O que fazer em Caracas – a bela capital venezuelana

A fama de ser perigosa afasta muitos turistas, o que faz de Caracas uma das capitais menos conhecidas da América do Sul. Os poucos viajantes que ousarem visitá-la, porém, serão surpreendidos positivamente em vários sentidos!

Referência (janeiro/2017)*
1 dólar = 3000 bolívares fuertes (no câmbio negro)
1 dólar = 670 bolívares fuertes (no câmbio oficial)
1 dólar = 3,30 reais

*a inflação e a desvalorização do bolívar são praticamente diários na Venezuela.

Caracas, capital venezuelana
Caracas, a capital da Venezuela

“Caracas? No! Muy peligrosa!” – é o que a maioria dos venezuelanos nos falava quando contávamos sobre nossa vontade de conhecer a capital de seu país.

De fato, em todos os países por onde passamos nos falaram para tomar muito cuidado na capital, pois era “muito perigosa”. Em Caracas, porém, os alertas eram mais pesados. Muitos diziam que não era possível nem mesmo andar nas ruas, pois a violência já estava sem controle. Alguns nos disseram que não estaríamos seguros nem mesmo dentro do hotel. Todos estes alertas nos fizeram realmente pensar em deixar Caracas para lá, mas no fim das contas a curiosidade foi maior.

Por sorte, fomos teimosos. Hoje, consideramos a capital da Venezuela como uma das mais bonitas da América do Sul, e sem dúvidas foi a que mais nos surpreendeu. Quer conhecê-la? Temos certeza que também vai te agradar!

História

Santiago de León de Caracas, ou simplesmente Caracas, foi fundada em 1567, e hoje é a capital administrativa e econômica da Venezuela.

Começando como uma pequena vila em um vale, a cidade de Caracas não tinha tanto a oferecer nos primeiros anos de existência. Porém, como estava bem protegida do ataque de piratas, logo começou a se expandir, enquanto importantes portos (como o de Coro, até então capital da colônia) eram constantemente saqueados.

Em 1777, Caracas já apresentava tamanha importância que a capital foi transferida para lá. Em 5 de julho de 1811, ali era assinada a Declaração de Independência da Venezuela. Em 1812, a cidade foi completamente destruida por um terremoto, o que foi considerado pela Espanha como uma punição divina à desobediência à coroa. Em resposta ao fenômeno, Simón Bolívar declararia uma de suas mais famosas frases: “Se a natureza se opõe, lutaremos contra ela e faremos com que nos obedeça”.

O próximo avanço de Caracas se deu ao longo do século XX, com o boom do petróleo. Assim, a capital venezuelana se tornou um dos principais centros econômicos da América do Sul, enchendo-se de parques, edificações majestosas, hotéis luxuosos e enormes favelas.

Hoje o país sofre com uma das maiores crises de sua história, e isso se reflete diretamente em Caracas – a desigualdade social é enorme, muitos edifícios estão abandonados, parques descuidados e o custo de vida por lá é incrivelmente baixo. Talvez seja este abismo entre o passado glorioso e o futuro incerto uma das coisas que mais impressionam.

Foi em Caracas que nasceu Simón Bolívar, o segundo personagem mais idolatrado no país (atrás apenas de Jesus Cristo), e é lá mesmo que se encontram seus restos mortais.

Mucuvinha no centro de Caracas
Mucuvinha caminhando por Caracas

Segurança

Com uma taxa de homicídios de quase 120 para cada 100 mil habitantes (2015), Caracas é considerada a cidade mais perigosa do mundo das que não estão em guerra (se quiser ver o ranking e detalhes do estudo, clique aqui).

Apesar dos números assustadores, isso não quer dizer que não seja possível visitá-la. De fato, nos sentimos mais seguros caminhando por lá do que pela maioria das cidades grandes do Brasil.

O que acontece em Caracas é que há muitas favelas, e a violência está concentrada por lá. Bairros como Petare, por exemplo, devem ser evitados a todo custo, mas pelo centro você pode caminhar tranquilamente tomando os cuidados básicos.

