Nosso mochilão na Argentina – dicas, fotos, resumo dos gastos, etc!

Depois de quase 6 meses de idas e vindas, finalmente deixamos a Argentina para trás. Aqui deixamos nosso resumo dos gastos, trajeto, algumas fotos e várias dicas para quem pretende visitar nossos “hermanos”!

Referência (março 2016):
1 real = 4 pesos argentinos


 

Nosso recorrido

Nossa rota pela Argentina
Trecho que percorremos pela Argentina

Grande parte deste caminho fizemos de carona com 49 veículos diferentes, incluindo carro dos correios, trator, caminhão e carros particulares:

Caronas no nosso mochilão pela Argentina
Trechos na Argentina que recorremos de carona

Se fôssemos fazer a viagem de novo, percorreríamos tudo de carona. Quando começamos, ainda tínhamos um pouco de receios, mas agora só viajamos assim!
Confira nosso post explicando como é viajar de caronas aqui.

 

Aqui está a lista das principais cidades e lugares que visitamos:

Monumento à bandeira, em Rosário, Argentina.
Monumento à bandeira, em Rosário, Argentina.

Queríamos muito conhecer a região norte deste país, mas infelizmente tivemos que pular por uma questão de tempo (temos que chegar ao México até outubro para a Fiesta de los Muertos!). Fica para uma próxima viagem! 😀

Não deixem de ler nossa lista dos Top 10 clicando aqui!

Gastos, hospedagens e mais números:

  • 121 dias (119 noites – duas vezes dormimos no Chile)
  • 7244,75 reais
  • média: 60 reais/dia

Aqui vai a divisão dos gastos:

  • hospedagem: R$: 1329,6
  • transporte: R$: 1772,65
  • supermercado: R$: 3040,94
  • restaurante: R$: 435,7
  • passeios: R$: 434,4
  • outros: R$: 231,46

Por dia, nossa média ficou assim:

  • hospedagem/dia: R$: 10,99
  • transporte/dia: R$: 14,65
  • mercado/dia: R$: 25,13
  • restaurante/dia: R$: 3,60
  • passeios/dia: R$: 3,59
  • outros/dia: R$: 1,91
Gastos do nosso mochilão pela Argentina
Divisão dos nossos gastos pela Argentina

*Todos os gastos são para o casal, e não por pessoa!

Graças a ajuda de muitas pessoas que conhecemos, ao Couchsurfing e ao fato de haver muitos lugares grátis para acampar, nós gastamos com hospedagem somente em 28 das 119 noites que dormimos por lá!

Em Bariloche também trabalhamos quase 1 mês em troca de hospedagem e comida:

gastos hospedagens
Hospedagens pagas x gratuitas

 

A divisão de onde dormimos ficou assim:

  • Couchsurfing: 22
  • Amigos: 27
  • Camping: 21 (4 foram grátis)
  • Camping selvagem: 8
  • Trabalho: 26
  • Hotel/hostel: 11
  • Rodoviária: 1
  • Ônibus: 3
distribuição hospedagens
Gráfico de onde nos hospedamos

Inflação

A inflação na Argentina costuma ser bem alta por conta da crescente desvalorização do peso argentino. No momento em que escrevemos este artigo, 1 real valia 4 pesos. Se, quando estiver lendo, o real estiver valendo mais, pode ter certeza que os preços indicados aqui subiram também na mesma proporção.

Dinheiro

O real é bem valorizado em alguns lugares na Argentina, principalmente perto das fronteiras ou em Buenos Aires (lá o real vale, proporcionalmente, mais que o dólar).

Se for mais para o sul, o ideal é levar dólares. No Ushuaia, as casas de câmbio compravam reais por um valor 30% abaixo do câmbio oficial.

Ponte sobre o rio Paraná, que liga Corrientes à província do Chaco.
Por-do-sol no rio Paraná, que liga Corrientes à província do Chaco.

Filmes

O cinema argentino sempre produziu filmes de excelente qualidade, e todos os anos estão na briga pelo Oscar de melhor filme estrangeiro.

Aqui estão dois que recomendamos:

  • O Segredo dos seus Olhos (ganhador do Oscar de 2010)
  • Relatos Selvagens (indicado ao Oscar de 2015)
Cabo Domingo, na Terra do Fogo
Visão que se tem de cima do morro do Cabo Domingo, Tierra del Fuego

Músicas

Argentino vive de tango?

