Dicas de San Blas – Conheça o paradisíaco caribe panamenho por conta própria!

San Blas guarda algumas das praias mais paradisíacas do caribe, e é provavelmente o principal destino daqueles que visitam o Panamá. Os passeios para lá costumam ser caros, mas aqui ensinamos a fazê-los por conta própria sem gastar tanto!

Câmbio oficial (março/2017)
1 dólar = 3,10 reais

San Blas

San Blas é um grande arquipélago, composto por 365 ilhas, sendo que apenas 49 delas são habitadas. Este arquipélago começa próximo à fronteira com a Colômbia, e se estende pela costa até a região de Cartí, onde há alguns portos acessíveis por estrada desde a Cidade do Panamá.

Toda esta região pertence aos indígenas Kuna Yalas, que conquistaram seu direito após muita luta. Assim, cada pedaço de terra de San Blas pode ser comercializada somente entre eles (ou estrangeiros casados com Kunas), o que torna a experiência ainda mais interessante. Além das praias paradisíacas, você verá uma cultura autêntica, livre dos grandes resorts de luxo que estragam a paisagem.

Isla Perro, em San Blas
San Blas é composta por 365 ilhas, muitas delas assim.

Quer passar a noite por lá? Pois prepare-se para dormir em uma humilde cabana de bambu, e esqueça TV ou internet. Sua única distração será observar as águas cristalinas do caribe, relaxar nas praias de areia branca e mergulhar em meio a corais e estrelas do mar!

Os Kunas

Os Kuna Yalas (ou Guna Yalas) habitavam a região do Caribe e grande parte do território colombiano muito antes da chegada dos espanhóis.

Como nunca se renderam à coroa, sua história é marcada por muita luta e revoltas. Acabaram perdendo grande parte de seu território e se recuaram até a região onde atualmente está San Blas e parte do estreito de Darién. Ali não foram mais incomodados: em partes pela dificuldade no acesso, em partes pela falta de interesse na região, os espanhóis resolveram deixar os Kunas para lá.

Os anos se passaram, o Panamá se tornou independente e os Kunas seguiam habitando a mesma região. Em 1925, após a Revolução Kuna, estes indígenas finalmente conseguiram autonomia total sobre suas terras, e chegaram a formar um Estado independente. Posteriormente a região voltou a se unificar ao Panamá, mas o governo federal já não pode realizar obras ou explorar nada sem a autorização dos líderes Kuna.

Mulher Kuna Yala em San Blas
Mulher Kuna Yala

Hoje, eles vivem basicamente do turismo e da venda e troca dos produtos que suas terras produzem, como o coco, os frutos-do-mar e a banana. Possuem uma organização política bastante avançada, com um sistema democrático onde um líder, para poder se eleger a cargos superiores, precisa ter experiência nos cargos inferiores. Fazendo uma analogia ao nosso, seria como se, para se eleger a presidente, um candidato precisasse, obrigatoriamente, ter experiência como senador. Para ser senador, precisa ter sido deputado, e assim por diante.

Os kunas falam um idioma nativo, embora a maioria consiga se comunicar bem em espanhol. São bastante orgulhosos de seu passado, conhecem bem sua história (muitos estão dando aulas e palestras em universidades ao redor do mundo) e adoram contar seu estilo de vida aos visitantes. Diferente do relato de alguns outros blogs, achamos os Kunas muito simpáticos e hospitaleiros.

Deixe-se levar por esta cultura impressionante: será um extra ao seu passeio!

Ilha de Tulipe, San Blas
Nós na aldeia indígena de Tulipe

A Bandeira Kuna

Os visitantes desavisados que chegam a San Blas podem tomar um susto logo de cara: há bandeiras com suásticas por todo o canto.

Mas fiquem tranquilos, isso nada tem a ver com Hitler ou o Partido Fascista. A suástica dos Kunas representa um polvo. Este símbolo é sagrado para muitas civilizações desde a Antiguidade. Uma pena que atualmente, por conta do erro de alguns homens, ele seja atribuído a um significado tão ruim.

Bandeira Kuna Yala
Bandeira Kuna Yala. A suástica não tem nada a ver com o nazismo.

Como chegar a San Blas

Nós chegamos até lá vindo da Colômbia por barco. Se quiser saber os detalhes de como é o processo, leia nosso post completo aqui.

