Economizando pela Patagônia – dicas sobre hospedagens e carona por uma das regiões mais caras do continente

Acabamos de sair da região da patagônia, um dos lugares mais bonitos o nosso continente. Apesar de caríssimo, conseguimos viajar por aqui gastando bem pouco (menos do que gastamos em regiões mais baratas), e queremos compartilhar com vocês algumas dicas para quem quer viajar sem gastar muito!

Referência para mar/2016:
1 real = 185 pesos chilenos
1 real = 4 pesos argentinos


 

Dividida entre a Argentina e Chile, a Patagônia possui uma paisagem dividida entre o deserto argentino, as belíssimas montanhas da Cordilheira dos Andes e as chuvosas praias e ilhas chilenas.

Em comparação com as outras partes destes países, esta região é caríssima: hospedagem, transporte, restaurante ou supermercado, tudo pode custar até 3x mais. Ainda assim, é possível gastar quase nada por aqui.

A grande vantagem para os viajantes é que esta é uma região extremamente segura, mesmo se comparada com países de primeiro mundo. Assim, você pode acampar na estrada ou pedir carona tranquilamente, reduzindo drasticamente os gastos da viagem. Além disso, o povo é tão acolhedor que convites para dormir na casa dos locais não vai faltar!

(não deixem de ler nosso post sobre caronas aqui).

Se quiser passar por aqui gastando pouco, traga uma boa barraca, sacos de dormir para pelo menos 0 graus e um bom isolante térmico (nós compramos um colchonete de ar, assim não era dureza acampar todos os dias). Acredite, todo este investimento vale a pena!

Aqui vai um resumo da nossa passagem:

Roteiro pela Patagônia
Nosso percorrido pela Patagônia

Neuquén (Arg)

Foi por onde entramos na Patagônia. Apesar da cidade não ser turística, os preços são altos por conta da intensa atividade petroleira na região. Como este negócio movimenta muito dinheiro e os salários costumam ser bons, os negociantes locais aproveitam para lançar os preços lá para cima.

Para hospedagem, não é difícil conseguir couchsurfing. Enviamos os pedidos 1 dia antes de chegarmos e várias pessoas nos aceitaram.

Mucuvinha com um dinossauro em Neuquén
Museu de dinossauros em Cutral Có, perto de Neuquén

Acabamos ficando na casa de um casal, Cris e Flávia, na pequena cidade de San Patrício del Chañar, a poucos quilômetros da capital. Foi uma ótima estadia, e nos levaram para conhecer toda a região.

Se quiser conhecer uma vinícula, aproveite para visitar aqui: são tão boas quanto as de Mendoza porém não cobram os preços absurdos de lá.

Para seguir adiante, pegamos três caronas: uma até a cidade de Añelo (nos levaram em menos de 10 minutos), depois outra até Cutral Co (esta foi difícil: ficamos cerca de 2h na estrada) e depois outra até Zapala (fácil, menos de 10 minutos).

Zapala (Arg)

Se puder evitar esta cidade, melhor. As hospedagens são caríssimas e a única opção de camping está longe da cidade (bom para quem vem em bicicleta ou carro).

O hotel mais barato que encotnramos custava 650 pesos para um casal.

Como chegamos tarde aqui e não encontramos onde dormir, optamos por seguir de ônibus até Junin de Los Andes. Dormimos durante todo o trajeto.

Junin de los Andes (Arg)

Poucas opções de hospedagens baratas e não encontramos nenhum camping.

O segredo aqui é procurar por El Rancho (fica na rua Neuquén, sem número). Conhecemos o local pelo Couchsurfing, mas eles aceitam qualquer mochileiro que aparecer por ali.

O anfitrião é Martin, que vive com sua mãe e se dedicam à artesania. Eles te oferecem um lugar para acampar no quintal, banheiro e uma boa companhia para conversar. Se chegar no fim de semana, pode acompanhá-los em uma boa bebedeira também.

Eles nos autorizaram a convidar todo mundo que passar pela cidade a ficar na casa deles, então segue o convite 🙂

Para seguir ao sul, é fácil pegar carona na saída da cidade (que é pequena).

San Martín de los Andes (Arg)

Junto com Vila La Angostura, esta é provavelmente a cidade mais cara desta região. Há um camping da ACA na cidade, ao lado da estrada e próximo ao centro, que tampouco é barato. Aqui com sorte conseguimos couchsurfing, mas não é bom contar com isso em cima da hora, considerando a grande quantidade de turistas que passam por aqui.