Isso é para os turistas que visitam Buenos Aires! O que pega na atualidade é principalmente o Rock, a Cumbia e o Reggaeton.

Comparilhamos aqui o clássico “Carnaval toda la vida”, gravado pelo Projeto Playing For Change com vários músicos de rua. O clipe é bem bacana porque mostra muito da cultura e das paisagens. Vale a pena dar uma conferida!

https://www.youtube.com/watch?v=KbXFL6i9aws

Comida

Carne. É barata (em comparação ao Brasil), de excelente qualidade e é o prato preferido da maioria dos argentinos.

Se você é vegetariano, vai sofrer um pouco por aqui: vegetais são caros e bem limitados. No nordeste (nesta parte perto do Brasil e do Paraguai) há uma boa oferta de frutas e verduras, mas a medida que vai descendo a qualidade vai caindo (e os preços subindo!).

A maioria dos argentinos adora um bom churrasco (que é chamado de “asado” por lá), que pode ser feito tanto com cortes nobres como com algumas partes não muito apreciadas no Brasil, como intestino, rim e coração. Outra distinção é que eles fazem o churrasco com brasa (e não com fogo, como é mais comum em nosso país), e costumam usar lenha em vez de carvão.

 

"Asado", o churrasco argentino
“Asado” feito com brasa – à moda Argentina!

Também é muito comum comer pizza na Argentina. Se um argentino te convidar para almoçar em sua casa, a probabilidade de que ele faça um assado ou uma pizza é altíssima.

Bebidas

As bebidas mais consumidas na Argentina são a cerveja e o Fernet.

Um pouco diferente do Brasil, na Argentina não é comum o pessoal comprar latinhas, mas sim garrafas de 1 litro. A explicação é simples: uma lata de 350ml custa praticamente o mesmo preço de uma garrafa de 1 litro da mesma cerveja.

A cerveja mais popular é a Quilmes, embora o pessoal diga que ficou muito ruim depois que a AmBev comprou. A alternativa é a Imperial, que é um pouco mais cara mas, segundo dizem, tem o sabor da Quilmes original.

Acampando na Terra do Fogo
Comendo e tomando de tudo com amigos que fizemos pelo caminho! Tierra del Fuego, Argentina.

O Fernet, para quem não conhece, é um destilado de ervas bem amargo. É comum tomar misturado com coca-cola e bastante gelo (mistura essa conhecida por Fernet-Cola) e é consumida em toda a Argentina, principalmente na região de Córdoba. É estranho da primeira vez, mas com o tempo acabamos viciando nessa bebida!

Para quem quiser experimentar, a melhor marca de Fernet (segundo o pessoal que conhecemos) é a “Fernet Branca”.

Ah, e claro, não poderíamos deixar o vinho de lado! Até os baratos são de boa qualidade. Enquanto no Brasil jantar com vinho é coisa de gente “chique”, por lá muita gente usa para encher a cara mesmo.

Cacheuta, Mendoza
Tomando um vinho barato em Cacheuta, Mendoza

Vale lembrar que na Argentina é proibido beber na rua. Você não vai ser multado nem preso se for pego bebendo, mas provavelmente vão te mandar jogar a bebida fora.

O Mate

Podemos contar nos dedos os argentinos que conhecemos que não tomavam mate. Os outros 99% andavam sempre com sua cuia, sua erva e sua garrafa térmica com água quente na mão. Alguns misturam açúcar, mas a maioria toma amargo mesmo.

Em geral o mate se toma em grupo, mas cada um toma até o fim antes de passar para o próximo, que deve recarregar com água e seguir o ritual.

Cerro Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares, El Chaltén, Argentina.
Parque Nacional Los Glaciares

Maconha

É proibido no país, mas você com certeza vai ver bastante gente fumando. A sociedade aceita bem, e a polícia costuma fazer vista grossa.

As leis quanto ao uso da erva são bem controversas – é permitido consumir, mas é proibido portar (???).

Todos dizem que a maconha estava bem perto da legalização, mas agora que trocaram para um governo de direita fica difícil saber qual vai ser o futuro desta história.

