Conheça o lago Inle (Inle Lake) no Myanmar

Com suas casas flutuantes e seu povo sorridente, o passeio ao lago Inle é um dos mais bacanas que fizemos no Myanmar. Não importa se você quer ir por trilha ou de ônibus: o Inle deve estar no seu roteiro!

Câmbio oficial (out/2018)
1 real = 390 quiates
1 dólar = 1535 quiates
1 euro = 1778 quiates

Inle Lake
Casas do lago Inle

Visitar o lago Inle é como voltar no tempo. Apesar de o turismo ter aumentado bastante na região nos últimos anos, a cultura que se mantém aqui ainda é bastante autêntica. Muitas das pessoas que vivem no lago seguem suas vidas totalmente alheias às centenas de estrangeiros que cruzam seus caminhos. Elas vivem em suas casas de palafitas, saem de barco para pescar, colhem tomates nos jardins flutuantes e seus filhos vão para a escola não em ônibus escolares, mas em lanchas.

De ler tanta gente falando mal, nós quase desistimos de visitar o lago. Teria sido um erro tremendo: poucas vezes, durante toda a nossa viagem, vivemos experiências tão enriquecedoras como esta!

Como chegar?

Muita gente chega ao Inle Lake depois de fazer a trilha deste Kalaw. Se você tiver tempo e gostar de trekking, recomendamos fortemente que siga este caminho.

  • Leia nosso post exclusivo sobre a trilha aqui.

Mas, se quiser ir direto de ônibus, também pode. Do lado há ônibus de/para as principais cidades do país, incluindo Bagan (12 mil quiates, 10h), Yangon (18 mil quiates, 13h) e Mandalay (11 mil quiates, 10h). A cidade base para conhecer o lago é Nyaung Shwe.

Quem quiser ir de avião, há um aeroporto em Heho, a uns 40 quilômetros de Nyaung Shwe.

Também chegam trens a região, embora sejam pouco frequentes.

Inle Lake
Vilas flutuantes

Taxa de entrada

Estrangeiros precisam pagar uma taxa de 10 dólares (ou 13500 quiates) para visitar o lago. Esta taxa é cobrada na estrada, logo na entrada de Nyaung Shwe. Para quem vem da trilha desde Kalaw, a taxa é cobrada no cais, ao final da trilha.

Diz a lenda que, se você for até Nyaung Shwe de carona (o que é ridiculamente fácil de se conseguir nestes lados), você consegue passar sem pagar, já que somente os ônibus são parados pela polícia. Mas, pelo menos no hotel onde nos hospedamos, pediram o comprovante do pagamento. Não sei o que aconteceria se não tivéssemos.

Hospedagem

Apesar de ser um lugar bastante famoso, as hospedagens por aqui são baratas quando comparadas ao restante do país. Ficamos no Hotel Bright, em um quarto de casal com ventilador e banheiro privado, pagando 16 mil quiates (algo como 10 dólares) por dia, incluindo café da manhã. Um quarto individual privado saía por 6 dólares neste hotel.

Comer e beber

Na cidade de Nyaung Shwe há vários bares e restaurantes, e são econômicos. Um almoço em um lugar popular (mas limpinho) sai entre 1500 e 2000 quiates. Uma garrafa de cerveja (600 ml) fica entre 2 e 3 mil, dependendo da marca.

Se for comer no lago, espere pagar um pouco mais caro. Nós almoçamos arroz frito no dia do tour por 3 mil quiates.

Passeios

O passeio clássico é dar uma volta de barco pelo lago, visitando algumas oficinas, pagodas, mercados, vilas flutuantes e acompanhando o dia a dia das pessoas que vivem por ali. Há também opções de bicicleta pela região.

O passeio de barco sai de manhã e volta no meio/fim da tarde. O barco custa na faixa de 20 mil quiates e leva até 5 pessoas. É bom negociar antes com o barqueiro quais lugares você vai visitar.

Inle Lake
Passeando pelo lago Inle

Se você estiver sozinho e não tiver ninguém para dividir o barco, uma opção é contratar uma excursão (foi o que nós fizemos). Na agência do Bright hotel cobravam 5 mil por pessoa pelo passeio, e tinha saídas todos os dias. Acabou sendo bem mais barato do que pegar um barco particular. Não há que pagar entrada em nenhum lugar (os únicos gastos adicionais são com o almoço ou eventuais compras que você queira fazer).

O que visitamos durante o passeio foi:

  • Pescadores

Há tempos atrás, os pescadores pescavam de um jeito bastante único: eles remavam suas canoas prendendo o remo aos pés e usavam uma espécie de cone para agarrar os peixes. Hoje em dia, com tecnologias novas de pesca, este estilo acabou caindo em desuso, mas alguns pescadores ainda posam desta maneira para os turistas. Muita gente reclama que tudo não passa de um circo, mas não é assim. Se existem ferramentas novas e melhores para a pesca, por que eles não podem usar?

Estes pescadores que posam para as fotos estão apenas demonstrando como faziam antes. Você pode subir em seus barcos e tirar uma foto com eles mediante uma gorjeta.

Agora, se você quer ver uma pescaria de verdade, não se preocupe: pelo caminho verá pescadores com suas redes ou varas de pescar. Estes, sim, estão atrás de peixes, e não de gorjetas.