Os preços dos restaurantes são impossíveis de pagar. Os supermercados estão ok.

Mucuvinha em San Martín de los Andes
Bela vista da cidade de San Martin de los Andes

Para seguir de San Martin a Bariloche tentamos pedir carona na saída da cidade, mas sem sucesso (logo começou a chover e depois a nevar, assim que abortamos o plano). Acabamos seguindo de ônibus (que ainda seguia a média de preço do norte da Argentina: cerca de 1 peso o quilômetro).

Bariloche (Arg)

Apesar da fama da cidade, é possível conseguir hospedagem por um bom preço fora da alta temporada. Conseguimos um quarto de hotel para casal com banheiro privado e televisão por apenas 215 pesos. Os hostels mais econômicos estão na rua Salta, com preços variando de 130 a 160 pesos em quarto compartilhado.

Na alta temporada espere pagar até o dobro destes valores.

Fizemos uma viagem pública no couchsurfing e recebemos dois convites de hospedagem. Acabamos recusando porque conseguimos trabalho em um hostel em troca de comida e hospedagem, mas aceitamos acompanhá-los em umas cervejas.

A maioria dos restaurantes da cidade são para turistas com preços altos, mas saindo um pouco da avenida principal é possível encontrar opções bem em conta (há pizzarias que vendem pizza grande por 120 pesos).

Mucuvinha no Cerro Campanario, Bariloche
Belíssima vista do cerro Campanário. Até aqui é possível chegar facilmente de carona.

De Bariloche, cruzamos até o Chile para comprar sacos de dormir (essas coisas são caríssimas na Argentina). O ônibus até Puerto Montt custava 450 pesos (aqui vai uma dica: ônibus no Chile custa bem mais barato que na Argentina. Procure empresas chilenas que vendam passagem. Esta mesma passagem estava por 800 pesos pelas empresas argentinas).

Não fomos de carona porque nesta época ainda achávamos que era impossível cruzar fronteira desta forma, mas depois nos disseram que era fácil sair de Bariloche de carona para qualquer lado.

Puerto Montt (Chi)

Ficamos em Puerto Montt por Couchsurfing. A cidade possui algumas ofertas de hostels ou hotéis simples pela média de 10 mil pesos chilenos por pessoa. Camping não encontramos, e achamos pouco provável que tenha.

Para se deslocar pela cidade é possível tomar os táxis que fazem caminhos fixos (funcionam mais ou menos como ônibus). O preço é de 600 a 800 pesos por pessoa, dependendo do horário e da distância.

Para sair de Puerto Montt até Ancud (Chiloé), pegamos um ônibus (4500 pesos por pessoa).

Ancud (Chiloé – Chile)

Acampamos por 3500 pesos por pessoa, com uma bela vista para o mar, no camping Bella Vista.

Os principais camping (senão todos) estão na avenita costanera norte. É possível chegar até lá caminhando a partir do terminal de ônibus.

Ancud, Chiloé
Vista do nosso camping em Ancud

Os hostels e hotéis ficam na faixa de 8 a 12 mil pesos por pessoa. Os restaurantes não são caros, mas cozinhamos nossa própria comida para economizar.

É fácil se deslocar de carona por toda a ilha, mas os ônibus também não são caros. Aí é com você.

Castro (Chiloé – Chile)

Principal cidade da ilha, não possui campings (o mais próximo fica a 7km da cidade). Os hotéis e hostels ficam na faixa de 10 mil pesos por pessoa, mas encontramos um “clandestino” com uma mulherzinha que oferecia no terminal por 8 mil por pessoa em quarto privado. Foi para lá mesmo que fomos!

Outra dica que funciona em todo o Chiloé é perguntar nas lojas, restaurantes e padarias por hospedagem barata ou camping: muita gente deixa acampar no quintal de casa ou aluga um quarto em casa por um preço bem abaixo da média.

Os preços no supermercado estão dentro da média do Chile.

Dalcahue (Chiloé – Chile)

Aqui valeu a dica de perguntar por hospedagem nas vendas: em uma padaria, perguntamos se havia camping e a atendente disse que a mãe dela deixava acampar no quintal. Fomos até a casa dela (o nome da senhora é Dona Nena) e ela deixava acampar por 3 mil pesos, mas acabou ficando com pena de nós por conta da chuva e nos deu um quarto privado pelo mesmo preço (com banheiro privado e até cozinha!).