Para quem está na Cidade do Panamá, praticamente todos os hotéis e hostels vendem tour ou transfer para as ilhas. No geral, o tour de 2 dias/1 noite custa a partir de 120 dólares com tudo incluído (menos a entrada em San Blas), e só o serviço de transfer custa 25 dólares por trajeto (escutamos gente falando que pagou mais, mas o valor correto é 25).

Se quiser ir de forma ainda mais econômica, pegue um ônibus que vá para Darién (Cañitas) e peça para descer no cruzamento com San Blas (deve custar entre 2 e 3 dólares). Do cruzamento, é possível tentar carona ou pegar um dos 4×4 que descem com vagas (15 dólares).

Para voltar é a mesma coisa: 25 dólares com transfer direto à Cidade do Panamá, ou 15 dólares até a estrada, e de lá um ônibus de mais 2 ou 3 dólares.

O deslocamento em carro demora cerca de 2 horas, e leva até o porto de Cartí. Todo o caminho é asfaltado, com exceção do último quilômetro (é de terra, mas qualquer carro consegue passar).

De Cartí é só pegar um barco até a ilha da sua escolha (custam entre 10 e 35 dólares o trecho, dependendo da ilha).

Quiseram nos cobrar 2 dólares de taxa portuária em Cartí, mas enrolamos e acabamos não pagando (não vimos nenhum informe oficial dizendo que precisava pagar este valor).

Caranguejos gigantes em San Blas
Pescaria em San Blas: maiores caranguejos que já vimos na vida.

Por conta própria ou em tour?

Qual vale mais a pena: contratar um tour completo, ou ir por conta própria?

Em termos de preço, não faz muita diferença (a menos que você tenha barraca, aí nesse caso vai economizar bem mais indo por conta própria). A vantagem de ir por conta é que vai ficar livre para ficar quantos dias quiser e ir para as ilhas que desejar. Os tours costumam incluir umas ilhas bem sem-graça só para aumentar o tamanho do pacote.

Quanto custa?

Se você for em um tour, terá que pagar estes valores adicionais:

  • Entrada para a reserva Kuna Yala: 20 dólares. Guarde o comprovante até ir embora.
  • Entrada para as ilhas (entre 1 e 4 dólares, dependendo da ilha).
  • Água, cerveja ou lanches adicionais.

Se for por conta própria, além dos gastos acima, terá os seguintes:

  • 25 dólares de transporte até Cartí (pode reduzir este valor fazendo o esquema de ir em ônibus).
  • Transporte até as ilhas: entre 10 e 35 dólares, dependendo da distância da ilha.
  • Hospedagem: entre 15 e 50 dólares, dependendo da ilha e se vai acampar, ficar em cabana privada ou em quartos compartilhados. Valores incluem as 3 refeições, mas não incluem nenhuma bebida. Se não quiser as refeições, é possível conseguir valores mais baratos.
Comendo lagosta em San Blas
Lagosta, um dos pratos típicos de San Blas

Para economizar, leve água e algumas comidas. Lá há mercados, mas são um pouco mais caros. Alguns preços das ilhas:

  • Cerveja (lata): entre 1,50 e 3,50 dólares, dependendo da ilha;
  • Água mineral (galão): entre 3 e 5 dólares;
  • Pão: entre 10 e 20 centavos (são da metade do tamanho de um pão francês brasileiro).

Ilhas

Há uma infinidade de ilhas na região próxima a Cartí, uma mais bonita que a outra. Aqui descrevemos as ilhas que conhecemos:

Narasgandub

Esta foi a ilha que escolhemos para nos hospedar, por ser uma das mais baratas e oferecer tour para as principais ilhas. O barco de Cartí até ela custa 10 dólares por pessoa.

Na ilha vivem umas 4 famílias, e cada uma tem hospedagens para oferecer. Nós acampamos na do Miro por 15 dólares por pessoa, incluindo as 3 refeições. Se quiser ficar em uma cama, custa 35 dólares com as refeições, ou 20 dólares sem nada.

Quando chegamos, a comida era boa e bem servida. Mas aí começou a trabalhar uma gringa de voluntária, e a comida virou gourmet: continuou boa, mas não vinha quase nada. Por sorte tínhamos levado pães para complementar. No último dia rolou até lagosta.

