Afinal, de quem são as Ilhas Malvinas?

Quem já viajou pela Argentina com certeza já viu em dezenas de lugares inscrições como “Las Malvinas son Argentinas”, “Plaza Malvinas Argentinas” e vários memoriais aos soldados que lutaram na guerra. Mas, afinal, qual é a história por trás destas ilhas?

História

Localizada a cerca de 500km da costa argentina, as Ilhas Malvinas (ou Falkland, em inglês) haviam sido alvo de disputas entre Inglarerra, França e Espanha desde sua colonização, em 1690. Futuramente, esta disputa ficaria entre Inglaterra e Argentina, que reivindicaria os direitos espanhóis sobre a região. Várias discussões se sucederam entre os dois paises sobre o domínio das ilhas, até que, em 1833, a Inglaterra teria expulsado o pequeno governo argentino de lá e tomado a soberania das Malvinas.

Mapa Ilhas Malvinas
Mapa do sul da Argentina e as Ilhas Malvinas

Mesmo sob domínio britânico, os dois países continuaram ocupando a ilha pacificamente e várias negociações se seguiam em paralelo. Os principais países e a ONU já consideravam as ilhas de direito argentino, e seria questão de tempo até a soberania ser conquistada por nossos vizinhos.

O problema mesmo surgiria em 1982: com os altos índices de desemprego e uma inflação incontrolável, a ditadura da Argentina se via muito enfraquecida, e já não conseguia controlar as ondas de protesto ao regime. Como uma tentativa de restaurar o patriotismo e a confiança popular, decide invadir e retomar a posse das ilhas. De fato, em 3 de abril de 1982, após um ataque bem sucedido, a bandeira da Argentina tremulava nas ilhas.

A vitória chegou a ser comemorada em todo o país. Afinal, fora a primeira investida bem-sucedida de uma ex-colônia contra uma potência mundial. Não imaginavam que a Inglaterra iria contra-atacar; afinal, por que dariam importância a um pequeno arquipélago tão longe a Europa? Além do mais, o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) colocaria os países americanos, incluindo os Estados Unidos, do lado da Argentina.

Avião usado na Guerra das Malvinas em Río Grande
Avião usado pela Argentina na Guerra das Malvinas

Na prática, porém, não foi isso que aconteceu: Margaret Thatcher, então governante britânica, enfrentava muitos problemas com sua popularidade. Perder as Malvinas seria desastroso para seu partido nas próximas eleições. Desta forma, decidiu contra-atacar com tudo. Os Estados Unidos, preocupados por ter dois países aliados em conflito (lembrando que, neste momento, EUA e União Soviética disputavam o domínio global) tentaram de todas as formas resolver a situação diplomaticamente. Sem sucesso, acabaram optando por apoiar a Inglaterra.

O Chile, que já havia perdido parte de seu território antes e quase entrara em guerra com a Argentina pelo controle do Canal de Beagle (guerra esta que supostamente teria sido evitada por pedido do para João Paulo II), via com certo medo o enfortalecimento militar de seus vizinhos. Por isso, decide apoiar a Inglaterra (o que é motivo de ressentimento entre os dois países até hoje). O Brasil se declarou neutro, porém afirmou que defenderia seus vizinhos caso a guerra saísse das ilhas e se estendesse para o continente.

Em 14 de junho de 1982, sem muito apoio e enfrentando um exército tecnologicamente mais avançado e com um treinamento mais eficiente, a Argentina termina por perder a guerra e o domínio das Malvinas.

 

Praza memorial às Malvinas em Rio Grande, Tierra del Fuego, Argentina.
Praza memorial às Malvinas em Rio Grande, Tierra del Fuego, Argentina.

Principais Consequências da Guerra:

  • Destruída moralmente e economicamente, a ditadura na Argentina durou pouco mais que 1 ano após a guerra e foi substituída por um governo democrático. Apesar de desastrosa, a guerra trouxe algo de bom para os argentinos.
  • Vitorioso, o partido de Margaret Thatcher ganhou as eleições seguintes com uma boa vantagem.
  • Saldo de mortos: 649 soldados argentinos, 255 soldados britânicos e 3 civis.
  • O domínio sobre as ilhas segue britânico.
  • A Argentina sofreria fortes sanções de outros países europeus após a guerra (poucos viram com bons olhos o fim prematuro da guerra; afinal, quando teriam outra oportunidade de vender seus mísseis?).
  • A Guerra das Malvinas foi um duro golpe para o bloco capitalista, pois diversos países viram com maus olhos o fato dos EUA terem abandonado um aliado mais fraco para apoiar uma grande potência. O Tratado Interamericano de Assistência Recíproca acabou após esta guerra.
Referências às Malvinas no Ushuaia
Referências às Malvinas no Ushuaia

Mas qual o interesse nas ilhas?

Em tempos antigos, o principal interesse pelas ilhas era para a caça de baleias. Com o tempo, a caça acabou reduzindo e extinguindo várias espécies destes animais, o que tornou esta prática pouco interessante financeiramente.

Atualmente, a soberania das ilhas é questão de orgulho tanto para a Argentina quanto para a Inglaterra.

Nos últimos anos, a Inglaterra encontrou e começou a extrair petróleo próximo às ilhas, o que faz muitos questionarem se o país já sabia da existência do combustível na região.

Monumento aos soldados que lutaram na Guerra das Malvinas em Rosário, Argentina.
Monumento aos soldados que lutaram na Guerra das Malvinas em Rosário, Argentina.

A situação hoje

Atualmente, os dois países voltaram a ter relações diplomáticas, e voos entre a Argentina e as ilhas voltaram a ser estabelecidos.