Quem quiser procurar a Dona Nena, ela mora em uma casa grande amarela atrás da igreja (onde também funciona um escritório de uma empresa de ônibus).

Missa de natal em Dalcahue, Chile
Tivemos o privilégio de assistir à missa de Natal na pequena cidade de Dalcahue, em uma igreja tombada como patrimônio pela UNESCO.

Encontramos alguns campings em Dalcahue pela internet, mas eles ou estavam fechados ou eram longe da cidade. O centro de informações turísticas não sabe informar nada.

Os preços dos mercados estão dentro da média do Chile.

Cucao (Chiloé – Chile)

Porta de entrada para o Parque Nacional de Chiloé. É possível acampar dentro do parque (opção mais cara de todas: 5 mil pesos por pessoa. Além deste, há vários outros campings, tanto antes quanto depois da ponte (Cucao não passa de uma rua principal, com metade da cidade de um lado e outra metade do outro de uma ponte). Ficamos em um que custava 3500 pesos por pessoa.

Se tiver condições, leve comida para lá: a cidade tem pouquíssimas vendas, e todas caras, sem muita variedade e que nem sempre estão abertas.

Quellón (Chiloé – Chile)

A cidade não é muito interessante, mas é a principal porta de saída da ilha para quem quer seguir para a Carretera Austral. Convém comprar a passagem de barco com antecedência, pois costumam se esgotar rápido (nós deixamos para comprar na hora e acabamos tendo que passar um dia a mais na cidade).

Você pode consultar os preços, a disponibilidade e comprar as passagens pelo site www.navieraustral.cl.

As hospedagens ficam entre 10 e 12 mil por pessoa, mas é fácil negociar, principalmente se for ficar mais de um dia. Conseguimos negociar um quarto privado por 30 mil para dois dias

Barco que faz a travessia para Chiloé
Barco que leva e traz os carros e as pessoas de Chiloé para o continente.

Se estiver saindo de Chiloé e ainda não provou o “curanto”, aqui pode ser uma boa opção: os restaurantes em Quellón são em geral mais baratos que no resto da ilha.

Puerto Cisne (Chi)

Chegamos nesta pequena cidade às 8h da manhã depois de deixar Chiloé para trás. Só há um ônibus que sai daqui, e sai às 6h da manhã. Assim, as opções são: passar o dia aqui, pegar um táxi (caríssimo: 40 mil pesos) até a Carretera Austral ou tentar carona. Fomos para a terceira alternativa.

Pegar carona (não só aqui, mas como em toda a região sul do Chile) é facílimo. Os próprios habitantes locais estão acostumados com isso, devido à escassez de transporte público.

O ruim é que poucos carros passam por aqui: demoramos quase 1h até que passasse um carro e nos levasse. Havia mais 5 pessoas pedindo carona, mas por sorte 3 deles acabaram decidindo pegar o táxi. Os outros dois foram no mesmo carro que nós.

Nossa carona ia até Puerto Aysén, e ainda parou na estrada para tirarmos belas fotos da região. Como iríamos para Coyhaique, descemos em um cruzamento e esperamos. Logo chegaram mais duas pessoas para pedir carona também.

Esperamos cerca de 10 minutos e já encostou uma van levando todo mundo.

Coyhaique (Chi)

A maior cidade da Carretera Austral, é também uma das mais caras. O preço nos supermercados está bom, mas as hospedagens e restaurantes são caríssimas.

Nas informações turísticas te dão um mapa com a localização de todos os campings. Há um dentro da cidade, que é de uma senhora que deixa acampar no quintal. Escolhemos este pela localização, já que em todos o preço ficava em 5 mil por pessoa.

Os ônibus para sair de Coyaique ao sul são caríssimos, e raramente sai mais de 1 por dia. A melhor opção é pedir carona: fomos meio receosos porque estávamos saindo no dia primeiro de janeiro, mas não demorou 10 minutos e um carro parou e nos levou uns 20km para a frente. Depois, uma van levou até um cruzamento mais adiante. Mais três caminhonetes depois e chegamos a Puerto Tranquilo, nosso destino.

