Mochilão pela Bolívia – roteiro, gastos, dicas, fotos, etc

Culturas riquíssimas, sítios arqueológicos, selvas e montanhas de tirar o fôlego (literalmente): assim é a Bolívia, nosso vizinho que, aos poucos, vai encantando mais e mais turistas brasileiros que se aventuram por suas tortuosas estradas!

Referência (maio/2016)

1 real = 1,90 bolivianos

Bolívia

A Bolívia é um país de contrastes. Enquanto que, economicamente, é um dos países mais pobres da América, culturalmente é, talvez, o mais rico. Diferente de alguns países que mantém as tradições para ganhar um trocado dos turistas, aqui as pessoas seguem praticando seus costumes milenares alheios aos flashes dos turistas que passam.

Para os fãs de história e arqueologia, por aqui viveram civilizações importantes, e muitos estudos indicam que o Império Inca teria nascido nesta região. Hoje, muitas de suas ruínas são reconhecidas como Patrimônios da Humanidade pela UNESCO.

Ruínas de Samaipata, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO
Ruínas de Samaipata, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO

Não curte nada disso? Tudo bem: as belas paisagens de montanhas, desertos de sal e a incrível selva tropical devem te encantar. Para quem curte praia, infelizmente, o país fica devendo. A Bolívia segue na luta para recuperar o acesso ao mar que foi perdido para o Chile durante a Guerra do Pacífico, mas por enquanto sem sucesso.

Passamos apenas 29 dias neste país, mas temos certeza que voltaremos a visitá-lo. A tanto para se ver que 1 mês é pouco!

Lugares e experiências que passamos

  • Cruzamos a imensidão do Salar do Uyuni.
  • Visitamos Potosí, a cidade que já foi a mais rica do mundo.
  • Assistimos às violentas lutas no Festival de Tinku, um ritual com origens pré-colombianas.
  • Caminhamos pelo Fuerte de Samaipata, sítio arqueológico inca tombado como Patrimônio da UNESCO.
  • Conhecemos belíssima Sucre, cidade onde foi firmada a independência da Bolívia.
  • Vivenciamos o dia-a-dia na caótica La Paz, a capital mais alta do mundo.
  • Navegamos até a Isla del Sol pelo surpreendente Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo.

Aqui está nosso roteiro:

Mapa da nossa passagem pela Bolívia
Mapa da nossa passagem pela Bolívia

 

Aqui estão os números de nossa viagem pela Bolívia:

  • 29 dias
  • 2429,27 reais gastos
  • apenas 1 carona

Sobre os gastos, ficou assim:

  • total: R$ 2429,27
  • hospedagem: R$ 740,04
  • transporte: R$ 290,4
  • supermercado: R$ 410,80
  • restaurante: R$ 251,10
  • outros: R$ 255,49
  • passeios: R$ 481,45
Gráfico com a distribuição dos nossos gastos na Bolívia
Gráfico com a distribuição dos nossos gastos na Bolívia

A média diária ficou:

  • média: R$ 83,77/dia
  • hospedagem: R$ 25,52/dia
  • transporte: R$ 10,01/dia
  • mercado: R$ 14,17/dia
  • restaurante: R$ 8,66/dia
  • outros: R$ 8,81/dia
  • passeios: R$ 16,60/dia

Sobre as hospedagens, ficamos assim:

  • hotel/hostel: 25
  • camping: 2
  • ônibus: 2
  • CouchSurfing: 0
  • trabalhando: 0
  • camping selvagem: 0
  • amigos: 0
Gráfico com as nossas hospedagens na Bolívia
Gráfico com as nossas hospedagens na Bolívia

Como podem ver, tivemos apenas duas hospedagens grátis, que foram as que dormimos no ônibus noturno. 2 das 25 noites em hostels acabaram entrando para a contabilidade do Chile, pois estavam incluídas no passeio do Salar do Uyuni, que contratamos com uma empresa em San Pedro de Atacama.

Quero explicar um pouco estes números – não é que não seja possivel cosneguir hospedagens grátis na Bolívia. Até recebemos alguns convites, mas eram em lugares por onde não passamos por pressa (nos deram visto de apenas 30 dias).

Na Bolívia também é possível acampar na beira da estrada tranquilamente (exceto nas áreas próximas às cidades grandes), mas evitamos porque nossa barraca havia perdido a impermeabilidade.

Árvore de Pedra no Deserto de Siloli
Árvore de Pedra no Deserto de Siloli

Sobre CouchSurfing, é possível e até bem eficiente, mas nosso problema aqui foi conseguir acesso à internet: estamos viajando sem celular, e dependemos de sinal de wi-fi para estar conectado. Ainda que ficamos em muitos estabelecimentos com wi-fi, a conexão era tão lenta que mal conseguíamos usar alguma coisa.

E, por último, acho que o fato da hospedagem ser barata fez com que relaxássemos um pouco. Se tivéssemos mantido a disciplina que tivemos na Argentina e no Chile, sem dúvidas teríamos gastado bem menos dinheiro.