Mucuvinha com um dinossauro em Neuquén
Museu de dinossauros em Plaza Huincul, perto de Neuquén

Segurança

Consideramos o país bem seguro, mesmo em Buenos Aires. Dizem que o norte é mais perigoso (não passamos por lá para confirmar). O sul, por toda a Patagônia, é extremamente seguro. Acampávamos em qualquer lugar sem medo.

Acampando em Bajo Caracoles
Nós e um mochileiro chileno acampando nos fundos da pequena cidade de Bajo Caracoles

Viajar pela Argentina

O país parece que foi feito para mochileiros. E não é para menos: os argentinos adoram viajar desta forma, tanto os jovens quando o pessoal com mais idade.

Em praticamente toda cidade há um camping municipal (alguns são grátis inclusive, e fornecem todos os serviços) e vários particulares. Somente nas grandes cidades pode ser mais complicado encontrar este tipo de alojamento.

Camping em Carlos Pellegrini, nos Esteros del Iberá
Visita de uma capivara ao nosso acampamento, nos Esteros del Iberá

Os Parques Nacionais também costumam ter regras bem flexíveis para quem quer acampar lá dentro (e raramente cobram por isso), o que torna a barraca um item quase obrigatório para quem quer curtir o país ao máximo.

Quem não tem barraca pode ficar tranquilo também: há hoteis e hostels para todos os bolsos em qualquer lugar.

Carona

No geral é bem fácil e seguro. Todos levam: caminhoneiros, carros particulares, ambulâncias, carros dos correios, etc. O único problema é que em algumas estradas (como na ruta 40 ao sul) o movimento de veículos é bem baixo. Pode ser que você fique esperando umas 2h até passar um carro.

Carona com caminhão na Argentina
Com Hernán, caminhoneiro que nos deu carona de Rosário a Río Cuarto e futuramente se tornou um grande amigo!

Em lugares com muito turismo também é comum encontrar várias pessoas pedindo carona, o que pode ser complicado por causa da concorrência.

Transporte

As passagens de ônibus e avião são caras na Argentina. No norte e próximo a Buenos Aires, as passagens de ônibus custam mais ou menos o mesmo preço que no Brasil. Para o sul o preço vai aumentando, e na patagônia chega a custar o dobro, ou até o triplo pela mesma distância.

Viajar de trem pode ser uma boa pedida por lá. Estes são muito baratos, e aos poucos a malha ferroviária está sendo recuperada. O único problema é que as passagens costumam se esgotar rápido, portanto tente comprar com antecedênia.

Você pode consultar informações sobre os trens nestes sites:

www.sofse.gob.ar
www.cnrt.gob.ar/trenes-de-pasajeros

Dentro da cidade, os ônibus municipais costumam ser bem baratos (em Buenos Aires uma passagem custava menos que 1 real), mas o novo governo anunciou que vai cortar os subsídios, e isso deve fazer os preços dispararem…

Aqui explicamos como funciona o transporte público em Buenos Aires.

El Bolsón, o paraíso hippie da Argentina
Vista da cidade de El Bolsón

Polícia

Escutamos muitas reclamações de pessoas que viajam de carro reclamando que a polícia argentina é corrupta.

Nós nunca tivemos nenhum problema. Muito pelo contrário: a polícia sempre foi muito educada conosco e nos ajudou quando precisamos (inclusive nos ajudavam a pedir carona).

Preços

Os preços são muito parecidos com os do Brasil. Produtos de higiene, como sabonete, desodorante, shampoo, etc, costumam ser um pouco mais baratos na Argentina. Eletrônicos e equipamentos de camping são caríssimos (se está pensando em comprar um celular por lá, esqueça).

A comida e as bebidas custam praticamente a mesma coisa, com uma pequena variação.

Restaurantes baratos praticamente não existem (muito difícil comer um PF de 10 reais por lá), mas os chiques costumam ser mais baratos que um equivalente do mesmo nível no Brasil.

Quanto à hospedagem, uma cama em um hostel custa em torno de 150 pesos (no Ushuaia pode chegar a 300), e um quarto simples de casal roda na faixa de 300 a 400 pesos.

Para os preços também vale a regra: quando mais ao sul, mais caro. Também fique atento nas cidades petroleiras, que também costumam ser caríssimas.