Noite de natal em uma das inúmeras favelas de Caracas

Também é bom evitar sair à noite: os comércios costumam fechar cedo, e a partir das 20h as ruas já começam a ficar bastante desertas. Se quiser jantar, ir para um bar ou simplesmente conhecer a noite caraquenha, pegue um táxi (peça para o hotel chamar um por telefone, e combine com o taxista um horário para ir te buscar na volta).

Os transportes públicos são seguros (pelo menos durante o dia), e basta tomar os cuidados básicos com batedores de carteira que não terá problemas.

Transporte público

Caracas possui uma excelente rede de metrô (ainda que muitos trens estejam velhos e poucas escadas rolantes funcionem), que te leva a praticamente qualquer lugar de interesse da cidade. Se puder escolher, procure se hospedar perto de alguma estação. A passagem é absurdamente barata: 4 bolivares (na cotação que conseguimos, isso significa que, com 1 centavo de real conseguiríamos comprar 2 passagens).

Mucuvinha no metrô de Caracas
Mucuvinha no metrô de Caracas

Os ônibus podem ser uma boa alternativa para conhecer lugares onde não há cobertura do metrô, ou para simplesmente se deslocar admirando a cidade. A passagem custa 100 bolívares (algo como uns 15 centavos de real). Eles possuem uma placa na frente dizendo todos os destinos por onde passam, o que os tornam fáceis de pegar.

Táxis também são uma alternativa barata (dificilmente você vai gastar mais que 4 reais por uma corrida longa). Procure pegar somente os oficiais; pela noite, é melhor ligar para a central e pedir que te mandem um.

Hospedagem

Hospedagem em Caracas também é barata: ficamos em uma casa que um amigo nos indicou, pagando apenas 7 reais por um quarto privado (infelizmente ela não aluga para o público, por isso não podemos deixar o contato aqui).

Pelos arredores da Boulevard Sabana Grande ou pelo centro há diversos hotéis (bons) na faixa de 10 a 15 mil por um quarto duplo – o que dá algo entre 14 e 20 reais). Se chegou à cidade com a mochila nas costas sem ter onde ficar (o que não é muito recomendável), pegue o metrô até a estação Plaza Venezuela e desça a boulevard caminhando até encontrar alguma coisa.

Capitólio de Caracas
O Capitólio, um dos belos edifício do centro histórico de Caracas

Comida

Como toda grande cidade, Caracas tem de tudo: menus econômicos, McDonalds, KFC e até churrascarias de rodízio.

É possível conseguir um menu simples, mas completo, a partir de 1 dólar, e um espeto corrido na faixa de 8 dólares.

Câmbio

Trocar dinheiro na Venezuela é algo complicado: enquanto estávamos em Caracas, os bancos estavam pagando apenas 670 bolívares por dólar, enquanto que no câmbio negro chegavam a pagar até 3 mil (para ver a cotação atual do câmbio negro, visite o site www.dolartoday.com). Infelizmente o câmbio negro é ilegal, e se te passarem a perna você não poderá reclamar na polícia. Por outro lado, viajar no país com o câmbio oficial é inviável.

Para trocar dinheiro por uma cotação favorável, pergunte no hotel. Quase sempre vão saber indicar alguém que compre. Se não conseguir, procure lojas que vendem sapato, roupas, joias ou que compram ouro (geralmente os donos são árabes, e sempre tem interesse em comprar dólares).