Agora, tudo o que você precisa saber para ir à Bolívia!

Crianças brincando com pombos em La Paz
Crianças brincando com pombos em La Paz

Preços

A Bolívia é, provavelmente, o país mais barato da América do Sul depois da Venezuela. Isso não quer dizer, necessariamente, que você vai gastar pouco por aqui. De fato, foi o país onde a nossa média diária foi mais alta até agora (depois do Uruguai).

O grande problema é que, aqui, tudo é pago: banheiro, rodoviária, museu, reserva ecológica, entrada para ver ruína, etc.

Outra coisa que te faz gastar uma boa grana aqui é justamente o fato de ser barato. Tivemos uma despesa grande em “outros”, que é onde incluímos principalmente os gastos com manutençãoe reposição das nossas coisas. Aproveitamos a Bolívia para trocar as roupas rasgadas por roupas novas, para impermeabilizar a barraca e fazer algus remendos nas mochilas.

Mais uma coisa: viajamos com pressa pelo país, coisa que não fizemos antes. Enquanto que, na Argentina ou no Chile, perdíamos um dia esperando uma carona, na Bolívia acabávamos pegando um ônibus (que são baratos, mas não são grátis como uma carona).

Sucre, a "cidade branca", considerada a cidade mais bonita da Bolívia
Sucre, a “cidade branca”, considerada a cidade mais bonita da Bolívia

Vamos contar como são os gastos por aqui:

  • Hospedagens: Há para todos os bolsos. Para quem está economizando ao máximo, um hostel costuma sair por algo entre 20 e 30 bolivianos por pessoa. Um casal consegue um quarto privado por algo entre 40 e 60 bolivianos tranquilamente (praticamente o mesmo preço que se ficassem os dois em um quarto com camas compartilhadas).
    Em regiões mais baratas, é possível conseguir hospedagem de até 10 bolivianos por pessoa.
    Nas regiões de selva, há campings, que podem custar desde 5 bolivianos por barraca até 20 bolivianos por pessoa.
  • Mercado: frutas, verduras, legumes e grãos costumam ser bem baratos. Roupas nacionais e artesanatos também são bem econômicos.
    Produtos industrializados, como pasta de dente, protetor solar, sabonete, etc geralmente são bem caros. Vale a pena comprar essas coisas em outro país.
  • Transporte: Os ônibus na Bolívia são baratos, e há de diversas qualidades. Em uma viagem de 12h, por exemplo, a passagem fica entre 30 bolivianos (ônibus velho) e 60 bolivianos (leito).
    Aqui estão os gastos que tivemos nos nossos deslocamentos:
    Uyuni – Potosí: 30 bolivianos por uma viagem de 6h. Chorando conseguimos por 20 (ônibus velho).
    Potosí-Macha: 20 bolivianos para 6 horas de viagem (sem negociação). Ônibus velho.
    Macha-Sucre: 30 bolivianos para 6 horas de viagem (sem negociação). Ônibus velho.
    Sucre-Samaipata: 50 bolivianos para 11h de viagem. Chorando conseguimos fazer os dois por 50 (ônibus velho).
    Samaipata-Santa Cruz: 20 bolivianos para 4h de viagem (sem negociação).
    Santa Cruz – Cochabamba: 40 bolivianos para 11h de viagem. Chorando conseguimos por 35. Ônibus semi-leito.
    Cochabamba-La Paz: 30 bolivianos para 6h de viagem (sem negociação). Ônibus leito de luxo.
    La Paz – Copacabana: 20 bolivianos para viagem de 5h. Chorando conseguimos por 18. No meio do caminho tem que pagar mais 2 bolivianos para cruzar uma parte do lago.
    Copacabana – Puno (Peru): 30 bolivianos para uma viagem de 3h (sem negociação). Ônibus ok.
    Uma passagem interna na cidade custa entre 1 e 2 bolivianos, dependendo da cidade. Um táxi em La Paz vai cobrar entre 5 e 15 bolivianos.
  • Restaurantes: Comer na Bolívia é barato. Inclusive, em algumas situações um restaurante pode sair mais barato que comprar comida para fazer em casa.
    Os mais econômicos saem entre 10 e 15 bolivianos. Em cidades como La Paz e Potosí, por exemplo, é possível encontrar pratos por apenas 7 bolivianos.
    Se quiser comer em um lugar for gringos, vai pagar algo como 50 bolivianos por pessoa.