Pegar carona na Carretera Austral é quase tão fácil quanto pegar um táxi: você acena e, de cada 5 carros que passam, um pára. O legal do Chile é que é possível viajar na caçamba, assim você tem uma grande chance com caminhonetes.

Puerto Tranquilo (Chi)

Cidade pequena, com mercados caros e com poucas opções. Se puder, traga comida de Coyhaique.

Os campings aqui estão na faixa dos 5 mil, e os hostels na faixa de 12 mil.

Mucuvinha na Capilla de Mármol
Capilla de Mármol – a grande atração de Puerto Tranquilo

O camping mais barato que encontramos está em frente ao campo de futebol: 3500 pesos por pessoa. Não tem nome e fica nos fundos de uma casa, mas tem a indicação “camping”. Possui banho quente, cozinha mas não internet.

Para ver as famosas Capilla e Catedral de Mármol, o preço é de 8 mil. E não adianta procurar muito ou chorar desconto não: todas as agências cobram isso.

Para sair de carona em direção ao sul foi um pouco complicado, porque o movimento para lá era baixo. Ficamos quase 2h na saída da cidade esperado até que passou uma caminhonete e nos levou na caçamba.

Para o outro lado (norte) havia mais movimento, porém a quantidade de pessoas pedindo carona para lá era grande.

A partir daqui, descemos em um cruzamento e conseguimos mais duas caronas até chegar em Chile Chico.

Chile Chico (Chi)

Seguindo pela avenida paralela à costanera está o camping mais barato que encontramos: 4 mil com direito à ducha quente e internet (não tem cozinha).

Chile Chico está a 8km de Los Antiguos, na Argentina. Tentamos pegar carona por um tempo, mas achávamos que seria impossível atravessar fronteira desta forma e acabamos seguindo caminhando mesmo. Mais ou menos na metade do caminho, paramos para descansar e resolvemos acenar para os carros que passavam. Não demorou e uma mulher parou e nos levou até Los Antiguos. Foi aí que descobrimos que sim, é possível atravessar fronteiras de carona.

Los Antiguos (Arg)

Econtramos dois campings na cidade, mas ambos eram caros (mesmo um deles sendo municipal). Um custava 100 pesos por pessoa e só oferecia banheiro com água quente, e o outro (municipal) cobrava por pessoa, por uso do banheiro, por churrasqueira e por barraca. Não lembro os preços, mas ficava caro. Decidimos seguir dali.

Pegar carona foi fácil: em menos de 5 minutos parou uma caminhonete e nos levou até a polícia na saída da cidade. A partir dali, mais uns 5 minutos para conseguir alguém que nos levasse até Perito Moreno.

Perito Moreno (cidade) (Arg)

“Perito Moreno” é uma pequena cidade pouco conhecida. Não confundir com o famoso Glaciar Perito Moreno, em El Calafate.

Perito Moreno é um ótimo lugar para acampar, se estiver de passagem por aqui. Há um camping municipal que custou apenas 40 pesos para nós dois (10 pesos por pessoa + 20 pesos por barraca) e oferecia banheiro, cozinha e churrasqueira. Os preços de supermercado na cidade também estavam ok.

Para sair daí de carona, é preciso andar até o sul da cidade (umas 3 quadras para baixo do camping) e esperar. Não sabemos dizer se é fácil ou difícil porque tivemos sorte: o primeiro carro que passou era de um pessoal que conhecemos em Bariloche, e nos levaram sem problemas. Eles iriam até El Chaltén, mas nós acabamos descendo em Bajo Caracoles para conhecer a Cueva de las Manos.

Bajo Caracoles (Arg)

Esta “cidade” possui apenas umas 5 casas, sendo uma delas que funciona como hotel, mercado e posto de gasolina. Se puder, evite ficar aqui: o preço de tudo é absurdo. Há dois campings, mas ambos estavam fechados (aparentemente para sempre).

A cidade serve de base para conhecer a Cueva de las Manos, mas esqueça a hipótese de contratar excursão ou pegar um ônibus daqui: tem que ir de carona mesmo.

Se acabou ficando aqui, é possível acampar nos campos atrás da cidade sem problemas: há vários quilômetros de deserto para montar a barraca. A água é possível pegar no posto de gasolina.

Para ir de carona até a Cueva de las Manos é relativamente fácil: deve-se caminhar algo como 2km até a estrada de terra que leva para lá e esperar. Tem pouco movimento, mas provavelmente o primeiro carro que passar vai acabar te levando.