Acampando em Narasgandub, San Blas
Acampando em Narasgandub

Narasgandub recebe bastantes turistas, mas não chega a lotar. O ambiente por ali é bem legal, e pela noite às vezes fazem fogueiras na areia reunir a galera.

A praia possui água bem cristalina e de coloração esverdeada. Há uma barreira de corais bem legal para fazer snorkel.

A partir desta ilha, fizemos dois tours: um para a Ilha Perro e Fragata (20 dólares por pessoa), e outro para a Ilha Pelicano e ao banco de areia (10 dólares por pessoa). Estes valores podem baixar se conseguir formar grupos maiores.

Mucuvinha em Narasgandub, San Blas
Mucuvinha em Narasgandub, San Blas

Ilha Perro

Cuidado, há duas ilhas chamadas Perro. Uma é bem sem-graça, e foi batizada desta forma pelas agências de turismo para enganar o turista. A outra possui um barco afundado e é, possivelmente, a ilha mais bonita de San Blas. É essa que você deve visitar. Antes de pegar um tour, confirme se a Perro que você vai é a do barco afundado.

Ilha Perro, San Blas
Na Ilha Perro, com o barco afundado ao fundo

Esta ilha é pequena, e cobra 3 dólares de entrada. Se quiser acampar, cobram 8 dólares por pessoa sem as refeições, ou 25 com as refeições. Nas cabanas cobram 40 dólares por pessoa (com as refeições).

Possui areia branquinha e água transparente, além do espetacular barco afundado. Não deixe de trazer um snorkel, ou vai se arrepender muito!

Os barcos de Carti para a Isla Perro cobram 35 dólares (ida e volta).

Evite vir a esta ilha no fim de semana, pois costuma lotar.

Ilha Fragata

A Fragata são, na verdade, duas ilhas, ligadas por um banco de areia. Possui uma praia rasinha, com água quente e cristalina, onde sempre aparecem estrelas-do-mar.

Não cobram entrada, e também não tem muito o que fazer nela. O ideal é passar uns 30 minutos por lá.

Isla Fragata, San Blas
Michele com uma estrela-do-mar na Ilha Fragata

Ilha Pelicano

Cobram 2 dólares de entrada.

Esta ilha não possui hospedagem, e é excelente para fazer snorkel. Foi a ilha onde vimos mais peixes, além de algumas estrelas-do-mar. Também possui uma grande barreira de corais.

Vale a pena fazer o passeio desta ilha combinado com o do banco de areia.

Isla Pelicano, San Blas
Ilha Pelicano

Banco de areia

Não é uma ilha, mas sim uma região bastante rasa no meio do mar. A água é bastante cristalina e bate mais ou menos na altura da cintura. Se quer ver estrelas-do-mar com certeza, venha até aqui: há uma infinidade, que podem ser vistas tanto com snorkel quanto de fora d’água.

Não se paga nada para visitar este lugar.

Banco de areia em San Blas
Nós em um banco de areia em San Blas

Descontos

Os valores são tabelados e bastante controlados pelos Kuna. A prática de chorar desconto não funciona bem por aqui (o lado bom é que também não costumam subir os preços de acordo com a cara do turista).

De qualquer forma, se quiser conhecer San Blas e não possui muito dinheiro, é possível oferecer trabalho em troca de comida e hospedagem. Conhecemos várias pessoas que acamparam e comeram gratuitamente por ajudar na cozinha ou na limpeza das ilhas.

No caso dos barcos, também é possível conseguir caronas quando o pessoal for sair para pescar, embora seja um pouco mais difícil. Faça amizade com os Kunas que eles vão fazer questão de te ajudar quando for possível.

Hospedagem em San Blas
Hospedagem típica de San Blas

Banheiro

Em quase todas as ilhas há banheiro, com privada (com descarga) e duchas.

A água para o banho é doce, mas vem de fossas naturais e, pelo menos no caso da Narasgandub, não cheiram muito bem. Mas dá para se banhar numa boa.

É isso pessoal! Espero que tenham curtido nossas dicas de San Blas.

Mergulhando com estrelas-do-mar em San Blas
Mergulhando com estrelas-do-mar em San Blas

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2 comentários sobre “Dicas de San Blas – Conheça o paradisíaco caribe panamenho por conta própria!

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