    Mercado de Sucre
    Comendo no mercado de Sucre por 9 bolivianos
  • Passeios: Praticamente todos os passeios na Bolívia são pagos. Uma entrada a um museu fica ente 5 e 30 bolivianos. Para entrar em um sítio arqueológico, espere pagar entre 20 e 80 bolivianos, dependendo da magnitude do lugar.
    Como o transporte público na Bolívia não é dos mais eficientes, alguns lugares só são acessíveis com excursões ou pegando um táxi.
  • Bebidas: A cerveja não é das mais baratas aqui: uma garrafa de 600ml da mais barata custa algo entre 15 e 20 bolivianos. Destilados custam um pouco mais caro que no Brasil.
  • Outros gastos: Todos os banheiros públicos são pagos, e custam entre 50 centavos e 2 bolivianos.
    Se for pegar um ônibus em um terminal, é preciso pagar separado a taxa de embarque, que custa de 1 a 4 bolivianos, dependendo do terminal.
    Uma garrafa de 2 litros de água custa de 5 a 7 bolivianos.
    Um pão custa entre 30 e 50 centavos.

Câmbio

Nas cidades grandes, é possível trocar praticamente qualquer dinheiro. Se levar reais, espere perder algo em torno de 10% na conversão.
Dólares e Euros são os mais aceitos: geralmente pagam muito perto da cotação oficial em qualquer lugar.

Teleféricos em La Paz - transporte de primeiro mundo
Teleféricos em La Paz – transporte de primeiro mundo

Polícia

Escutamos várias reclamações sobre a polícia ser corrupta na Bolívia, principalmente a rodoviária e a da imigração.
De nossa parte, não podemos reclamar de nada: a imigração na Bolívia (tanto de entrada quanto de saída) foi a mais tranquila até agora, e em nenhum momento fomos abordados por nenhum policial durante nossa estadia. Aos que pedimos informações, todos foram bem simpáticos e atenciosos.

Pachamama

Você vai ouvir muito este termo por aqui. É como os povos antigos chamavam a “mãe-terra”. É comum um boliviano jogar um pouco de sua bebida no chão como oferenda à Pachamama.

Bebidas

Quem passa pela Bolívia deve experimentar:

Cocoroco: Esta é, provavelmente, a bebida alcoolica mais forte do mundo: teor de 96°! Tomar uma tampinha já é suficiente para queimar até a alma.
É barato e vende com o rótulo de “alcool potable”. Geralmente se toma isso misturado com alguma coisa durante os rituais, ou é servido como oferenda à Pachamama.

Uma garrafa de Cocoroco, possivelmente a bebida mais forte do mundo
Uma garrafa de Cocoroco, possivelmente a bebida mais forte do mundo

Chicha: é uma bebida azeda, feita de milho, que não conseguimos entender se é alcoolica ou não. Diz a lenda que o milho é mascado e cospido, e a fermentação acontece por conta da saliva. Melhor não pensar muito nisso…
A chicha é muito consumida durante festivais, mas pode ser encontrado a venda em qualquer cidade.

Herbido: Bebida vendida pelas ruas de qualquer cidade. Pelo que entendemos, é uma água fervida com alguma fruta (geralmente pêssego ou abacaxi). É comum colocarem a fruta dentro do copo antes de servir.

Chá de coca: Chá feito com as folhas de coca. Apesar de ter a mesma origem, tomar o chá não tem nada a ver com cheirar cocaína: seria preciso comer 1kg de folhas de coca para sentir o efeito de chegar 1g da droga.

O chá de coca é muito apreciado na região andina, e ajuda a amenizar os efeitos da altitude. Se quiser fazer o chá, basta jogar algumas folhas de coca (estas se compram em qualquer lugar) em um copo com água fervendo e adicionar açúcar.

Água

Não é recomendado tomar água da torneira em nenhum lugar na Bolívia, a menos que tenha como fervê-la.

Mesmo na natureza e nos parques nacionais, só é recomendável tomar água dos rios de tiver uma pastilha purificadora.

Rede elétrica

A maioria das tomadas são de dois furos redondos, iguais as do Brasil. Não vimos nenhuma tomada de 3 pinos por lá.

A rede elétrica, no geral, é de 220V e 50Hz.

Belíssima igreja em Copacabana, Bolívia
Belíssima igreja em Copacabana, Bolívia

Carona

É possível viajar a Bolívia inteira de carona, mas não é muito fácil. O problema é que poucos bolivianos possuem carros, e com isso as estradas são pouco movimentadas. Os caminhoneiros costumam usar seus caminhões como uma forma de transporte público informal: eles param, mas provavelmente vão cobrar. Convém aclarar isso antes de entrar no veículo.

Outra complicação para viajar de carona é que as estradas não são muito boas. Alguns lugares, se tarda 10h para andar apenas 300km. Nestes casos, pode ser mais interessante comprar uma passagem de ônibus noturno e ir dormindo do que correr o risco de levar uns 2 ou 3 dias para andar este mesmo percurso de carona.

Para curtas distâncias, a carona pode ser uma boa maneira para economizar uma graninha com o táxi: os carros particulares não terão problemas em te levar se sobrar espaço no carro.

Se quiser dicas de carona, leia nosso post sobre o assunto aqui.

Estas pequenas vans são os "ônibus" de La Paz
Estas pequenas vans são os “ônibus” de La Paz

O povo

O povo boliviano, no geral, é um povo honrado e trabalhador. Alguns podem parecer fechados à primeira vista, mas quando ganham confiança são bem calorosos. Apesar das muitas recomendações que dão aos que vão à Bolívia, não achamos o boliviano nem um pouco malandro (apesar de um ou outro tentar subir o preço dos produtos para os estrangeiros).