Acampando em Bajo Caracoles
Nós e um mochileiro chileno acampando nos fundos da pequena cidade de Bajo Caracoles

Para seguir ao sul (ou ao norte) é mais complicado: o movimento nesta parte da estrada é pequeno, e os poucos carros que passam passam voando. Movimento de ônibus por aqui é quase nulo também.

Demoramos algo como 4 horas até parar o carro de uma mineradora e nos levar até a próxima cidade: Governador Gregores.

Governador Gregores (Arg)

Talvez um dos melhores lugares para passar a noite na ruta 40: possui um excelente camping municipal gratuito (pedem uma doação) que tem churrasqueira e ducha com água quente e forte (não tem cozinha nem internet). Além disso, os preços no supermercado eram baratos em comparação com outros lugares da Patagônia.

Para sair de carona daqui foi complicado: ficamos uma tarde inteira e nada. No dia seguinte, conseguimos em pouco menos de meia-hora.

A dica aqui é acordar cedo: a estrada tem pouco movimento, e é possível que hajam mais pessoas pedindo carona, o que diminui a sua chance de sair cedo. O melhor lugar para ficar é perto da saída da cidade, antes da ponte. Algumas pessoas podem parar e oferecer para levá-lo até um cruzamento mais adiante, mas não vale a pena: no primeiro dia fomos para lá, e o movimento de carros que vem da outra estrada da bifurcação é praticamente nulo. Além disso, havia mais pessoas pedindo carona por lá. E, se não conseguir nada, vai ter que voltar caminhando cerca de 6km até a cidade.

A partir daqui, conseguimos carona com Jorge, que iria para El Calafate. Nosso destino era El Chaltén, assim que acabamos descendo na estrada, próximo ao cruzamento (só desça aqui se for cedo ou se tiver um bom estoque de água, pois nesse cruzamento não há nada).

Acabamos passando a noite na estrada e conseguimos carona para El Chaltén no dia seguinte.

El Chaltén (Arg)

Possui 3 campings, com preços de 80, 100 e 120 pesos. O mais barato é o La Torcida, perto da entrada sul para o parque.

O camping é razoável, com pessoal bacana mas muita gente para a cozinha pequena. O banheiro também é complicado: enquanto um está tomando banho não é possível abrir a água da pia da cozinha. De qualquer forma, o ambiente e a economia compensam. Se quiser acampar no parque, é possível deixar o excesso de bagagem sem pagar nada.

Os preços aqui são caros: restaurantes são absurdos e os supermercados não possuem muita oferta de produtos baratos. Mais uma vez vale a regra: se puder levar comida para lá, leve. Quanto aos hostels, na alta temporada são todos caros e estão sempre lotados.

Tanto a entrada para o Parque Nacional quanto os campings lá dentro são gratuitos, mas não oferecem ducha e o banheiro é um buraco no chão.

Monte Fitz Roy em El Chaltén
Monte Fitz Roy em El Chaltén – um dos lugares mais bonitos que já vimos até agora

Para sair de El Chaltén é complicado: os ônibus custam caríssimo e a fila de pessoas pedindo carona é enorme: quando fomos tinha pelo menos 10 grupos de pessoas (amigos, casais ou viajantes solitários) com o polegar levantado. Além disso, a maioria das pessoas que saem da cidade de carro são turistas, e turistas geralmente não levam ninguém.

Para sair daqui de carona (e economizar os absurdos 450 pesos de ônibus até El Calafate) tem que acordar cedo e pegar o primeiro lugar da fila na estrada. Nós chegamos às 9h e ficamos no 4° lugar. Esperamos 2h e somente o primeiro da fila havia sido levado. Tivemos sorte que passou um pessoal que conhecemos no camping e nos levaram (aproveite os dias na cidade para conhecer o máximo de pessoas possível: isso pode fazer a diferença na hora de ir embora).

Nossa carona nos levou até El Calafate e, de brinde, nos levaram até o Glaciar Perito Moreno.

El Calafate (Arg)

Apesar da enorme fama da cidade, as hospedagens por aqui não são tão caras assim: há alguns campings (na faixa de 100 por pessoa) e hostels a partir de 120 (o mais barato que encontramos era o “Viejo Ovejero”, que fica na rua do posto de gasolina YPF, saindo da principal). Além disso, há algumas hospedagens “clandestinas” também: caminhando pelas ruas paralelas da principal se vê algumas casas com uma pequena folha de papel escrita “hospedaje”. Por aí se pode conseguir uma boa barganha.