Confira aqui nossas dicas de como viajar pela Patagônia gastando pouco.

Caminho para a Cueva de las Manos
Vale do rio Pinturas, próximo à Cueva de las Manos.

Pessoas

Por sorte, a rivalidade entre brasileiros e argentinos está somente no futebol. No mais, fomos muito bem recebidos em todos os lugares (mesmo em Buenos Aires, onde o povo tem fama de ser antipático). Inclusive, fizemos grandes amizades que devem durar para sempre!

Ah, e prepare-se para responder a pergunta “Pelé ou Maradona?” toda vez que conhecer alguém!

Mucuvinha na antiga residência de Che Guevara em Rosário
Antiga residência de Che Guevara em Rosário

Idioma

O espanhol da Argentina possui algumas singularidades:

  • O “ll” e o “y” tem o mesmo som do “j” em português (ou do “ch”, em Buenos Aires), e o “v” tem o mesmo som de “b”.
    Assim, “yo” (eu), “lluvia” (chuva) e “llave” (chave) soam como ““, “jubia” e “jabe” (ou, em Buenos Aires, “chô“, “chubia” e “chabe“).
  • A palavra para “você” é “vos” (e não “tu” ou “usted”), e também usa uma conjugação própria (que você vai acabar aprendendo com o tempo). Assim, “você tem” fica “vos tenés”.
  • Você vai ouvir muito “chê” aqui, que é uma expressão parecida com o “mano” de São Paulo.
  • Os argentinos também usam muito a palavra “boludo”, que pode ser tanto um xingamento leve quando uma forma de tratar os amigos mais chegados.
Mirante do cerro Aconcágua
Mirante do cerro Aconcágua

O que mais você precisa saber

  • Em praticamente nenhuma cidade os ônibus municipais aceitam dinheiro. É tudo com cartão de transporte mesmo (que pode ser diferente em cada lugar). Se precisar pegar um ônibus e não tiver cartão, é comum pedir que alguém passe o cartão para você e depois dar o dinheiro para a pessoa.
  • Troco na Argentina é complicado, principalmente com moedas. É comum arredondarem os centavos inteiros (tanto para mais quanto para menos). Se você é daqueles que brigam por causa de 5 centavos, vai passar alguns momentos de raiva por lá.
  • Nas rodoviárias das regiões mais pobres, é comum dar uma gorjeta para o pessoal que ajuda a pegar as malas dos ônibus (estes não são funcionários, e fazem isso para ganhar uns trocados). O pessoal costuma dar de 2 a 5 pesos.
  • Em muitos lugares na Argentina os supermercados não dão sacolas (como uma medida de proteger o meio ambiente). Leve sempre a sua.

Esperamos que nosso post seja útil para ajudar a planejar sua viagem por este belíssimo país! 🙂

Acompanhe nosso mochilão de volta ao mundo e confira várias dicas bacanas em nossa página do face!
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46 comentários sobre “Nosso mochilão na Argentina – dicas, fotos, resumo dos gastos, etc!

  1. Muito bacana! Estou planejando fazer um mochilão pela Patagônia, então estou procurando dicas boas como estas para traçar melhor o caminho. Vai ser meu primeiro mochilão!
    Vocês indicam que se viaje em grupo por lá?
    Agradeço!

    1. Olá Raul! Muito legal ter escolhido a Patagônia como primeiro mochilão!
      Sobre viajar em grupo ou sozinho, pode ir tranquilo das duas formas. A Patagônia é uma das regiões mais seguras do mundo, portanto se precisar ir sozinho pode ir sem medo. Além do mais, há muitos mochileiros por lá, e você dificilmente ficará sozinho no fim das contas. Nos hostels e nos campings sempre conhecerá pessoas para percorrerem parte do caminho juntos!

      Boa viagem, temos certeza que vai ser o primeiro de muitos mochilões!

    1. Olá Victoria!
      Dá pra viajar sem falar espanhol sim. Recomendamos que tente dar uma estudada usando o Duolingo (grátis), foi assim que aprendemos o básico. Não que não seja possível viajar sem falar nada, mas acho que falando o idioma vai conseguir aproveitar muito mais da viagem e fazer mais amigos! 🙂

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