O que pode acontecer, principalmente em povos muito pequenos e tradicionais, é que alguns tenham certa aversão a gringos. Embora seja a minoria, às vezes acontece de você chegar a um estabelecimento e não ser bem atendido (a fisionomia deles é bem característica, e se nota de longe quem é extrangeiro). Este gelo geralmente se quebra, porém, quando você menciona que é brasileiro – aí eles se tornam muito mais simpáticos e receptivos, e podem até te convidar a ir tomar uma cerveja.

Diferente do que a mídia adora propor, o Tinku não se trata de violência, mas sim da sobrevivência de uma belíssima cultura ao massacre ocidental.
Bolivianos com suas roupas típicas para o Tinku

De fato, tivemos a impressão que o Brasil é considerado um país exemplo para eles. Muitas pessoas com as quais conversamos se orgulhavam te ter parentes trabalhando em São Paulo. Mesmo nas propagandas na televisão, quando querem dizer que um produto é de boa qualidade, enfatizam que o produto tem “calidad brasileña”.

Por fim, a maioria na Bolívia é de etnia indígena, e você vai se encantar em como suas raízes foram mantidas. Para nós, tudo é impressionante, desde as vestimentas até a forma de carregarem os bebês (enrolados nas costas das mães).

Drogas

Apesar de o país ser famoso produtor de maconha e cocaína, e de ser relativamente fácil encontrar estas drogas para comprar, seu porte ou consumo é punido com severidade, não importa se você é extrangeiro ou não. Além disso, a sociedade é bastante conservadora com este tema. Melhor não arriscar.

Comida

A base da comida boliviana é muito parecida com a brasileira: arroz, salada e carne (que pode ser de vaca, porco ou frango). Em regiões próxima a lagos, a truta e outros pescados é bastante comum também.

Geralmente é servida uma sopa antes do prato principal. Se pedir sem a sopa, é capaz de conseguir um desconto de 1 ou 2 bolivianos.

Prato típico boliviano
Prato típico boliviano

Outros pratos comuns são o “pique-macho” (uma mescla de legumes e salsichas, podendo ter também carne moída) e o “pollo broaster”, um frango assado que vem geralmente acompanhado por batatas-fritas.

A comida no país é muito barata, tanto nos mercados quanto nos restaurantes.

Idioma

A Bolívia possui mais de 30 idiomas oficiais, sendo os principais: o espanhol, o quechua, o guarani e o aymara.

De forma geral, o espanhol falado pelos bolivianos é fácil de entender e gostoso de escutar. O “ll” tem o mesmo som do nosso “lh” e o “y” tem som de “i”. Alguns bolivianos podem ter dificuldades com o “rr”, e o som acaba saindo parecido ao “z”. Assim, a palavra carretera (estrada), por exemplo, pode soar como “cazetera”.

Nos povoados mais tradicionais, onde a língua principal não é o espanhol, a comunicação pode ser um pouco mais difícil. Embora não tenhamos conhecido nenhum boliviano que não falasse castelhano, alguns tinham bastante dificuldade com o idioma, e mesclavam palavras de seu idioma tradicional durante a conversa.

Depois do Tinku, a paz voltou a reinar, e este menininho pôde comer sua cana tranquilamente pelas ruas de Macha
Criança boliviana comendo cana em Macha

Filmes

Um filme interessante para conhecer um pouco da Bolivia é o “Até a Chuva”, filme baseado em fatos reais que trata de um período duro no país. Uma dupla de cinegrafistas havia ido à Bolivia para fazer um filme sobre Colombo, mas chegaram justo em no momento em que a água havia sido privatizada. Neste período, tomar água da chuva, por exemplo, era considerado crime, o que gerou grandes revoltas da população.

O filme se passa nesse cenário, e mostra um pouco dos pontos absurdos que o capitalismo pode chegar.

Capa do filme Até a Chuva
Capa do filme Até a Chuva

Política e Economia

A Bolívia é um país que está sempre em crise, e revoltas populares (geralmente pacíficas) são muito comuns. É bem possível que você presencie algum movimento quando estiver pelo país.

Historicamente, a Bolívia é um país que nem deveria existir. Antes, tudo isso era território peruano, mas durante o processo de libertação das colônias, a região resolveu declarar sua própria independência. Com um governo frágil e um exército mais frágil ainda, este novo país começou a perder territórios por todos os lados: o Chile tomou seu acesso ao mar, o Argentina estendeu suas fronteiras ao norte, o Paraguai aumentou sua soberania no deserto do Chaco e o Brasil anexou o Acre ao seu território.

Com o passar dos anos, o governo do país, às vezes corrupto, às vezes incompetente, abriu os olhos de muitas empresas privadas de outros países, que aproveitaram para arrancar uma fatia da Bolívia também (como foi o caso extremo da privatização da água, por exemplo).

