Chiloé – um pequeno paraíso ao sul do Chile

Muitas vezes chamada de “ilha”, Chiloé é, na verdade, um arquipélago, composto por uma ilha principal e várias ilhotas ao seu redor. Destino muitas vezes esquecido pelos brasileiros, aqui é possível ver belas praias (ainda que precise de coragem para banhar-se nelas), pinguins, baleias, patrimônios da UNESCO e vivenciar uma rica cultura que mescla a pesca e a vida campeira.

Câmbios de referência (28/12/2015):

1 real = 183 pesos chilenos
1 dólar = 707 pesos chilenos


 

Como chegar a Chiloé

A maneira mais fácil de chegar a Chiloé é através de um ônibus a partir de Puerto Montt com destino a Ancud, primeira cidade da ilha principal. Os ônibus saem diariamente, quase que de hora em hora e custam 4000 pesos por um trajeto de cerca de 2 horas. Para chegar à ilha, há um ferry boat que faz o caminho pelo mar.

Mucuvinha no ferry para Chiloé
Ferry que levou nosso ônibus para a Ilha Grande de Chiloé

Para quem vem ou quer seguir para o extremo sul do Chile, há ferrys que ligam as principais cidades da ilha a destinos como Chaitén, Puerto Varas e Puerto Natales. Convém verificar com antecedência os dias em que há ferrys e a duração destes trajetos, já que são menos convencionais.

O site da empresa responsável pelo ferry é www.navieraustral.cl, e lá é possível ver os dias, o preço e a disponibilidade de cada destino.

Comida:

Quer apreciar frutos-do-mar fresquinhos, ou prefere um delicioso cordeiro? Tanto faz, a ilha tem de tudo. Se você gosta de comer em restaurante japonês no Brasil, provavelmente o salmão do sashimi que você adora veio de Chiloé. Não é raro encontrar caminhões brasileiros vindo buscar comida por aqui.

O prato principal, que é a identidade da região, é o curanto. Servido em qualquer cidade (embora se diga que, quanto mais ao sul, melhor), é um prato farto, servido de uma grande combinação de frutos-do-mar em geral, porco, frango e linguiças – isso mesmo, linguiças! Parte da herança da colonização alemã que teve por aqui. Apesar da combinação parecer estranha, o prato é “muy rico” e vale a pena provar.

Mucuvinha comendo curanto em Chiloé
Curanto, prato típico de Chiloé. Mescla frutos-do-mar, carne de porco, frango e linguiças.

O preço do curanto varia muito, mas em geral você vai pagar entre 4 e 7 mil pesos por um prato que pode servir até duas pessoas.

Uma dica é procurar campings ou hospedagens em fazendas e perguntar se vão cozinhar alguma coisa (é comum o pessoal fazer um cordeiro, um porco ou até mesmo curanto nesses lugares). Se tiver oportunidade de participar, vai apreciar uma comida típica com sabor caseiro de verdade.

O que fazer em Chiloé

Comer, andar a cavalo, ver pinguins, ir à praia (se não tiver medo de água gelada), fazer trilhas em parques nacionais ou apreciar a bela arquitetura (Chiloé possui mais de 100 belas igrejas de madeira, sendo 15 delas declaradas patrimônio da humanidade pela Unesco), vai do gosto de cada um.

Separamos aqui as principais cidades que visitamos e seus atrativos:

  • Castro:

Está localizada no centro da maior ilha e é a principal cidade de Chiloé. De lá, partem ônibus a todas as partes. Lá também estão os bancos (se pretende sacar dinheiro em Chiloé, convém fazer isso em Castro), as principais lojas e até um shopping.