Pelo centro, nos arredores da Plaza Bolívar e em frente à Assembleia Nacional há diversas pessoas gritando “compro ouro, prata, dólares e euros”. Estes costumam oferecer uma cotação muito boa, mas é melhor evitá-los – se te derem um golpe, você não terá para quem reclamar. Se mesmo assim quiser se aventurar com eles, aqui vão algumas dicas:

  • Diga que está interessado e veja para onde vão te levar. Provavelmente farão a troca dentro de alguma loja. Se quiserem te levar para algum beco, para algum carro ou para alguma sala fechada, diga que está sem o dinheiro e que vai no hotel buscar e já volta (o ideal é passar lá antes sem o dinheiro mesmo para averiguar).
  • Evite trocar muito dinheiro de uma vez. O ideal é trocar notas de 20 e 50 dólares.
  • Tire duas cópias da nota que for trocar, que apareça claramente o número de série. Guarde uma com você e a outra entregue para o cambista junto com o dinheiro. Confira junto dele o número de série da nota e da cópia. É um truque comum pegarem o seu dinheiro, trocarem disfarçadamente por um falso e te devolverem.
  • É impossível conferir se a quantidade de bolívares que estão te dando está correta (no momento que escrevemos este artigo, a maior nota do país é de 100 bolívares, e trocar 20 dólares já significa sair com alguns maços de dinheiro). Fique atento ao volume para ter ideia se está correto ou não. Também confira cada bolo de dinheiro para ver se não tem notas menores no meio (é um truque comum fazerem um maço de notas de 10 e colocarem uma nota de 100 por cima e outra por baixo, para que você pense que todas as notas daquele maço são de 100).
  • Se possível, não vá sozinho.
Mucuvinha com bolívares fuertes
Mucuvinha com o equivalente a 100 dólares em bolívares

Chegando e saindo

O terminal de ônibus mais importante de Caracas é o La Bandera, que oferece ônibus para quase todos os cantos do país.

Para ir às praias próximas à Caracas (e ao aeroporto Marquetía), vá até a estação de metrô Gato Negro e pegue um dos ônibus que vão ao “Caribe” (400 bolívares).

Para ir ao leste (Puerto Ordaz, Puerto La Cruz…), os ônibus costumam sair do terminal Sucre. Para chegar até lá é preciso ir de metrô até a estação Miranda e de lá pegar um ônibus até o terminal.

Para ir à Colônia Tovar, os ônibus saem da estação do metrô La Yaguara (precisa ir até El Junquito, e de lá até a Colônia – 350 e 450 bolívares respectivamente).

O que fazer em Caracas?

  • Museu Casa Natal Simón Bolivar

Passeio obrigarório para quem quer conhecer melhor a história do país e da América Latina: localizado no centro histórico, próximo ao metrô Capitólio, este museu é a casa onde o “El Libertador” Simón Bolívar nasceu. Nela ainda se conservam vários itens originais, além de diversas pinturas sobre a guerra da independência.

A visita é gratuita. Ao lado da casa de Simón Bolivar há um outro museu, também gratuito.

Casa museu Simón Bolivar
Casa onde nasceu Simón Bolívar
  • Centro histórico de Caracas

Bastante movimentado durante o dia, o centro histórico de Caracas é, na nossa opinião, um dos mais bonitos e bem conservados de todas as capitais por onde passamos. É aí que está o museu da casa natal de Simón Bolívar, além da catedral, do capitólio, do teatro municipal e de diversas praças e edifícios históricos.

O centro histórico pode ser percorrido a pé, em uma caminhada entre as estações de metrô Capitólio e La Hoyada.

Centro Histórico de Caracas
Centro Histórico de Caracas
  • Palácio Miraflores

O palácio presidencial. Embora não seja tão imponente nem tão impressionante, merece a visita, já que está a uma pequena caminhada do centro histórico. O local tem forte policiamento, e fotos não são permitidas.

  • Panteón Nacional

Antiga igreja convertida em um mausoléu, onde estão guardados a espada e os restos mortais de Simón Bolívar, além das cinzas e diversas homenagens a outros heróis nacionais da independência.

A entrada é gratuita e é permitido tirar fotos sem flash. O local onde está Simón Bolívar é guardado por soldados.

É possível chegar ao Panteón caminhando desde o centro histórico pelo calçadão que passa na frente da catedral, ou pegando um ônibus na Avenida Baralt.

Ao lado do Panteón está a biblioteca nacional, outra edificação muito bonita.