Caminhando pelos labirintos das Ruínas de Chinkana
Caminhando pelos labirintos das Ruínas de Chinkana, Isla del Sol, Titicaca

Atualmente, o presidente Evo Morales começou a levar o país pelo caminho do socialismo e estatizou grande parte das empresas na Bolívia. Isso, por um lado, acabou com a festa e a exploração extrangeira, mas por outro assustou investidores e deteriorou as relações internacionais deste país.

Hoje, depois de quase 15 anos de governo, as opiniões dos bolivianos sobre seu presidente são diversas. Enquanto, por um lado a Bolívia mantém sua moeda estável e a inflação controlada, por outro os impostos vão subindo e os subsídios vão sendo cortados. E, nessa incerteza, o país segue caminhando a um destino desconhecido.

Esporte

Apesar de não ter as melhores equipes nem a melhor seleção, o esporte número 1 na Bolívia é o futebol.

Um fato curioso que descobrimos é que, por lei, não é permitido que nenhum boliviano tenha um salário superior ao presidente. Isso dificulta muito as negociações internacionais dos jogadores, o que faz com que praticamente nenhum jogador boliviano jogue em equipes estrangeiras.

Quase 500 anos depois, a tecnologia dentro das minas não evoluiu muito.
Trabalhadores das minas de Potosi.

Segurança

Apesar dos muitos alertas que nos passaram, não achamos a Bolívia nem um pouco insegura. Muito pelo contrário: mesmo em La Paz, considerada pelos guias de viagem como uma cidade muito perigosa, víamos gringos caminhando tranquilamente com suas câmeras caríssimas penduradas no pescoço (imaginamos o que aconteceria se andassem assim por São Paulo).

Isso não quer dizer que não se deva ter cautela, mas também não precisa ser paranoico. Basta tomar os mesmos cuidados que se toma no Brasil

Imigração

Muito se fala da corrupção nos postos de imigração bolivianos, mas não tivemos o menor problema nem para entrar nem para sair do país. Muito pelo contrário: a imigração boliviana foi a mais tranquila de todas até agora.

Algumas fronteiras podem cobrar uma taxa (tanto de entrada quanto de saída). Apesar de estas taxas não serem oficiais, não adianta muito reclamar. O ideal é evitar cruzar por aí. Convém perguntar na empresa de ônibus que for fazer o trajeto se há cobrança ou não.

Postos com grande fluxo de turistas, como o do Titicaca ou o com Corumbá, não costumam causar problemas.

Pequeno posto de imigração com o Chile na região do Salar do Uyuni
Pequeno posto de imigração com o Chile na região do Salar do Uyuni

Outra coisa é importante mencionar: apesar de nós, do Mercosul, termos direito a 90 dias no país, é comum o oficial de imigração te dar um visto de apenas 30 dias. Se quiser ficar mais tempo, avise antes que carimbem seu passaporte. Caso tenha entrado com apenas 30 dias e depois queira ficar mais, é possível fazer a extensão do visto gratuitamente nas cidades grandes do país.

Brasileiros podem entrar e sair do país portando somente a identidade, desde que esta esteja em bom estado e tenha sido emitida há menos de 10 anos.

Altitude

Grande parte do país está a uma altitude muito elevada, com algumas cidades superiores a 4000 metros acima do nível do mar. O país detém vários recordes: capital mais alta do mundo, estação de esqui mais alta do mundo, lago navegável mais alto do mundo, etc.

Assim que chegar no país, é comum começar a sentir os mals da altitude elevada, como dor de cabeça, enjoo e náuseas. Tomar chá de coca pode ajudar, mas é bem possível que você passe mal pelos três primeiros dias.

A altitude também faz você cansar mais rápido, e é bem provável que você tenha que conviver com isso a viagem inteira (estamos há quase 2 meses em terras altas, e ainda nos cansamos com facilidade). Isso explica um pouco o desempenho medíocre dos jogadores brasileiros quando vão jogar uma partida na Bolívia.

Por isso, evite se esforçar demais: se tiver que subir uma montanha, mantenha um ritmo mais lento do que está acostumado, tome bastante água e faça paradas regulares.

O Salar do Uyuni é um ótimo lugar para brincar com a perspectiva nas fotos.
O Salar do Uyuni é um ótimo lugar para brincar com a perspectiva nas fotos.

Piriri

A higiene não é o ponto forte da Bolívia, e é muito comum viajantes terem dor de barriga durante sua estadia no país, pelo menos pelos primeiros dias. Se não quiser correr o risco de ter que trocar um dia de passeio pelas montanhas por um dia no banheiro, evite consumir produtos que possam levar água da torneira, como sucos ou refrescos.

As frutas e verduras comercializadas no país costumam ser orgânicas e levar pouca ou nenhuma toxina. Apesar de mais saudáveis e saborosas, é possível que contenham microorganismos ou bactérias. É uma boa ideia esterelizá-las com hidrosteril, cloro ou algum outro produto similar antes de consumi-las.