Igreja de Castro, Chiloé, Patrimônio da UNESCO
Interior da Iglesia de San Francisco, em Castro, uma das 16 que foram tombadas como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em Chiloé

Castro está localizada à beira do mar e abriga uma das 15 igrejas declaradas como patrimônio da Unesco (a visita é gratuita e permitem tirar fotos sem flash). A cidade é muito bonita, composta principalmente por casas de madeira. Aqui se pode ver as famosas “palafitas” da região, que são casas montadas sobre o mar. É possível pagar um passeio de barco para vê-las, ou simplesmente caminhar até um mirador e admirá-las gratuitamente.

Casas de palafita em Chiloé
Casas de madeira e palafitas: a identidade de Chiloé.

Castro possui uma enorme variedade de hospedagens, com os mais diversos preços e níveis de conforto. Campings infelizmente não há – o mais próximo está a 4km de lá.

Nós ficamos no hotel mais barato que encontramos, com quarto privado com vista para o mar, cozinha e TV (banheiro compartilhado). O preço de dormir ali era 8 mil pesos por pessoa.

Dois dias são mais que suficientes para conhecer tudo o que a cidade tem para oferecer, incluindo o mercado de artesanatos, o museu (grátis) e os principais restaurantes.

  • Ancud:

É a porta de entrada para quem vem de Puerto Montt. A cidade possui hospedagens que vão desde campings até hotéis mais luxuosos. Se estiver procurando camping, eles estão localizados na rua Costanera Norte, a cerca de 10 min caminhando a partir do terminal de ônibus. Nós acampamos no Vista Hermosa (3500 pesos por pessoa), e a vista de lá era realmente espetacular. A barraca ficava a beira de um penhasco, com vista para o Pacífico.

Ancud, Chiloé
Chegamos ao camping de Ancud à noite, montamos nossa barraca e dormimos. No dia seguinte, acordamos com esta vista.

O principal atrativo de Ancud são as pinguineras, ilhotas onde é possível observar pinguins. Para chegar até lá, deve-se pegar um ônibus local até Punihuil e de lá contratar um barco que te leve até as pinguineras. O passeio de barco gira em torno de 6 mil pesos por pessoa, dependendo da negociação e da demanda.

Há passeios para ver baleias, mas não recomendamos. Custam uma nota (algo perto de 1000 reais), e não é garantido que você vá ver alguma coisa.

Em Ancud também há um antigo forte que vale a visita. Perto do forte há uma bela praia, que vale a pena visitar (nem que for somente para tirar uma foto).

Praia de Ancud, Chiloé
Praia de Ancud, em Chiloé, para quem não tem medo de encarar as águas geladas do Pacífico.

Esta cidade não possui nenhuma igreja que valha a pena visitar.

  • Dalcahue:

Pequena cidade pesqueira, abriga uma das igrejas da Unesco. De lá é possível pegar ônibus circulares que levam à ilha de Quinchao (onde há mais duas dessas igrejas) e a Tenaún (mais uma igreja).

Passamos o natal nesta cidade, e a missa na pequena igreja de madeira foi uma experiência que ficará em nossa memória para sempre.

Missa de natal em Chiloé
Missa de natal na pequena cidade de Dalcahue, Chiloé.

Ficamos hospedados na casa de Dona Nena, uma senhora que alugava quartos por 8 mil por pessoa e deixava acampar no quintal dela por 3 mil por pessoa. O legal foi que, como estava chovendo muito, acho que ela ficou com pena de nós e nos deu um quarto (com cozinha e banheiro privado) pelo preço do camping. Este foi nosso presente de natal 🙂

  • Cucao:

Pequena vila localizada no lado oeste da ilha, é a porta de entrada para o Parque Nacional de Chiloé. A vila se limita a umas poucas casas, restaurantes e pequenas mercearias (convém trazer comida de outro lugar se pretende cozinhar, pois aqui as opções são poucas e mais caras).

Há alguns hostels, campings e hospedagens familiares por aqui.

Desde Cucao pode-se chegar caminhando ao Parque Nacional (está a cerca de 1km depois da ponte).