Nós ficamos hospedados na casa do Jorge, que nos deu carona desde Governador Gregores.

Quanto aos preços: supermercados são ok, restaurantes são absurdos de caro. Procure ficar em um lugar onde seja possível fazer sua própria comida.

Para ir até Perito Moreno (o glacial) tente pegar carona.

Glacial Perito Moreno
Observando o monstruoso glacial Perito Moreno

Para sair de carona, também vale a pena acordar cedo e ir até a polícia na saída da cidade. Você vai ver algumas pessoas pedindo carona antes, o que pode parecer uma ideia tentadora, mas não vale a pena: o pessoal não costuma parar para quem está por ali. Ficamos umas 4h pedindo carona por aí e nada. Quando fomos até a polícia, em meia-hora já nos levaram.

A polícia fica a uns 4km do centro. Lá vão pedir seus documentos antes de te deixarem pedir carona (talvez por isso o pessoal se sinta mais seguro de parar para quem pede carona por lá).

Daqui fomos até o pequeno povoado de La Esperanza.

La Esperanza (Arg)

Um ponto de parada com um posto de gasolina. Não tem nada, mas você pode acampar por aí sem problemas e conseguir água no posto. Descemos aqui porque nossa carona seguia até Rio Gallegos, e nós até Puerto Natales.

Aqui não demorou quase nada e parou um carro. Eles iriam até Puerto Natales e aceitaram nos levar sem problemas.

Puerto Natales (Chi)

As hospedagens são caras, lotadas e ninguém sabe informar sobre campings, mas há pelo menos dois na cidade, todos perto da rodoviária. A cidade é pequena e é possível caminhar por todos os lados sem problemas.

Nós ficamos no camping Josmar 2 (é um hostel que deixa acampar no quintal). Oferece cozinha, ducha com água quente e internet por 4 mil pesos. Também deixam guardar o excesso de bagagem se for passar uns dias em Torres del Paine (em teoria cobram 1000 pesos por dia, mas não nos cobraram nada).

Os preços de comida em Puerto Natales estão ok, tanto no supermercado quando em restaurantes. Se for para Torres del Paine, compre tudo aqui, pois lá é caríssimo.

Para sair de Puerto Natales de carona é fácil. O segredo é ficar logo depois da rotatória que tem um grande urso branco no meio: dali partem as estradas para Torres del Paine e para Punta Arenas/Argentina.

Glacial Grey, em Torres del Paine
Impressionante vista do Glaciar Grey, no Parque Nacional Torres del Paine.

Nós fomos para Torres del Paine de carona sem problemas. Para Punta Arenas, acabamos pegando um ônibus porque começava a chover. Ainda assim tivemos vantagem: o ônibus normal custa 5 mil pesos, mas nos cobrou 4 por estarmos na estrada.

Punta Arenas (Chi)

Há poucas opções de hospedagens baratas aqui, e quase ninguém sabe informar. Se perguntar nas Informações Turísticas vão dizer que não há campings, mas há um sim: o hostel “Independencia” (que fica na avenida de mesmo nome) deixa acampar no quintal por 5 mil pesos por pessoa. Se não tiver barraca, pode ficar neste (o quarto custa 9 mil) ou no Backpackers Paradise (8 mil). Todos os outros são caros.

Os preços dos restaurantes e supermercados está justo. Se quiser comprar eletrônicos ou bebidas, a dica é ir até a Zona Franca, na saída da cidade.

Os ônibus para a Argentina (Ushuaia, Rio Gallegos) são caros, mas não é difícil sair da cidade de carona. Você precisa pegar um ônibus que te leve até a estrada e de lá tentar a sorte.

Se for para o Ushuaia, convém levar comida, água e uma barraca: é bem provável que você consiga carona com algum petroleiro que vai te deixar na ilha, um pouco antes da fronteira. Se não tiver sorte lá dentro ou chegar tarde, é possível que tenha que passar a noite acampado.