Michele caminhando em meio ao cemitério de trens de Uyuni
Michele caminhando em meio ao cemitério de trens de Uyuni

O que mais você precisa saber

  • Os teminais de ônibus cobram uma taxa de embarque. Lembre-se de pagá-la para não ter que ficar na correria na hora que o ônibus for sair.
  • Guarde qualquer recibo que te entregarem: seja a passagem de ônibus, a entrada em um parque, comprovante do pagamento da taxa de embarque, etc. Não importa se alguém já o verificou, é bem possível que peçam para verificá-lo novamente mais tarde.
  • Sempre que contratar um tour nas agências, pergunte sobre possíveis custos adicionais. É muito comum venderem o passeio sem mencionar que você precisará pagar as entradas a parte.
  • Na Bolívia, tudo é negociável: o preço do hotel, da passagem de ônibus, da comida, do artesanato, do tour, etc. Sempre chore um desconto, principalmente se estiver viajando em grupo.
  • Se estiver viajando sozinho, procure se juntar com outros viajantes na hora de fechar um passeio ou comprar uma passagem: é mais fácil conseguir um desconto se chegar de galera e fecharem todos no mesmo lugar.
  • Evite trocar dinheiro na rua. O problema de notas falsas não chega a ser crônico na Bolívia, mas pode acontecer.
  • Se estiver viajando em casal, um quarto matrimonial privado pode ser mais barato do que duas camas em um quarto compartilhado no hostel. Fique atento.
  • Os terminais rodoviários na Bolívia costumam manejar a bagagem da mesma forma que nos aeroportos: você “despacha” a mochila grande pela própria agência. Se preferir levar sua própria mochila até o ônibus, não há problema. Só peça na agência que te entreguem o ticket para prender na mochila (já aconteceu de chegarmos ao ônibus e termos que voltar para pegar este ticket).
  • Se conseguir uma passagem de ônibus muito mais barata que as outras, saiba que a qualidade do serviço vai ser proporcional ao preço. Eles provavelmente vão te mostrar a foto de um ônibus de luxo na hora da compra da passagem, mas não se iluda.
  • Ande sempre com papel higiênico. Os banheiros públicos (mesmo sendo pagos) não oferecem. Os hotéis, a menos que sejam de luxo, não costumam ter papel higiênico também.
  • Se estiver viajando com a identidade, é provável que tenha que tirar uma cópia do seu cartão de entrada no momento da saída do país. Esta cópia pode custar até 1 boliviano. Guarde pelo menos uma moeda para quando for fazer a imigração de saída.
  • Apesar de não ser comum, estudantes extrangeiros podem ter descontos em algumas entradas. Se for estudante, leve sua carteirinha na viagem.

    Tecidos à venda na Feira de Tarabuco
    Tecidos à venda na Feira de Tarabuco
  • Se for visitar a região da selva, certifique-se de estar em dia com a vacina da febre amarela.
  • Em quase todas as cidades grandes, as imediações da rodoviária costuma ser uma zona mais perigosa. Não se iluda com os preços baixos dos hotéis nestas regiões.
  • Se for para a Bolívia, prepare-se para ficar desconectado: o wi-fi costuma ser péssimo em qualquer lugar.
  • Os táxis não tem taxímetro. Negocie o valor da viagem antes de subir ao veículo.
  • Tudo é motivo para festa na Bolívia. Antes de viajar, verifique se haverá algum festival no país durante sua estadia, e tente participar se tiver a oportunidade.
  • Os ônibus mais bataros não têm banheiro. Se ficar apertado no meio da estrada, grite “banho!” para o motorista parar.
  • Nos povos pequenos, os bolivianos costumam deixar e até gostam que você tire fotos deles. Nos lugares mais turísticos, é provável que te deixem tirar uma foto em troca de alguma gorjeta. Convém pedir autorização antes de fotografar alguém.
Por-do-sol no lago Titicaca, em Copacabana
Por-do-sol no lago Titicaca, em Copacabana

É isso aí pessoal! Curtiram as dicas? 🙂

Quer ajuda para montar um roteiro por lá? Então leia este post:

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31 comentários sobre “Mochilão pela Bolívia – roteiro, gastos, dicas, fotos, etc

  1. Muito bom o relato e as dicas. Parabéns!
    Vou na próxima terça-feira para Bolívia e Peru e ainda estou na dúvida sobre levar dólar ou reais. Vocês sabem a cotação Boliviano x Dólar, quando estiveram lá? Obrigado!

    1. Fala Fabio!
      Não me lembro de cabeça, mas lembro que em Cusco e em Lima era bom trocar reais. A cotação era bem perto da oficial, assim não precisava perder com o câmbio do dólar.
      Na Bolívia, em Sucre e La Paz a cotação do real era aceitável. Não saberia te dizer se valia mais a pena levar reais ou dólares, mas dava quase na mesma.
      Nas outras cidades o real não vale praticamente nada. O ideal é levar uma combinação das duas moedas, e tentar trocar o real nas capitais.
      Ah, e toma cuidado se for de avião. Troque somente o mínimo no aeroporto (só aquela grana para pegar um ônibus ou um táxi mesmo) porque a cotação nos aeroportos é péssima.
      Abraço e boa viagem!!

