio com a mania do Google de descontinuar seus serviços, mas pelo menos é grátis. O legal é que você pode instalar o aplicativo no computador e ele já faz o backup automaticamente as fotos assim que você se conectar na internet.

*redes sociais e de comunicação

Mesmo que você não esteja preocupado em manter um blog ou uma página da sua viagem, você provavelmente vai querer conversar com seus parentes e amigos quando estiver viajando. Por isso, é legal instalar o Skype (ou qualquer outro programa), adicionar o pessoal e já fazer um teste da câmera e do microfone.

Compra de equipamentos

Nessas últimas semanas acessamos direto sites como Mercado Livre e OLX em busca de equipamentos que precisávamos para a viagem.
Depois posto uma lista completa do que estamos levando, mas o que compramos foi:
-Uma barraca leve e resistente à neve
-Kit de panelas para camping
-Fogareiro
-Uma máquina fotográfica semi-profissional
-Uma mochila nova

São itens caros, mas garimpando bem conseguimos preços muito bons. No fim das contas conseguimos comprar tudo com o dinheiro que ganhamos vendendo nossas coisas, e ainda sobrou uma graninha.

Tratamento dentário

O Brasil conta com um dos melhores e mais baratos serviços dentários do mundo. Portanto, se tiver alguma cárie ou qualquer outro problema nos dentes, é melhor tratar aqui do que deixar para tratar no caminho.
A Michele foi tirar o aparelho e descobriu uma cárie. Correu mas conseguiu fazer o tratamento e agora viaja com os dentes em ordem.
Eu confesso que fui negligente e deixei isso pra lá… 🙁

Seguro de saúde internacional

Apesar de termos optado por começar a viagem sem seguro nenhum, recomendamos a todos que nunca viajem sem fazer um seguro de saúde internacional. Uma eventual doença ou um braço quebrado no exterior pode arruinar a sua viagem, então é melhor não arriscar!

É isso pessoal, alguém teria mais recomendações a compartilhar? Comentem aí! 🙂

Para acompanhar nossa viagem, sigam nossa página no face:
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6 comentários sobre “Viagem de volta ao mundo – quais são os preparativos?

  1. Boa noite! E esse roteiro pela Africa ? Estou doido para incluir mais paises desse continente na nossa viagem, mas tenho receio dos deslocamentos terrestres, já que consultei algumas passagens e achei bem caras.

    1. Pois é, também não temos muita informação. Esses dias conversamos com umas espanholas que vieram de lá, e falaram que África do Sul, Namibia, Zimbabue, Botsuana, Tansânia e Malaui são países muito seguros. Mais para cima já é preciso ficar atento em quais rotas são seguras ou não. O problema é que a situação na África muda rápido, e acho que só estando lá mesmo para saber.
      Devemos chegar por lá no começo do ano que vem, aí vamos postando! 🙂

  2. Fala Renan! Cara como vcs fazem com suas conexões com a Internet? Wi-Fi dos locais onde se hospedam? E quando precisam de algo mais potente?

    1. Fala rapaz!
      Internet é sempre complicado. Na Bolívia passamos praticamente sem acesso. No Peru era bem lento, e quando encontrávamos um hotel barato com wi-fi bom aproveitávamos para postar tudo o que tínhamos pendente.
      No Equador e na Colômbia a internet é rápida. Na Colômbia é comum ter wi-fi nos ônibus inclusive. No Equador encontra nas praças de algumas cidades.
      Nosso tablet antigo estragou e compramos um novo, que aceita chip de celular. Agora conseguimos comprar um chip em cada país para ficar sempre conectados. No Equador funcionava 4g em quase todo lugar, e a recarga era barata. Na Colômbia é um pouco mais lento e um pouco mais caro (eles vendem por bytes), aí usamos os chips somente quando temos uma emergência ou precisamos buscar algo em alguma cidade que estamos chegando.
      Mas no geral deu pra se virar bem só com o wi-fi!
      Na Argentina e Chile também funcionam muito bem.

  3. Olá! Queria ver como vocês estão se virando com relação a relação a grana, cartão de crédito e débito ou alguma outra forma de sacar? Já que não dá para levar dólares numa viagem tão longa estou indo atrás de outras formas que eu não precise pagar tanta taxa para o banco…vi em outro post sobre um app que cruza transferência mas é algo que é necessário conhecer alguém de confiança também.

    1. Olá!!
      Essa é uma situação bem difícil mesmo. Cartão de crédito, nem pensar. Vamos indo com o de débito mesmo e alguns poucos dólares de emergência. É bom sempre ver como está a cotação de cada moeda também. Na Colômbia, por exemplo, os caixas eletrônicos cobram uma taxa bem baixa, e geralmente fazem a conversão em um valor justo (alguns te dão a opção de mandar descontar diretamente em reais mesmo).
      Vimos que por lá era vantagem sacar dinheiro e comprar dólares. Dessa forma, conseguimos uma conversão real/dólar a 3,20, quando o oficial estava em 3,40. Aproveitamos para comprar dólares e trazer para a Venezuela, já que aqui é impossível usar cartão.
      Mas é isso, em cada país você vai aprendendo os truques. Infelizmente em geral você não vai conseguir fugir das taxas. Já é bom sair de casa contando com esse gasto a mais no orçamento!

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