A ilhas continuam sob domínio britânico, e as tentativas da Argentina de recuperá-las seguem, sem muito sucesso. A rainha já negou qualquer possibilidade de abrir mão das Falklands, e inclusive anunciou um plano de investimento milionário na região. Apesar do interesse dos hermanos, é pouco provável que outra guerra ocorra entre os dois países.

Chegou a ser feito um plebiscito com os moradores da ilha sobre qual domínio gostariam de ter, resultando em uma vitória esmagadora de parte da Inglaterra (pouco provável que alguém que ganhe em Libras Esterlinas queira trocar seu salário por Pesos Argentinos, não é?).

 

Se quiserem saber mais sobra a Argentina, não deixem de ler nosso post completo aqui:

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12 comentários sobre “Afinal, de quem são as Ilhas Malvinas?

  1. Las islas son y serán argentinas,aunque los piratas británicos las hayan robado.Son parte de la plataforma continental de nuestro país,y parte de la Pcia,de Tierra del Fuego,La guerra fue algo equivocado,no debió suceder…pero las negociaciones no se dejarán de lado nunca,porque las islas,son Argentinas..

  2. Vocês querem dizer Falkland né… Pertence a Inglaterra claro, afinal por plebiscito a população que é a maior interessada decidiu, então: Viva a Coroa Britânica e paulada em quem tentar desrespeitar a soberania estabelecida.

    1. Na verdade o plebiscito não tem nada a ver. As ilhas pertencem à Inglaterra desde que a Inglaterra invadiu e tomou posse das até então ilhas Malvinas. Não houve desrespeito à soberania de ninguém quando a Inglaterra deu a primeira paulada, já que as ilhas não pertenciam a nenhum país quando a Argentina reivindicou seu direito ali.

    2. Falkland ou Malvinas! Ambos nomes são aceitos e dizer que um ou outro é errado demonstra desconhecimento para com a história do lugar, independente de sua opinião sobre a quem as ilhas devam pertencer. O uso oficial de ambos nomes ficou estabelecido na 20ª Assembleia Geral da ONU. Malvinas é o nome oficial do arquipélago no idioma espanhol e isso vale para todos os países hispanófonos do mundo. A propósito, leia mais sobre a história das ilhas e descobrirá que o primeiro país a tentar colonizar as ilhas foi a França, em 1764, com a fundação de um assentamento. Vai descobrir ainda que o nome Malvinas vem do francês “Malouines” e foi dado naquele ano em homenagem à cidade francesa de Saint-Malo (que foi o ponto de partida dos seus navios com os primeiros colonos franceses), e “espanholizado” para Malvinas em 1766, quando a França cedeu as ilhas para o domínio espanhol. Ou seja, o nome não é uma invenção dos argentinos!

  3. Primeiro, vamos aos fatos:

    – O Reino Unido descobriu as ilhas em 1690
    – Quem colonizou? A França fundou um assentamento em 1764 e o Reino Unido em 1765, ou seja, a ocupação de fato, ocorreu praticamente ao mesmo tempo e ambos países reivindicavam a soberania
    – A França cedeu seu direito de soberania à Espanha em 1766 (que herda o assentamento francês), retira-se das ilhas e em 1774, os britânicos também se retiram, mas sem renunciar à posse
    – Em 1790, o Reino Unido reconhece a soberania espanhola sobre as ilhas, através da Convenção de Nutka. Até 1810, a Espanha marca sua presença no arquipélago
    – Entre 1810 e 1816, ocorre o processo de independência argentina e o novo país reclama a soberania das ilhas, como “herança espanhola”. A Argentina tenta colonizar as ilhas
    – O Reino Unido reconhecia a soberania espanhola, mas não a argentina e invade as ilhas em 1832, expulsando os poucos argentinos que lá haviam
    – Por fim, em 1840, é fundada Stanley e a colonização britânica se estabelece em definitivo

    Analisando os contextos histórico e geográfico, é fácil concluirmos que as ilhas DEVERIAM pertencer à Argentina. Afinal de contas, a partir do momento que o país nasce, nada mais natural que herdasse aquilo que era da Espanha e que o Reino Unido abrira mão. Ainda temos o agravante que já se iniciava um processo de colonização argentino e que foi interrompido pelo Reino Unido, que tomou posse do lugar e lá estabeleceu seus colonos. Apesar de reclamar, a Argentina nada fez, afinal de contas, quem seria doido de encarar o poderio bélico britânico, então a maior potência mundial? A partir daí, a coisa muda de figura até os dias de hoje e cria-se um imbróglio, pois temos lá uma população já radicada e que – ainda que tenha sido “implantada” – é britânica, fala inglês e não tem a menor intenção de mudar seus salários em estáveis libras esterlina para desvalorizados pesos argentinos, tampouco de abrir mão do direito de poder viver, estudar ou trabalhar no Reino Unido, se assim desejarem. Já existe no lugar toda uma infra-estrutura criada pelo Reino Unido. Ou seja, transferir a soberania hoje é algo praticamente irreversível!

    A meu ver, as ilhas deveriam sim ter sido argentinas, mas hoje, tomando base tudo o que ocorreu desde 1832 e a vontade dos habitantes locais, não há a menor possibilidade da Argentina recuperar a sonerania. Tem que aceitar que perdeu e ponto final. A única possibilidade que vejo hoje é a divisão do arquipélago entre as nações: por que não manter a Malvina Oriental (habitada) sobre o domínio britânico e ceder a Malvina Ocidental para a Argentina? Por que nenhum dos 2 países até hoje não propôs isso??

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