  2. Olá, estou indo para a Bolívia agora no final do mês e no roteiro está incluído Copacabana.

    Alguém sabe me dizer se vale a pena acampar por lá e tem alguma dica?

    Valeu!

    1. Fala Murilo!
      Tem alguns hostels em Copacabana que deixam acampar, aí dá pra economizar um pouquinho. Mas a grande vantagem mesmo de acampar é acampar na ilha. Lá é possível acampar gratuitamente na praia, e é bem seguro. Só tenha certeza de que tem um bom saco de dormir, porque faz bastante frio pela noite!
      Abraço!

  3. Olá casal, cheguei na Bolívia e agora vou acompanhar mais as dicas de vocês.
    Vocês comentaram que nao tiveram grandes problemas na fronteira Bolívia-Peru. Foram por Copacabana, pelo lago mesmo até Puno? Queria mais detalhes porque ate agora eu provavelmente va atravesar sozinha…se perceberam algum risco ou algo do tipo. Até mais!!!

    1. Olá Naiana!
      Sim, é uma fronteira muito tranquila, pode ir sem medo! 🙂
      De Copacabana há ônibus (se não me engano 3 por dia) para Puno, ou até para Cusco se quiser. 90% das pessoas que viajam são mochileiros estrangeiros, então e uma rota bastante segura.
      O ônibus leva até a fronteira. Lá você desce, carimba a saída da Bolívia e a entrada no Peru. A imigração também é bem tranquila, não te perguntam nada. A única coisa é que, se estiver viajando com a identidade em vez do passaporte, vai precisar tirar uma xerox da ficha de imigração (tira lá mesmo, se não me engano custa 1 bolívar a cópia).
      Boa viagem e aproveite esses países belíssimos!

  4. Olá Casal!
    Meu noivo e eu estamos nos programando este ano p/fazer o roteiro Chile-Bolívia e Peru. Inicialmente faremos tudo em 30 dias. Gostaria de saber com vcs uma estimativa de dias p/ ficar na Bolívia? (não temos data definida da viagem). Qual o melhor mês p/ conhecê-lo? E por qual dos 3 países vcs sugerem iniciar esta aventura?

    Beijos e Obrigada!
    Marília Gonzaga.

    1. Olá Marília!!
      Ótima escolha de vocês, vão passar por países belíssimos!
      Sobre a Bolívia, podem ficar uns 3 ou 4 dias em La Paz, 1 ou 2 dias para conhecer Sucre e 1 ou 2 dias em Potosí (lá visitem o museu Casa de la Moneda que conta história da cidade que é surpreendente, e também podem visitar as minas da cidade).
      Também podem tirar 1 dia para conhecer Copacabana e a Isla del Sol no Titicaca. Se tiverem disposição para dormir nos ônibus, podem chegar numa cidade pela manhã, aproveitar o dia e ir embora pela noite para ganhar tempo.
      Uma rota clássica é começar pelo Peru (Cusco), descer até o Titicaca, cruzar para a Bolívia, de lá atravessar o Salar do Uyuni até San Pedro de Atacama. Se couber no orçamento de vocês, vale muito a pena fazer o Salar.
      Podem fazer esse roteiro ao contrário também dependendo do valor das passagens, mas fazer o Salar da Bolívia para o Chile sai um pouco mais barato que do Chile para a Bolívia.

      Sobre a melhor época para ir, se quiserem incluir Machu Picchu é melhor irem entre maio e setembro. Vão passar um pouco de frio, mas pelo menos é temporada de seca, e a chance de ver Machu Picchu com o céu limpo é maior!

      Beijos e ótima viagem para vocês! Qualquer outra dúvida só perguntar 🙂

  5. Olá, gostei muito das sugestões!!!
    Parabéns pelas dicas!!
    Estou indo agora em março2017, pensei em fazer:
    La Paz, Copacabana, Puno, Cusco, Lima! Numa viagem de 15 a 17 dias, os deslocamentos entre as cidades foram em ônibus comum ou pelo Bolívia Hop?(pensei em fazer em ônibus comum), ficar em hostel..
    Acha q 2500 reais é suficiente???
    Vi q os passeios mais caros são deserto de salar e Machu Picchu com trem,
    Podem de dar uma orientação?
    Muito obrigada!
    Cris

    1. Obrigado Cris!
      O roteiro está bem interessante, dá pra fazer sim. Pode até considerar colocar Nazca na lista, já que está entre Cusco e Lima.
      Realmente Salar e MP são os mais caros. No caso do Salar não tem muito o que fazer. Para MP pode ir de van que sai muito mais barato.
      Aqui escrevemos algumas opções com os preços para você ter uma ideia:

      http://mundosemfim.com/como-chegar-a-machu-picchu-conheca-os-caminhos-ate-a-incrivel-cidade-inca/

      A grana é suficiente sim, esses países são bem baratos.
      Sobre ônibus, fizemos tudo nos comuns mesmo. Não sei o que é esse Bolívia Hop, mas acho que pelos comuns sai bem mais barato. Lembre-se de sempre dar uma chorada no preço das passagens!