  • Parque Nacional de Chiloé:

Localizado próximo à vila de Cucao, o parque permite ver parte da flora típica de Chiloé (e alguns animais, se tiver muita sorte).

O parque é pequeno e é cortado por uma estrada movimentada, o que faz com que você não se sinta de fato na natureza. Mesmo assim, vale a visita.

A entrada é 1500 pesos por pessoa, e todas as trilhas podem ser feitas em uma tarde. É possível acampar no parque por 5 mil pesos por pessoa, ou se hospedar em um bangalô (35 mil pra duas pessoas). Não se engane achando que vai fazer camping selvagem – o parque possui até mesmo sinal de wi-fi.

Parque Nacional de Chiloé
Caminhando pelo Parque Nacional de Chiloé

Algumas pessoas entram no parque sem pagar por um pequeno portão que está a poucos metros além da entrada principal. Apesar de tentador, não recomendamos fazer isso. Lembre-se que o Chile é um país bem rigoroso, e se te pegam fazendo malandragem pode ser um problema…

  • Quellón:

Cidade que marca o fim da Panamericana, estrada que começa no Alasca e cruza toda a América. Não tem grandes atrativos, mas é um bom ponto de partida para quem quer seguir para o sul do Chile.

Ferry para sair de Chiloé por Quellon
Ferry que nos levaria de Quellon de volta ao continente.

A partir daqui saem os ferrys mais baratos e mais rápidos com destino a Chaitén ou às demais cidades no continente. Quando estivemos aqui, pegamos um barco direto a Puerto Cisnes. Custou 10.450 pesos por um trajeto de 12h.

Deslocamento:

Há transporte público para quase todos os cantos da ilha, embora em alguns lugares ele não seja dos mais eficientes.

Para cruzar de Ancud – Castro – Quellón, há ônibus de viagem (a empresa que leva é a Cruce del Sur) que fazem o trajeto. Para as demais localidades, há pequenos ônibus locais, que em geral saem de Castro.

Os preços são um pouco difíceis de entender (custa 2 mil pesos para rodar cerca de 70km desde Ancud até Castro em um ônibus confortável, e 1400 para rodar pouco mais de10km em um ônibus apertado de Dalcahue a Achao).

Também há táxis (chamados de coletivos) que funcionam como um ônibus: fazem sempre o mesmo trajeto, cobram um valor fixo e são compartilhados entre várias pessoas.

Também é interessante comentar que as principais cidades possuem 2 terminais de ônibus: um da Cruce del Sur e outro para os ônibus menores (chamado de Terminal Rural), que vão para as cidades menores.

Dicas:

  • Há muitos hotéis clandestinos por aqui que são bem mais em conta. Quando chegar a algum lugar, convém ir aos mercados, padarias ou simplesmente perguntar aos vendedores ambulantes se eles conhecem alguém que tenha uma hospedagem barata. Eles sempre tem algum parente com um quarto para alugar (foi assim que descobrimos a Dona Nena em Dalcahue e o nosso hotel de Castro). Também não é incomum alguém vir te oferecer hospedagem quanto te vir com a mochila nas costas.
  • Esqueça booking ou hostelworld – somente as opções mais caras estão listadas ali.
  • Experimente o curanto – comida típica da região.
  • Se forem a algum povoado para visitar uma igreja e ela estiver fechada, pergunte para os moradores do local quem é o responsável pela igreja. É bem possível que ele vá, com muito orgulho, abri-la para você. Isso passou conosco em Tenaún.
  • Se ficar acampado ou hospedado em alguma fazenda, tente fazer amizade com os donos para participar de algum almoço ou janta familiar. Pode ser que você experimente um delicioso porco ou cordeiro fresquinho.
  • Leve capa de chuva – em Chiloé chove e muito.

 

É isso pessoal! Que tal incluir este belo destino na sua próxima viagem pelo sul do continente?

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3 comentários sobre “Chiloé – um pequeno paraíso ao sul do Chile

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