Outra coisa: há duas estradas que descem para Rio Grande (cidade argentina antes do Ushuaia). Uma delas é usada pelos petroleiros e não passa quase ninguém. A outra é usada pelos turistas ou por quem mora no Ushuaia. Se a pessoa for te deixar na estrada, peça para ficar antes do cruzamento destas estradas. Nós acabamos seguindo pela estrada dos petroleiros e sofremos para conseguir carona a partir dali. Passamos a noite na estrada.

Rio Grande (Arg)

Talvez um dos lugares mais fáceis para pegar carona em direção ao Ushuaia: não demorou praticamente nada e nos levaram. Ainda foi aí que conhecemos Gisela, que depois nos ofereceu sua casa para descansarmos quando estivéssemos voltando.

Os preços do supermercado são bons: alguns produtos mais baratos que em Buenos Aires inclusive. Hospedagens são mais baratas que no Ushuaia, mas não há grandes ofertas.

Para conseguir uma carona a partir daqui no sentido contrário (rumo ao continente) é fácil até a fronteira, mas a partir daí a coisa pega: várias pessoas estão ali pedindo carona, e não são de respeitar a ordem de chegada não: eles se amontoam em cima dos carros que chegam implorando por carona. Foi sofrido deixar a ilha e chegar em Rio Gallegos…

Ushuaia (Arg)

As hospedagens são todas absurdas de caras: os hostels custam de 300 pesos por pessoa para cima. Há dois campings, mas só são recomendáveis no verão e se você tiver uma boa barraca e sacos de dormir para frio extremo. Nós tivemos a sorte de conseguir hospedagem na casa de um amigo que fizemos no camping de Governador Gregores.

Presídio do Ushuaia
Antigo presídio do Ushuaia

Os restaurantes também são caríssimos, mas o preço no supermercado até que está bom.

Para sair de carona do Ushuaia é fácil, e o melhor lugar para ficar é depois da polícia, na saída da cidade (onde tem os postes com o nome da cidade). É bem provável que te levem até Rio Grande, e de lá você tenha que seguir pedindo carona.

Rio Gallegos (Arg)

Poucos sabem, mas há um camping em Rio Gallegos sim: custa 50 pesos por pessoa + 60 por barraca, e oferece cozinha, internet e banheiro com água quente. Está a umas 5 quadras do terminal de ônibus, na rua Austurias, e fica dentro de uma associação. As outras hospedagens são caras (os hostels custam a partir de 180 para uma cama em quarto compartilhado).

Para sair de Rio Gallegos de carona rumo ao norte é fácil: basta ficar na rotatória da rua Austurias com a Av. 17 de octubre e começar a pedir carona. É bem provável que alguém pare e te leve até a polícia rodoviária, e de lá é só esperar mais alguns minutos e seguir em frente. Para nós, não demorou 10 minutos.

Puerto San Julian (Arg)

O hotel Argentino (próximo ao terminal de ônibus) foi a hospedagem mais barata que encontramos. O quarto para casal custa 300 pesos.

Há um camping municipal (não muito barato, sairia algo como 200 pesos para nós dois), mas estava todo alagado por causa da forte chuva do dia anterior.

Para sair de Puerto San Julian, o ideal é ir até o cruzamento com a estrada (o que dá uma boa caminhada de uns 4km). De lá, conseguimos uma carona até 3 cerros.

3 Cerros (Arg)

Péssimo lugar para parar. Há um posto de gasolina e nada mais. Os carros passam rápido pela estrada e o acostamento é pequeno para parar um caminhão. Se por acaso acabar ficando por aqui, o ideal é ir falar na polícia que vai pedir carona.

Nós ficamos quase 2h esperando na estrada e nada, até que a polícia colocou uns cones na rua e começou a parar os carros para nos ajudar. A partir daí, não demorou 15 minutos e já conseguimos seguir em um caminhão.

Comodoro Rivadávia (Arg)

Cidade grande. Se puder, evite-a.

No nosso caso, nossa carona vinha pra cá, e já era tarde, assim não tivemos outra alternativa. Acabamos ficando em um posto da Petrobrás logo no começo da cidade e pedimos autorização para acampar ali. O pessoal disse que não teria problema, mas que deveríamos sair antes das 8h da manhã porque a galera do turno da manhã costuma tocar os mochileiros de lá.

De Comodoro cruzaríamos novamente o país em direção às cordilheiras. Para isso, caminhamos uns 2km até a rotatória no começo da cidade e esperamos. Em menos de 20 minutos encostou um carro que iria para Sarmiento.