      No mais, pode ir tranquila que vai ser uma viagem maravilhosa!

  6. Boa tarde Renan, tudo bem?

    Primeiramente, belíssimo post! Muita coisa útil e interessante.

    Queria sua dica/conselho em relação a duas coisas: hospedagem e cambio de moeda. Separando em tópicos pra ficar mais fácil:

    *Você levou todo o seu dinheiro em espécie e em reais? E foi realizando a troca em casas de câmbio pelo país?
    *Existe algum site recomendado para encontrar as casas de cambio e as diferentes cotações da moeda no dia? Ou é mais fácil simplesmente pesquisar no google e ir até elas?
    *Qual a maneira mais fácil de pesquisar os Hosteis que estão próximos a meu destino? Existe um site bom para isso ou também é mais fácil utilizar o google?

    Muito obrigado!

    1. Fala André! Muito obrigado!
      Quanto as suas dúvidas, nós levamos cartão de débito e fomos sacando, porque estamos viajando há bastante tempo e seria inviável levar dinheiro para toda a viagem. Mas, quanto ao câmbio, em cidades grandes, como La Paz e Sucre, é fácil trocar reais, mas nas outras é só dólar mesmo. O ideal seria levar uma combinação das duas moedas e ir trocando a que parecer mais conveniente na hora.
      Não existe um site para comparar as casas de câmbio na Bolívia. As casas lá não são tão organizadas como as do Brasil. Geralmente é uma lojinha ou hotel que troca dinheiro mesmo. Eles também não querem lucrar tanto quanto as casas de câmbio do Brasil (a diferença da compra e da venda do dólar é de poucos centavos).
      Andando pelas ruas é fácil encontrar essas casas. É só procurar as plaquinhas dizendo “compro dólares” ou “money exchange”. Preocupe-se mais em buscar lugares que pareçam confiáveis do que com o valor em si, já que varia muito pouco. Confira se deram o dinheiro correto e se não deram notas falsas (as falsificações são bem vagabundas e é fácil notar até por quem não tem familiaridade com a moeda local).
      Sobre hotel, encontrávamos caminhando pelas ruas mesmo. Eles abundam em todas as cidades pelo centro. Pode ir caminhando e achar o que mais te agrade. Nos terminais de ônibus também costuma vir gente oferecer hotel, e geralmente são boas ofertas (em Potosí ficamos em um destes por um bom preço).
      Sites como booking.com mostram os principais hotéis e hostels do país, mas geralmente são um pouco mais caros do que procurar lá na hora.
      Qualquer dúvida que ficou, só perguntar!
      Abraço!!

      1. Renan muito obrigado!
        Sobre os Hoteis, era mais ou menos o quê eu pretendia fazer, mas eu não sabia dizer se eram tão simples de encontrar. Obrigado pelo esclarecimento.

        O saque do dinheiro é fácil?
        Você o fez com seu cartão de débito normal?
        É necessário solicitar uma permissão no banco antes?
        Existem caixas eletrônicos específicos que permitem o saque internacional?

        Obrigado e desculpe a tonelada de perguntas!

        1. Por nada!
          O saque é tranquilo sim, só tem que tomar cuidado pra só sacar no débito, porque no crédito cobram taxas absurdas. Se tiver um cartão só de débito, melhor (já ouvimos falar de casos que o saque sai na função crédito dos cartões múltiplos, mesmo a pessoa tendo escolhido a função de débito).
          No nosso caso nosso banco é Santander e funciona em todos os caixas. Sei que cartão da Caixa não funciona no exterior, e os outros bancos só funcionam em determinadas redes. No caso do Santander, tem que ligar lá e pedir pra liberarem o uso sim (ou liberar pela internet).
          No geral sai mais vantajoso levar dinheiro do que sacar com o cartão, pois o IOF é menor. Mas é uma boa ter o cartão liberado para qualquer emergência!
          Ah, fica de olho que os bancos cobram por saque internacional (geralmente algo entre 1 e 5 dólares por saque). Por isso, se for sacar dinheiro, melhor sacar a quantia máxima permitida de uma vez do que ir fazendo vários saques!

  7. Quanto mais leio mais curioso eu fico hehehhe, estou pretendendo ir para Bolívia e peru saindo de Minas Gerais, me bateu uma dúvida muito grande a respeito em onde deixar minha caminhonete, na rua há estacionamentos ? Nos Hostel consegue achar com facilidade? Vcs chegaram a ver carros brasileiros nesses dois países ? Muito obrigado pelas ótimas dicas. 🙂

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