Panteón Nacional, onde estão os restos mortais de Simón Bolívar
Panteón Nacional, onde estão os restos mortais de Simón Bolívar
  • Teleférico

O famoso teleférico de Caracas já foi um dos passeios preferidos de todos os turistas por oferecer belas vistas da cidade, mas hoje é frequentado quase que exclusivamente por venezuelanos. O motivo? O preço absurdo de 15 dólares que estão cobrando dos estrangeiros.

Teleférico de Caracas
Teleférico de Caracas

Se mesmo assim quiser ir conhecê-lo, pegue um metrô até a estação Los Engineros, e de lá um ônibus até o teleférico (não é longe, mas é melhor ir de ônibus porque a região não é das mais seguras).

O pagamento só pode ser feito com cartão, portanto certifique-se que o seu esteja habilitado para funcionar no país.

  • Plaza Venezuela e Boulevard Sabana Grande

Para conhecer de verdade a vida dos caraquenhos, pegue um metrô até a Plaza Venezuela e, a partir dela, siga caminhando pela Boulevard Sabana Grande até a estação Chacaito. Este fervilhante calçadão guarda inúmeras lojas, shoppings e restaurantes, além de muita cultura local.

Boulevard Savana Grande, Caracas
Boulevard Savana Grande
  • Cidade Universitária de Caracas

Já bastante descuidada (e, em algumas partes, até parece abandonada), a Cidade Universitária de Caracas não impressiona tanto, mas sua importância não deixa de ser relevante: seu campus foi implantado por Simón Bolívar ainda no período colonial, e os atuais edifícios foram erguidos seguindo o modernismo arquitetônico dos anos 1940 a 1960. Considerado uma obra artística viva, a Cidade Universitária de Caracas é hoje um dos Patrimônios da UNESCO da Venezuela.

É facilmente acessada de metrô, a partir da estação Ciudad Universitária. Lá dentro há um hospital com bastante movimento, o que torna o local seguro para visitar mesmo em períodos não letivos.

Cidade Universitária de Caracas (UCV)
Cidade Universitária de Caracas – bonita, mas abandonada.
  • Paseo Los Próceres

Uma bonita praça, com um grande espelho de água e algumas homenagens a heróis nacionais. O Paseo Los Próceres pode ser facilmente visitado pegando um ônibus em frente à estação do metrô El Valle. Qualquer ônibus que venha escrito I.P.F.S.A. passa por ali.

No local também há alguns tanques de guerra e um shopping luxuoso, onde há uma churrascaria de rodízio (se quiser matar as saudades do Brasil).

Paseo Los Próceres, Caracas
Paseo Los Próceres
  • Torre de David

Este não é realmente um ponto turístico, mas você provavelmente verá esta torre em Caracas, e sua história é interessante.

O Centro Financeiro Confinanzas, popularmente conhecido como Torre de David, tem 45 andares, e seria um dos maiores arranha-céus da América do Sul. Sua construção acabou sendo abandonada em 1994, após uma forte crise bancária e a morte de seu principal investidor (David).

Não demorou e o edifício foi invadido por famílias sem-teto. No seu auge, chegou a abrigar quase 5 mil pessoas, o que o transformou na maior favela vertical do mundo.

Torre de David, antiga maior favela vertical do mundo
Torre de David, antiga maior favela vertical do mundo

A partir de 2014, uma operação do governo foi aos poucos transferindo aquelas pessoas a novas vivendas populares que foram construídas. Hoje o edifício se encontra totalmente desocupado, mas seu destino ainda é incerto.

A Torre de David fica em uma região privilegiada próxima ao metrô Bellas Artes, e pode ser vista de longe de vários pontos de Caracas.

É isso pessoal! Para quem ainda não conhece Caracas, esperamos que possam ter a oportunidade de visitá-la. Para quem já conhece, sintam-se a vontade de dar dicas de outros lugares bacanas que não mencionamos! 🙂

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5 comentários sobre “O que fazer em Caracas – a bela capital venezuelana

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