Sarmiento (Arg)

Paramos aí de passo, somente para seguir adiante. Se precisar acampar, é um bom lugar: ao lado do posto no começo da cidade há algumas churrasqueiras, onde é permitido armar a barraca. Se precisar de água ou banheiro, pode ir no posto.

Para sair de carona foi fácil: menos de 20 minutos. O único problema é o seguinte: certifique-se de que o carro vai para o mesmo destino que o seu, ou pelo menos para uma cidade no caminho. É que a estrada para Sarmiento cruza com a Ruta 40 em um ponto onde não há nada. No nosso caso, acabamos descendo ali, e tivemos muita sorte que nos levaram rápido. Mas, se tivéssemos que passar a noite ali, ficaríamos sem água.

Esquel (Arg)

Passamos duas vezes por esta cidade, e é fácil pegar carona para qualquer lugar. O problema é que Esquel é uma cidade grande, e a estrada fica longe do centro.

Quando seguíamos para o norte, nossa carona parou em Esquel, e nós ficamos no cruzamento pouco antes da polícia. Conseguimos carona em menos de 15 minutos até El Bolsón.

Parque Nacional Los Alerces, Esquel
Parque Nacional Los Alerces, Esquel

Se quiser ir para o parque nacional ou para Trevelin é fácil também. Basta ficar no começo da estrada que sai para o oeste e esticar o polegar (se tiver um cartaz escrito o destino é melhor). Em 15 minutos, pararam dois carros nos oferecendo carona para o parque, e depois um terceito que iria a Trevelin, nosso destino.

A entrada para o parque custa 100 pesos para brasileiros, e lá dentro há locais para acampar gratuitamente.

El Bolsón (Arg)

El Bolsón é um ótimo lugar para acampar. Há uma infinidade de campings, tanto perto quanto longe do centro, com os mais diversos preços. Hostels já são um pouco mais caros.

A dica aqui é passar no centro de informações turísticas quando chegar. Lá há uma tabela com todas as hospedagens da cidade, localização, preço e serviços oferecidos.

Para o fim de fevereiro de 2016, os campings estavam entre 70 e 150 pesos, e os hostels a partir de 200 pesos.

Mucuvinha em El Bolsón
Vista da cidade de El Bolsón

Para sair de carona também é fácil para qualquer lado, mas convém acordar cedo, pois a concorrência é grande.

Trevelin (Arg)

Pequena cidade no limite argentino para quem quer seguir para o Chile. É possível conseguir carona para Futaleufu ou para Palena a partir daqui. Não é tão fácil porque o movimento é pequeno, mas não é impossível. Conseguimos uma carona para Palena em menos de 30 minutos na caçamba de uma caminhonete (chegamos imundos).

Quanto a hospedagem, não chegamos a dormir aqui, mas dizem que há um camping municipal muito barato no local.

Palena (Chi)

Na baixa temporada só encontramos um camping funcionando, que era no quintal de uma senhora. O preço era caro (5 mil pesos), mas foi o melhor camping que já ficamos até hoje.

Para seguir de carona convém acordar cedo porque o movimento de carros na cidade é quase nulo. O bom é que o povo desta região é muito bacana, e o primeiro que passar provavelmente já vai te levar. Daqui, seguimos direto até Chaitén.

Chaitén (Chi)

Ponto de passagem muito utilizado para quem vem ou vai para Chiloé. A cidade tem 3 campings, todos eles a 5 mil por pessoa. Quem quiser economizar pode acampar na praia, próximo ao posto de gasolina, e pegar água e usar o banheiro do posto.

Se quiser seguir de carona para o sul, acorde cedo, pois a concorrência pode ser grande e o fluxo de veículos é baixo.

Acampando em Chaitén
Melhor lugar para acampar – próximo à praia!

Seguir de carona ao norte (sentido Puerto Montt) não vale a pena. Além de ser uma missão quase impossível, você ainda vai ter que pagar 6 mil pesos como passageiro para cruzar as balsas. Se pegar um ônibus, vai pagar 5 mil com a barca já inclusa até Hornopirén, e de lá é só seguir de carona ou pagar mais 5 mil para chegar em Puerto Montt.

 

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5 comentários sobre “Economizando pela Patagônia – dicas sobre hospedagens e carona por uma das regiões mais caras do continente

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