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  • Vilas flutuantes

Passamos por várias vilas no meio do caminho. E estas não tem nada de circo: é assim que as pessoas vivem mesmo. Você verá estudantes pegando o barco para irem à escola, professores voltando do trabalho, gente tomando banho no lago e até “canoas de lixo”, usadas para recolher a sujeira (seja natural ou artificial) depositada nas águas.

Inle Lake
Casas flutuantes sobre o lago. No canto, uma mulher tomando banho
  • Oficina de prata

A extração de prata é muito comum na região, e há várias oficinas que a trabalham em fazer joias. Nós visitamos uma delas, onde pudemos ver como é o processo de separação da prata e tratamento para a converter em joias. É lógico que o passeio inclui uma visita à loja deles, mas não nos sentimos forçados a comprar nada.

Inle Lake
Rapaz trabalhando com a prata
  • Mulheres girafa

Este é um tema um tanto polêmico. A tradição das mulheres colocarem argolas no pescoço para ficarem pescoçudas é comum na região, e deve ser respeitada. Faz parte da cultura e é uma forma de beleza cultivada por alguns povos (lembre-se que, no ocidente, algumas mulheres se sacrificam com espartilhos, então nada de julgar). É comum que você visite lojas ou ateliês onde encontrará essas mulheres trabalhando.

Respeite, mas não incentive. O termo “mulheres girafa” já começou a aparecer nas agências de turismo, e em um ou outro lugar pode ser que você encontre estas mulheres como atração turística, cobrando para tirar fotos e coisa do tipo. Não pague. Não tire fotos. Guarde as lembranças na memória. Não deixe que a cultura seja prejudicada por motivos comerciais. Se as mulheres querem ter o pescoço assim por questões culturais, ótimo. Mas que não sejam forçadas a isso pelo dinheiro.

  • Fábrica de roupas

Outra fábrica interessante que visitamos foi uma de roupas. O interessante desta é que os fios são feitos com uma espécie de fibra natural que sai do caule das flores de lótus (nunca tínhamos ouvido falar nisso). Todo o processo, desde a extração do fio até a produção da roupa e a pintura é feito de maneira artesanal, usando somente produtos naturais.

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Fizemos um passeio guiado por lá. Tinha uma loja anexa, claro, mas não compramos nada (embora, em outra ocasião, acho que teríamos comprado alguma roupa feita de lótus de lembrança).

  • Feira

Outra parada foi uma feira bem interessante, que acontecia ao redor e embaixo de um templo budista. Por esta razão, era obrigatório visitar a feira com roupas adequadas (cobrindo os ombros e as pernas até os joelhos) e descalço.

Dentro do templo havia um altar sagrado, e os homens se exprimiam para tocá-lo (mulheres eram proibidas de se aproximar).

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  • Fábrica de charutos

Ok, mais uma fábrica e mais uma loja. Nesta eles ensinavam o processo da fabricação de seus charutos, tudo com fibras naturais. Para quem é fumante, pode ser interessante comprar alguns de sabores diferentes, como banana ou menta.

Inle Lake
Mulheres fabricando charutos

Em todas as lojas que paramos, achamos os valores dos produtos bastante justos. Se estivéssemos viajando de férias, com certeza teríamos comprado alguma lembrança.

  • Eco hotel

Paramos também em uma espécie de hotel ONG, onde aprendemos um pouco da história do lago, vimos como é o processo de plantio, o tratamento do lixo e tudo mais. Para quem gosta de gatos, neste hotel também criam gatos da raça birmanesa. Segundo o guia, estes são os últimos exemplares de raça pura. Todos os outros já foram misturados com espécies trazidas de outras regiões.

O passeio guiado foi gratuito e bem interessante. Não tentaram nos vender nada e nem pediram gorjeta.

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  • Monastério Nga Phe Kyaung

No passado, este monastério ficou famoso por um monge que tinha a habilidade de ensinar truques a gatos, igual se faz aos cachorros. O monge já morreu e hoje em dia os poucos gatos do monastério já não fazem truque algum, mas o monastério continua sendo bem bonito.

Monastério Nga Phe Kyaung
Monastério Nga Phe Kyaung
  • Jardins flutuantes

No meio do lago há alguns jardins flutuantes, onde a população local planta tomates e outras hortaliças. Estes jardins são bem interessantes, pois foram montados sobre as águas do lago. Nada de circo, nada de turístico: é dali que o povo da região tira seu alimento.

Jardins flutuantes do Inle Lake
Mulher colhendo tomates nos jardins flutuantes

Nosso passeio durou das 8h até pouco antes das 16h. Algumas pessoas podem querer estender o passeio para ver o sol se pôr de dentro do lago, pagando uns 5 mil a mais para o barqueiro. Como choveu bastante no fim da tarde, nem cogitamos esta hipótese.

Achamos o passeio bem interessante. Apesar de visitarmos várias lojas, não nos sentimos forçados a comprar nada, e aprendemos muito vendo as pessoas trabalhando. A visita às vilas flutuantes foi outra experiência incrível, pois acompanhamos os moradores vivendo em um estilo completamente diferente do que estamos acostumados.

Enfim, experiência imperdível!

Aqui está um vídeo mostrando como é o passeio pelo lago:

Não deixem de ler nosso post completo com todas as dicas para viajar pelo país:

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3 comentários sobre “Conheça o lago Inle (Inle Lake) no Myanmar

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